O otimismo inicial com o cessar-fogo entre EUA e Irã é revertido por novas tensões no Oriente Médio, levando à alta do petróleo, queda em bolsas e valorização do dólar, apesar da retomada parcial do tráfego em Ormuz.

O otimismo inicial nos mercados globais, impulsionado pelo anúncio de um cessar-fogo de 14 dias entre Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio, começa a ser revertido. Inicialmente, o acordo, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e confirmado pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, levou à reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o escoamento de 20% do petróleo global. Essa notícia provocou uma queda imediata nos preços do petróleo bruto e impulsionou as bolsas europeias, que registraram altas próximas a 5%, com o DAX alemão subindo 5,46% e o Euro Stoxx 50 em 4,97%. No Brasil, o Ibovespa superou os 193 mil pontos e o dólar comercial operou em queda, refletindo esse otimismo inicial. Antes dos ataques, o barril de Brent variava entre US$ 71,5 e US$ 72,5, e teve alta de 63,29% em março, caindo para US$ 91,7 após o anúncio da trégua.
No entanto, a fragilidade da trégua já causa impacto no preço do petróleo e na cotação do dólar. O barril do WTI avançou 5% para US$ 99,13, enquanto o Brent subiu 3,82% para US$ 98,57, após uma breve queda. Essa alta é reflexo das crescentes tensões na região e da reintrodução de restrições no Estreito de Ormuz. Novos ataques, incluindo bombardeios de Israel no Líbano e ataques com mísseis em países do Golfo, intensificam a preocupação dos investidores com a oferta global de petróleo. O petróleo voltou a subir 0,45%, cotado a US$ 108,82, e o DXY também avançou 0,45%. A preocupação com o conflito e o ultimato de Donald Trump ao Irã, ameaçando atacar instalações de energia caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto, impulsionaram a busca por segurança no dólar, que fechou em alta de 0,16%, a R$ 5,155, e posteriormente a R$ 5,159.
Apesar do cessar-fogo, o Estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo e gás, permanece com tráfego marítimo abaixo do normal. O Irã exige coordenação com suas forças armadas e impõe "limitações técnicas" para a passagem, com algumas embarcações realizando pagamentos de "pedágio". Contudo, há sinais de uma retomada parcial: cinco embarcações, incluindo três petroleiros de Omã, um porta-contêineres francês e um navio-tanque de gás natural japonês, cruzaram o Estreito desde 29 de março. O Irã, que inicialmente fechou o Estreito após ataques aéreos dos EUA e Israel em 28 de fevereiro de 2026, agora permite a passagem de navios sem vínculos com esses países, embora o ministro iraniano Seyed Abbas Araqchi tenha autorizado inicialmente apenas China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão a usar o estreito. A Mitsui O.S.K. Lines confirmou que seu navio Sohar LNG foi o primeiro transportador de GNL ligado ao Japão a cruzar o Estreito desde o início do conflito, indicando uma flexibilização que pode aliviar a situação de cerca de 45 navios japoneses que permaneciam encalhados na região. O presidente francês Emmanuel Macron defendeu esforços diplomáticos para a passagem pelo canal.
Em meio a essa instabilidade, o Irã e Omã estão trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a ser aplicado após o fim da guerra com EUA e Israel. No entanto, a reabertura não incluirá navios ligados aos EUA e Israel, que permanecerão bloqueados a longo prazo. Cerca de 40 países, liderados pelo Reino Unido, exigem a reabertura imediata do estreito, considerando sanções econômicas, e o Conselho de Cooperação do Golfo solicitou à ONU autorização para o uso da força para liberar a via marítima. A Rússia, aliada do Irã, afirma que o Estreito de Ormuz está aberto para suas embarcações, enquanto o presidente Donald Trump afirmou que a segurança da via marítima não é responsabilidade americana e criticou aliados europeus. O bloqueio do estreito, por onde passa 20% das exportações mundiais de petróleo, tem causado impactos globais nos preços de combustíveis e fertilizantes. Reportagens do Axios indicam que as negociações entre EUA e Irã mostraram sinais de avanço, com uma contraproposta iraniana considerada melhor que o esperado. O Irã apresentou um plano de 10 pontos, incluindo o fim das hostilidades, sanções econômicas, auxílio para reconstrução e um protocolo de segurança marítima. Apesar dessa movimentação diplomática, as chances de um acordo antes do prazo final de Trump são consideradas baixas, e o tráfego no Estreito de Ormuz ainda está longe da normalidade, com a Citrini Research apontando para uma tensão maior do que a percebida pelo mercado.
As bolsas asiáticas, como China e Hong Kong, já fecharam em queda, refletindo a cautela do mercado diante da instabilidade. As bolsas europeias também fecharam majoritariamente em queda, com os principais índices de Londres, Frankfurt, Paris, Milão, Madri e Lisboa registrando perdas, impulsionadas pela cautela dos investidores diante do prazo imposto pelos EUA ao Irã e do risco de escalada no Oriente Médio. Analistas do MUFG apontam a fragilidade do cessar-fogo e a expectativa por dados da economia chinesa como fatores cruciais para avaliar a demanda global. O Ibovespa, após a euforia inicial, registrou uma leve alta de 0,05%, alcançando 188.258,91 pontos, e posteriormente 188.052,02 pontos, enquanto os índices Dow Jones e Nasdaq tiveram pequenas variações e o S&P 500 fechou em leve alta.
20 abr, 16:05
19 abr, 10:04
16 abr, 18:06
8 abr, 12:02
2 mar, 06:00
Carregando comentários...