A indústria de petróleo dos Estados Unidos manifestou sua oposição a um possível conflito militar com o Irã, expressando desconforto em serem associados à política externa do presidente Donald Trump. Apesar disso, executivos do setor pressionam o governo Trump por uma postura firme contra o Irã em relação ao controle do Estreito de Hormuz, visto como um precedente perigoso para o comércio global de petróleo. A administração Trump aposta que a pressão econômica forçará o Irã a reabrir o Estreito de Hormuz, uma passagem vital para 20% do petróleo e gás mundiais, que havia sido fechada desde o início da guerra no Oriente Médio em fevereiro.
Nesta sexta-feira (17), o Irã anunciou a reabertura completa do Estreito de Hormuz para a navegação de embarcações, coincidindo com um cessar-fogo com os Estados Unidos, que se estende até 22 de abril. O Ministro das Relações Exteriores do Irã declarou o Estreito de Hormuz "completamente reaberto" para o período restante do cessar-fogo. Donald Trump e o ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmaram a reabertura, com Trump afirmando que a passagem está "totalmente aberta e pronta para negócios e livre tráfego" via Truth Social. Dados de plataformas como MarineTraffic e Kpler confirmaram a retomada da circulação, com petroleiros iranianos transportando petróleo bruto. A reabertura do estreito também está ligada ao cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, mediado por Trump, sinalizando um alívio temporário nas preocupações com o fornecimento global de energia.
Contudo, mesmo após a reabertura da rota marítima, o presidente Donald Trump anunciou que o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Hormuz será mantido. Trump declarou que as tropas americanas só serão retiradas após a conclusão de 100% das negociações com o Irã. Um oficial militar iraniano, por sua vez, declarou que as embarcações comerciais devem seguir rotas determinadas e ter permissão da Marinha da Guarda Revolucionária para transitar pelo estreito, enquanto analistas alertam que a situação permanece frágil e dependente da manutenção da trégua na região.
As declarações sobre a reabertura do Estreito de Hormuz tiveram um impacto imediato nos mercados globais. O preço do petróleo despencou abaixo de US$ 90 por barril, atingindo o menor valor em mais de um mês, impulsionado pelo anúncio da reabertura do estreito, que pode indicar uma maior oferta no mercado. Inicialmente, os preços do petróleo caíram mais de 10% na sexta-feira, com o Brent crude atingindo US$ 88,90 por barril (queda de 10,42%) e o WTI em US$ 83,35 (recuo de 11,11%). No entanto, nesta quarta-feira (16), o preço do petróleo registrou um salto de mais de 3%, com a alta mais acentuada no período da tarde. Investidores reagiram à falta de clareza e à incerteza sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, influenciando o aumento dos preços. Em um desenvolvimento mais recente, Donald Trump confirmou novamente a reabertura do Estreito de Hormuz e anunciou que a maioria dos pontos do acordo com o Irã já está negociada, prevendo uma conclusão "muito rapidamente". Esta declaração, que representa uma mudança de tom após semanas de divergências sobre o programa nuclear iraniano e o bloqueio naval, provocou uma nova queda significativa nos preços do petróleo (WTI e Brent) e do dólar em relação ao real, refletindo a expectativa de uma resolução mais rápida do impasse. Em resposta a essa queda nos preços do petróleo, as ações de petroleiras brasileiras também sofreram impactos, com a PRIO (PRIO3) registrando uma queda de 7,36% no início do dia e as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) recuando cerca de 4,5%.
O otimismo em relação à desescalada no Oriente Médio também se refletiu no mercado de juros futuros no Brasil. As taxas dos DIs registraram fortes baixas, com o DI para janeiro de 2028 caindo 29 pontos-base e o de janeiro de 2035 recuando 22 pontos-base. As opções de Copom na B3 indicam 75,5% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic, um aumento em relação aos 55% antes do cessar-fogo entre EUA e Irã. Apesar do cenário internacional, investidores no Brasil ainda precificam um corte de apenas 25 pontos-base na Selic no fim do mês, com a taxa básica em 14,75% ao ano.
Folha de São Paulo - Mercado • 17 abr, 10:02
BBC Brasil • 17 abr, 10:48
InfoMoney • 17 abr, 10:25
17 abr, 22:02
17 abr, 11:11
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12 abr, 20:02
9 abr, 10:02
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