Estados Unidos e Irã confirmaram a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial, um ponto estratégico crucial para o transporte marítimo global de petróleo e gás. A decisão surge em um momento de cessar-fogo no Líbano, que teve início em 16 de abril, permitindo o retorno de mais de 1 milhão de deslocados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, detalhou que a passagem de navios comerciais ocorrerá por uma rota coordenada, e a abertura será mantida até 21 de abril, data final da trégua na guerra entre Irã e Estados Unidos. O estreito é responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial, e a notícia gerou otimismo entre investidores, com a expectativa de que volumes significativos de energia voltem a circular pela região.
Com o anúncio da reabertura completa do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo Brent registraram uma queda de 10%, diminuindo o prêmio de risco geopolítico e impulsionando os mercados de ações globais. Essa diminuição no preço do petróleo pode ter efeitos significativos na economia do Brasil. As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas pela reabertura do Estreito de Ormuz e esperanças de uma trégua mais ampla no Oriente Médio. Os principais índices de Wall Street também reagiram positivamente à notícia, com o Dow Jones e o S&P 500 saltando para novos recordes. O índice de volatilidade VIX, conhecido como o "medidor do medo" de Wall Street, caiu, incentivando os investidores a comprar ativos de risco. Ações de companhias aéreas, como American Airlines e United Airlines, registraram ganhos significativos, enquanto o setor de energia foi afetado pela queda nos preços do petróleo, com ações de petrolíferas como TotalEnergies, BP e Shell em baixa. A reabertura pode ajudar a aliviar a pressão inflacionária e as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve, embora Christine Lagarde (BCE) e Huw Pill (BoE) alertem para a pressão inflacionária de curto prazo devido ao choque energético.
No entanto, a reabertura é acompanhada por uma nova tensão. A mídia estatal iraniana FARS classificou o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz como "incompleto", afirmando que a passagem será fechada se o bloqueio naval dos EUA persistir. O Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz novamente caso os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, mantenham o bloqueio naval contra seus portos. Trump declarou que o bloqueio militar dos EUA continuará até que as negociações com o Irã estejam "100% concluídas", apesar de reconhecer que o Estreito de Ormuz está "completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego". A agência iraniana Fars classificou a decisão de Trump como "chantagem". Trump também afirmou que o Irã concordou em não fechar mais o estreito e interromper o enriquecimento de urânio.
Donald Trump declarou que os EUA proibiram Israel de bombardear o Líbano, após ataques israelenses que visavam o grupo Hezbollah, financiado pelo Irã. Trump afirmou que os EUA atuarão diretamente com o governo libanês para lidar com o Hezbollah e mencionou um acordo sobre operações militares americanas, sem compensação financeira, envolvendo bombardeiros B-2. O presidente dos EUA rejeitou o apoio da OTAN, classificando a aliança como "inútil quando necessária", e agradeceu à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar pelo apoio recente. Trump também agradeceu ao Irã pela reabertura do Estreito de Ormuz, destacando que esta era uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações. Irã e Hezbollah atribuem o cessar-fogo no Líbano à união e capacidade de combate do Eixo da Resistência.
Analistas preveem uma normalização gradual, com efeitos distintos entre o mercado financeiro e o físico. Especialistas da Stonex destacam que os preços em bolsa podem ter uma correção mais acentuada, enquanto o mercado físico tende a permanecer sustentado devido a restrições de oferta na Ásia e Europa. Analistas do UBS e SEB Research alertam que a normalização completa do fluxo e a recomposição de estoques levarão tempo. Apesar da reabertura, o bloqueio naval dos EUA contra portos iranianos persiste, mas petroleiros iranianos conseguiram deixar o Golfo Pérsico. Navios comerciais devem seguir rotas específicas e ter permissão da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana para passar pelo Estreito. Trump afirmou que o Irã, com ajuda dos EUA, removeu minas marítimas, embora o governo iraniano admita não saber a localização de todas elas. A capacidade de ambos os lados de infligir dor econômica levou à aparente desescalada do conflito.
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