Os preços do petróleo registraram um aumento significativo, com o barril de Brent subindo 6,80% para US$ 101,93 e o WTI avançando 7,98% para US$ 104,27. A valorização é resultado direto do colapso das negociações de trégua entre os Estados Unidos e o Irã, que elevou as tensões geopolíticas na região do Oriente Médio. As negociações de paz, realizadas em Islamabad, Paquistão, terminaram sem acordo, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã recusou os termos americanos para não desenvolver arma nuclear. O fracasso das negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã levou o presidente Donald Trump a anunciar o bloqueio do Estreito de Hormuz, impactando os mercados globais com a alta do petróleo e a queda das ações.
A situação foi agravada pelas declarações do presidente Donald Trump, que anunciou um bloqueio militar total aos portos iranianos no Estreito de Hormuz, uma rota marítima vital para o transporte global de petróleo. Trump instruiu a Marinha a bloquear navios que paguem pedágio ao Irã e a destruir minas marítimas. Ele também ameaçou a China com tarifas caso o país asiático forneça assistência militar ao Irã. A Marinha dos EUA planeja interceptar navios comerciais que pagarem taxas ao Irã para navegar na região, visando interromper o fluxo de petróleo iraniano. Em meio a essa instabilidade, três petroleiros – New Future, Auroura e NV Sunshine – tentaram atravessar o Estreito de Hormuz, sendo os primeiros a fazê-lo desde o anúncio de bloqueio pelos EUA. As travessias ocorreram poucas horas antes de o bloqueio dos EUA entrar em vigor, que busca restringir navios com ligações iranianas e reduzir as receitas de energia do Irã.
O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou o início do bloqueio do tráfego marítimo dos portos iranianos a partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira, 13 de abril. A medida será aplicada a embarcações de todas as nações que entram ou saem dos portos e áreas costeiras iranianas, incluindo os portos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã. O Centcom, no entanto, assegurou que não impedirá a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Hormuz com destino a portos não-iranianos. O Comando Central do Exército dos EUA afirmou que bloqueará navios ligados ao Irã ou que tenham pago pedágio ao país, o que representa uma nova escalada na guerra entre EUA, Israel e Irã. Especialistas jurídicos questionam a legalidade do bloqueio, que pode violar o direito marítimo e o cessar-fogo de duas semanas.
Em resposta ao bloqueio, o Exército do Irã, por meio da emissora estatal Irib, declarou que a segurança no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é para todos ou para ninguém, alertando que nenhum porto estará seguro na região se os seus próprios portos forem ameaçados. A Guarda Revolucionária do Irã reforçou essa postura, alertando que qualquer aproximação de navios militares ao Estreito de Hormuz será tratada severamente, considerando-a uma violação do cessar-fogo de duas semanas acordado com os Estados Unidos. A mídia estatal iraniana divulgou que o estreito está sob controle e 'gestão inteligente' da Marinha do Irã, e que a hidrovia está aberta para a passagem segura de embarcações não militares, seguindo regulamentos específicos. O regime iraniano, que bloqueia o trânsito no Estreito de Hormuz há mais de um mês, chamou a ação dos EUA de "ilegal" e "pirataria". Apesar do cessar-fogo, o Irã tem impedido a passagem segura, e o volume de tráfego no estreito ainda é uma fração do período pré-guerra. Especialistas minimizam o impacto prático do bloqueio, já que poucas embarcações pagam pedágios ao Irã e já estariam sujeitas a sanções.
A Rússia, China e União Europeia criticaram o bloqueio militar total do Estreito de Hormuz. A China, por sua vez, pediu "calma e contenção" e um cessar-fogo imediato no conflito, alertando que um bloqueio do Estreito de Hormuz ameaça o comércio global e a estabilidade econômica. O porta-voz Guo Jiakun enfatizou a importância da estabilidade no Estreito de Hormuz, por onde passa um quinto da oferta global de petróleo, e rejeitou relatos de que Pequim estaria fornecendo equipamentos militares a Teerã, classificando as alegações como "mal-intencionadas" e "infundadas". A China reiterou que não há vencedores em uma guerra comercial, em resposta à ameaça de Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos de países que forneçam armamentos ao Irã. O Reino Unido declarou que não participará diretamente da operação de bloqueio, mas apoia a liberdade de navegação e a reabertura do estreito.
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