Estados Unidos e Irã confirmaram a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial, um ponto estratégico crucial para o transporte marítimo global de petróleo e gás. A decisão surge em um momento de cessar-fogo no Líbano, que teve início em 16 de abril, permitindo o retorno de mais de 1 milhão de deslocados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, detalhou que a passagem de navios comerciais ocorrerá por uma rota coordenada, e a abertura será mantida até 21 de abril, data final da trégua na guerra entre Irã e Estados Unidos. O estreito é responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo mundial, e a notícia gerou otimismo entre investidores, com a expectativa de que volumes significativos de energia voltem a circular pela região. Com o anúncio da reabertura completa do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo Brent registraram uma queda de 10%, diminuindo o prêmio de risco geopolítico.
No entanto, a reabertura é acompanhada por uma nova tensão. O Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz novamente caso os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, mantenham o bloqueio naval contra seus portos. Trump declarou que o bloqueio militar dos EUA continuará até que as negociações com o Irã estejam "100% concluídas", apesar de reconhecer que o Estreito de Ormuz está "completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego". A agência iraniana Fars classificou a decisão de Trump como "chantagem". A reabertura do Estreito de Ormuz era uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações de paz mediadas pelo Paquistão. Líderes da França e do Reino Unido se reuniram com outros países para debater a reabertura do estreito, sem a presença dos EUA.
Donald Trump declarou que os EUA proibiram Israel de bombardear o Líbano, após ataques israelenses que visavam o grupo Hezbollah, financiado pelo Irã. Trump afirmou que os EUA atuarão diretamente com o governo libanês para lidar com o Hezbollah e mencionou um acordo sobre operações militares americanas, sem compensação financeira, envolvendo bombardeiros B-2. O presidente dos EUA rejeitou o apoio da OTAN, classificando a aliança como "inútil quando necessária", e agradeceu à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar pelo apoio recente. Trump também agradeceu ao Irã pela reabertura do Estreito de Ormuz, destacando que esta era uma das principais reivindicações dos EUA nas negociações. Irã e Hezbollah atribuem o cessar-fogo no Líbano à união e capacidade de combate do Eixo da Resistência, grupo que se opõe a Israel e aos EUA. O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, reforçou que o cessar-fogo é resultado da resistência do Hezbollah, que afirmou ter realizado 2.184 operações militares contra o exército israelense em 45 dias de conflito. O governo de Benjamin Netanyahu foi pego de surpresa pelo cessar-fogo, que teria sido aceito a pedido de Trump, gerando críticas da oposição israelense.
Analistas preveem uma normalização gradual, com efeitos distintos entre o mercado financeiro e o físico. Especialistas da Stonex destacam que os preços em bolsa podem ter uma correção mais acentuada, enquanto o mercado físico tende a permanecer sustentado devido a restrições de oferta na Ásia e Europa. Analistas do UBS e SEB Research alertam que a normalização completa do fluxo e a recomposição de estoques levarão tempo. Apesar da reabertura, o bloqueio naval dos EUA contra portos iranianos persiste, mas petroleiros iranianos conseguiram deixar o Golfo Pérsico. Navios comerciais devem seguir rotas específicas e ter permissão da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana para passar pelo Estreito. Trump afirmou que o Irã, com ajuda dos EUA, removeu minas marítimas.
InfoMoney • 17 abr, 12:34
G1 Mundo • 17 abr, 12:06
NYTimes World • 17 abr, 11:37
16 abr, 18:06
15 abr, 08:01
10 abr, 08:02
9 abr, 08:01
7 abr, 22:01