Acordo entre EUA e Irã reabre o Estreito de Ormuz, reduzindo o preço do petróleo, enquanto Teerã negocia gestão compartilhada com Omã e exige fim de sanções.
A reabertura do Estreito de Ormuz, viabilizada por um acordo de 14 pontos entre o presidente Donald Trump e o governo iraniano, marca um passo decisivo para reduzir a tensão no mercado global de energia. O impacto nos mercados foi imediato, com o petróleo Brent recuando 3,1% e operando abaixo de US$ 80, o menor patamar desde março. Paralelamente, o Irã anunciou um acordo com Omã para a gestão compartilhada da rota marítima, reforçando a complexidade das negociações em curso. Embora a suspensão de pedágios tenha sido celebrada, a implementação enfrenta ceticismo político interno e desafios logísticos, com o Irã descrevendo o pacto como um fracasso dos EUA e aliados republicanos criticando as concessões feitas.
Logisticamente, a normalização será gradual, com cerca de 118 petroleiros aguardando inspeções de segurança. Além da logística, o Irã reiterou exigências diplomáticas, incluindo a suspensão total das sanções ao seu setor de petróleo e a recusa em enviar material nuclear enriquecido para o exterior. Teerã também acusou Israel de tentar sabotar os avanços diplomáticos e prometeu reciprocidade caso os Estados Unidos atrasem a implementação dos compromissos. Analistas do Goldman Sachs preveem que as exportações do Golfo Pérsico devem se normalizar até o final do próximo mês, embora a incerteza sobre a estabilidade da rota e as exigências iranianas mantenham o mercado em alerta, com especialistas mantendo cautela sobre a sustentabilidade do pacto a longo prazo.
Análise da Kpler (16/06/2026) sobre a reabertura do Estreito de Ormuz prevista para 19/06 sob o acordo EUA-Irã. Cenário-base ('slow return'): o estreito não reabre para fluxo normal, mas sobre um acúmulo represado — primeiro saem os ~118 petroleiros carregados presos no Golfo (MR ou maiores), que devem ser escoados em 10-15 dias, gerando o maior pico inicial de trânsitos, mas isso é um evento único, não recuperação sustentada. As travessias subiriam de forma escalonada de 15/dia para ~40/dia ao fim do primeiro mês (vs. 90-100 pré-guerra para cargueiros de commodities), com petroleiros sendo ~60% disso; a reentrada de navios no Golfo chegaria a ~12 petroleiros/dia em 30 dias, ainda ~50% abaixo do nível pré-guerra. A Kpler classifica a recuperação como 'stop-start' (com platôs e reversões), não linear, por causa de termos não resolvidos do acordo: se o estreito foi minado (limpeza pode levar semanas ou mais), se o Irã mantém controle de fato, como os pedágios serão cobrados (risco de sanções se forem para a IRGC), e a defasagem do seguro, que se ajusta por histórico e não por anúncio. O cenário de 'fast return' (retorno imediato ao máximo) é considerado improvável.
Memorando de Entendimento de 14 pontos entre EUA e Irã (assinado pelos dois presidentes, lido na íntegra por autoridade dos EUA em 17/06/2026). Ponto 5: ao assinar o MoU, o Irã fará arranjos, usando seus melhores esforços, para a passagem segura de embarcações comerciais sem cobrança por 60 dias, do Golfo Pérsico ao Mar de Omã e vice-versa; o tráfego comercial deve começar imediatamente e, considerando a necessidade de remover obstáculos técnicos e militares e a desminagem pelo Irã, será instaurado em até 30 dias. O Irã conduzirá diálogo com o Sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no estreito, em conversa com outros Estados costeiros do Golfo. Ponto 4: os EUA começam a remover o bloqueio naval imediatamente após a assinatura, encerrando-o totalmente em 30 dias. O acordo estabelece ainda cessação imediata das operações militares (ponto 1) e prazo de 60 dias, prorrogável, para um acordo final (ponto 3).
NYTimes World • 18 jun, 09:29
InfoMoney • 18 jun, 08:33
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