O Irã, por meio de sua Guarda Revolucionária, anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o transporte global de petróleo e gás. A decisão reverte uma reabertura anterior da via navegável e é uma resposta direta à declaração do presidente Donald Trump de que o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos permanecerá em vigor até que as negociações com o Irã estejam "100% concluídas". Teerã afirmou ter 'controle rigoroso' sobre o estreito e que a via não será totalmente reaberta se o bloqueio persistir, intensificando as tensões regionais e internacionais. O anúncio foi feito via rádio para navios na área, e a Marinha da Guarda Revolucionária iraniana ameaçou destruir qualquer embarcação que tente entrar em Ormuz, introduzindo novos riscos para a navegação e causando incerteza entre as embarcações comerciais. A Guarda Revolucionária do Irã também declarou que as falas de Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz "não têm validade" e que as embarcações devem seguir as notícias iranianas.
Simultaneamente ao fechamento, houve relatos de ataques iranianos a petroleiros no Estreito de Ormuz. Um oficial dos EUA confirmou pelo menos três ataques a navios comerciais, e a UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) registrou dois incidentes. Armadores relataram disparos e ataques a navios, com algumas embarcações fazendo meia-volta e desistindo de suas rotas. Pelo menos um navio foi atingido e sofreu danos, embora não haja relatos de feridos. Lanchas iranianas também alvejaram dois navios indianos que atravessavam a rota. O Irã acusa os Estados Unidos de "violar repetidamente os compromissos" e praticar "pirataria e roubo marítimo" sob um suposto bloqueio. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Donald Trump de fazer "sete declarações falsas em uma hora" em posts e entrevistas, alegando que os EUA não vencerão a guerra com mentiras.
Em resposta à escalada, o Presidente Trump convocou uma reunião de emergência na Sala de Situação da Casa Branca para abordar a crise no Estreito de Ormuz e as negociações com o Irã. A reunião contou com a presença de altos funcionários, incluindo o Vice-Presidente Vance, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário de Defesa Pete Hegseth. Trump declarou que o Irã está "fazendo graça" ao tentar chantagear os EUA com o fechamento do Estreito de Ormuz, enfatizando que Washington não será chantageada pela República Islâmica. Ele também alertou que o cessar-fogo com o país pode ser rompido se um acordo duradouro não for aprovado até a próxima quarta-feira, 22 de abril. Forças armadas dos EUA se preparam para abordar navios iranianos em águas internacionais, segundo o Wall Street Journal.
O Irã reiterou sua determinação em manter o controle e a supervisão sobre o tráfego no Estreito de Ormuz até o término do conflito e a concretização de uma paz duradoura na região. Segundo a agência estatal Isna, esse controle será exercido através da obtenção de informações completas sobre as embarcações e da exigência de conformidade com as normas iranianas em tempo de guerra. Além disso, petroleiros deverão pagar custos por serviços de segurança, salvaguarda e proteção ambiental nas rotas anunciadas pelo Irã. Teerã advertiu que considerará bloqueios navais dos EUA como violação do cessar-fogo, impedindo a abertura condicionada do Estreito de Ormuz caso ocorram.
Os incidentes ocorrem horas depois que o Presidente Trump expressou otimismo sobre um acordo com o Irã "em um ou dois dias", colocando em xeque as negociações de paz esperadas para este fim de semana. O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, mediou conversas entre EUA e Irã em Teerã, e Trump afirmou ter falado com ele e com os iranianos. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã está avaliando novas propostas dos EUA, mas ainda não respondeu. A Marinha norte-americana, por sua vez, alertou sobre a ameaça de minas navais no Estreito de Ormuz, recomendando que navios evitem certas áreas. Líderes da França e do Reino Unido se reuniram com outros países para debater planos de reabertura do estreito, sem a presença dos EUA.
G1 Mundo • 18 abr, 15:25
Axios - Main • 18 abr, 14:25
NYTimes World • 18 abr, 13:33
19 abr, 11:02
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