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Reabertura do Estreito de Ormuz deve levar semanas para normalizar fluxo

O fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz retoma gradualmente após acordo entre EUA e Irã, pressionando os preços da commodity para baixo com a redução dos prêmios de risco geopolítico.

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Foto: NYTimes World
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18/06 às 08:15 · atualizado 19:31

Pontos principais

  • Donald Trump e Masoud Pezeshkian firmaram acordo de 14 pontos para reabrir o Estreito de Ormuz por 60 dias sem pedágios.
  • O Irã estabeleceu novas diretrizes de rotas e horários para navios comerciais, sob supervisão da Administração da Hidrovia do Golfo Pérsico.
  • O vice-presidente JD Vance confirmou a saída de 12 milhões de barris e viajará a Genebra para a assinatura formal do pacto.
  • Cerca de 118 petroleiros aguardam liberação, com previsão de normalização das exportações até o final do próximo mês.
  • O Kuwait iniciou o aumento de sua produção de petróleo, buscando superar a marca de 2 milhões de barris por dia.
  • Medidas de desminagem continuam sendo realizadas na região para garantir a segurança da navegação marítima.
  • Analistas do Bank of America alertam que obstáculos logísticos podem manter o mercado global em déficit até o final de 2026.
  • A Ucrânia realizou um novo ataque com drones contra uma refinaria de petróleo em Moscou, adicionando pressão geopolítica ao setor.
  • O mercado de petróleo registra queda semanal significativa com a redução dos prêmios de risco que inflaram os preços nas semanas anteriores.

A reabertura do Estreito de Ormuz, viabilizada por um acordo de 14 pontos entre o presidente Donald Trump e o governo iraniano, registrou avanços práticos com a movimentação de mais de 12 milhões de barris de petróleo. Como parte do esforço para viabilizar o tráfego, o Irã anunciou novas diretrizes operacionais, exigindo que navios comerciais sigam rotas e horários determinados pela Administração da Hidrovia do Golfo Pérsico (PGSA). Em contrapartida, o governo iraniano confirmou a isenção de taxas de travessia pelos próximos 60 dias, enquanto operações de desminagem prosseguem para assegurar a navegabilidade da via após a suspensão do bloqueio naval norte-americano.

O vice-presidente JD Vance, que confirmou a intenção de viajar a Genebra para a assinatura formal do pacto, destacou que a desobstrução da rota é um passo essencial para a segurança energética global. Paralelamente, o Irã estabeleceu um entendimento com Omã para a gestão compartilhada da passagem, um movimento que visa estabilizar o tráfego marítimo após meses de tensões. No mercado financeiro, a percepção de uma normalização gradual do fluxo tem pressionado os preços do petróleo para baixo, à medida que os investidores reduzem os prêmios de risco geopolítico que inflaram a commodity nas semanas anteriores.

Enquanto a normalização segue um ritmo gradual — com cerca de 118 petroleiros ainda aguardando inspeções —, o Kuwait iniciou o aumento de sua produção para superar 2 milhões de barris por dia, tentando compensar as lacunas de oferta. Contudo, analistas do Bank of America alertam que os gargalos logísticos e a complexidade das sanções podem manter o mercado em déficit até o quarto trimestre de 2026. Especialistas do setor advertem que a reposição das reservas estratégicas globais será um processo demorado, enfrentando desafios operacionais significativos após o longo período de instabilidade.

Apesar dos esforços diplomáticos no Golfo Pérsico, o cenário global de energia permanece sob pressão devido a outros conflitos. A Ucrânia realizou um novo ataque com drones contra uma refinaria de petróleo em Moscou, evidenciando que a volatilidade no setor não depende exclusivamente da situação no Estreito de Ormuz. Teerã mantém exigências diplomáticas rígidas, incluindo a suspensão total de sanções, enquanto empresas de transporte marítimo permanecem cautelosas sobre a sustentabilidade do acordo de 60 dias diante do histórico de instabilidade regional.

Fontes primárias

Kpler

After the deal: Transits could near 50% of pre-war levels in 30 days

Análise da Kpler (16/06/2026) sobre a reabertura do Estreito de Ormuz prevista para 19/06 sob o acordo EUA-Irã. Cenário-base ('slow return'): o estreito não reabre para fluxo normal, mas sobre um acúmulo represado — primeiro saem os ~118 petroleiros carregados presos no Golfo (MR ou maiores), que devem ser escoados em 10-15 dias, gerando o maior pico inicial de trânsitos, mas isso é um evento único, não recuperação sustentada. As travessias subiriam de forma escalonada de 15/dia para ~40/dia ao fim do primeiro mês (vs. 90-100 pré-guerra para cargueiros de commodities), com petroleiros sendo ~60% disso; a reentrada de navios no Golfo chegaria a ~12 petroleiros/dia em 30 dias, ainda ~50% abaixo do nível pré-guerra. A Kpler classifica a recuperação como 'stop-start' (com platôs e reversões), não linear, por causa de termos não resolvidos do acordo: se o estreito foi minado (limpeza pode levar semanas ou mais), se o Irã mantém controle de fato, como os pedágios serão cobrados (risco de sanções se forem para a IRGC), e a defasagem do seguro, que se ajusta por histórico e não por anúncio. O cenário de 'fast return' (retorno imediato ao máximo) é considerado improvável.

EUA / Irã (texto íntegro lido por autoridade dos EUA; reproduzido pela CBS News)

Islamabad Memorandum of Understanding (EUA–Irã) — Ponto 5, reabertura do Estreito de Ormuz

Memorando de Entendimento de 14 pontos entre EUA e Irã (assinado pelos dois presidentes, lido na íntegra por autoridade dos EUA em 17/06/2026). Ponto 5: ao assinar o MoU, o Irã fará arranjos, usando seus melhores esforços, para a passagem segura de embarcações comerciais sem cobrança por 60 dias, do Golfo Pérsico ao Mar de Omã e vice-versa; o tráfego comercial deve começar imediatamente e, considerando a necessidade de remover obstáculos técnicos e militares e a desminagem pelo Irã, será instaurado em até 30 dias. O Irã conduzirá diálogo com o Sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no estreito, em conversa com outros Estados costeiros do Golfo. Ponto 4: os EUA começam a remover o bloqueio naval imediatamente após a assinatura, encerrando-o totalmente em 30 dias. O acordo estabelece ainda cessação imediata das operações militares (ponto 1) e prazo de 60 dias, prorrogável, para um acordo final (ponto 3).

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