Visão geral
O conflito Israel-Palestina é uma disputa geopolítica complexa e de longa data, caracterizada por tensões históricas, territoriais e religiosas entre israelenses e palestinos. O cerne do conflito envolve questões como o controle de terras, o status de Jerusalém, assentamentos israelenses, fronteiras, segurança e o direito de retorno dos refugiados palestinos. Recentemente, o conflito tem gerado mobilização internacional, incluindo protestos e ativismo em diversas partes do mundo. Em julho de 2026, ativistas e especialistas intensificaram pressões sobre a União Europeia para que o bloco aplique restrições comerciais contra assentamentos em territórios ocupados, argumentando que a UE deve alinhar suas relações comerciais com suas próprias normas internacionais e de direitos humanos. Planos de paz, como o proposto pelo presidente dos EUA Donald Trump, buscam soluções para a desmilitarização e a governança de Gaza, incluindo a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução da região após um cessar-fogo. Um "Conselho de Paz" para Gaza foi anunciado como parte da segunda fase deste plano, com convites estendidos a líderes mundiais. Donald Trump também apresentou um plano detalhado para uma "Nova Gaza", que prevê a reconstrução do território com arranha-céus, novas zonas residenciais, agrícolas e industriais, além de infraestrutura como um novo porto e aeroporto. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro, incidentes violentos e acusações de violação do acordo continuam a ocorrer, resultando em mais mortes e dificultando as negociações. Em 31 de janeiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos intensos em Gaza, matando 27 pessoas, incluindo três crianças, e atingindo uma delegacia de polícia, casas e tendas, um dia antes da reabertura da passagem de Rafah. Um desenvolvimento significativo ocorreu em janeiro de 2026, quando Israel anunciou que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo. Em 8 de fevereiro de 2026, o gabinete de segurança de Israel aprovou medidas que flexibilizam a compra de terras por colonos na Cisjordânia ocupada e aumentam a fiscalização israelense sobre os palestinos, o que foi classificado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas como uma "anexação de facto". Em 15 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 11 palestinos em Gaza, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis, em resposta a supostas violações do cessar-fogo pelo Hamas, que por sua vez acusou Israel de um novo "massacre". A tensão regional se estendeu ao Líbano, onde em 21 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses no leste do país mataram oito integrantes do Hezbollah, incluindo comandantes locais, e feriram 24 pessoas, em uma ação que Israel justificou como a eliminação de membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques contra Israel. O Ministério da Saúde do Líbano reportou 10 mortos, sem distinguir entre combatentes e civis, e 24 feridos, incluindo três crianças. Este incidente ocorre em um contexto de intensificação do conflito entre Israel e Hezbollah desde setembro de 2024, apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA, e em meio a tensões crescentes entre os EUA e o Irã, principal apoiador do Hezbollah e do Hamas. Em 13 de julho de 2026, a Jordânia interceptou quatro mísseis lançados pelo Irã que sobrevoavam seu território, em um episódio que reflete a escalada das tensões regionais envolvendo o Irã e seus vizinhos. Em setembro de 2026, a Cisjordânia passou ao centro da crise diplomática: diante do avanço dos assentamentos e do aumento da violência de colonos, o Reino Unido preparou a proibição do comércio com as colônias israelenses, medida que provocou ameaças de retaliação de Israel e dos Estados Unidos.
Contexto e histórico
As raízes do conflito remontam ao final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do sionismo e do nacionalismo árabe. A criação do Estado de Israel em 1948, após o fim do Mandato Britânico da Palestina, resultou na primeira guerra árabe-israelense e na Nakba (catástrofe) para os palestinos, que viram a expulsão e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Desde então, a região tem sido palco de diversas guerras, intifadas (levantes palestinos) e um processo de paz intermitente e frequentemente frustrado. A ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas em outubro de 2023 que matou 1.200 pessoas, resultou na destruição de grande parte de Gaza e na morte de 72 mil pessoas no território palestino, segundo autoridades de saúde locais. Um cessar-fogo foi estabelecido em outubro, mas as tensões permanecem altas, com acusações mútuas de violação do acordo e mortes contínuas. Em 31 de janeiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos que mataram 27 pessoas em Gaza, alegando ter como alvo comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah. O Hamas, por sua vez, acusou Israel de violar o cessar-fogo. A questão dos reféns tem sido um ponto central nas negociações, e a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em janeiro de 2026 marcou um momento importante no desenrolar do conflito. A reconstrução de Gaza é um ponto crucial, com propostas como a "Nova Gaza" de Donald Trump, que visa transformar o território devastado em um centro moderno com novas infraestruturas e oportunidades econômicas. Em 8 de fevereiro de 2026, Israel aprovou medidas que facilitam a compra de terras por colonos na Cisjordânia e expandem a supervisão israelense em áreas sob administração palestina, o que o presidente palestino Mahmoud Abbas considerou uma "anexação de facto". Essas medidas foram anunciadas antes de uma reunião entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA Donald Trump, e refletem a postura de Netanyahu, que considera a criação de um Estado palestino uma ameaça à segurança, e a influência de membros pró-colonos em sua coalizão governista. Em 15 de fevereiro de 2026, Israel lançou ataques aéreos em Gaza, matando pelo menos 11 palestinos, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis, alegando resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, que acusou Israel de "massacre". Além disso, a região tem testemunhado uma escalada de confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano. O conflito entre os dois se intensificou em setembro de 2024, após meses de trocas de disparos iniciadas em apoio ao Hamas. Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos dois meses depois, Israel acusa o Hezbollah de tentar se reconstruir e realiza ataques frequentes contra suas instalações. Em 21 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos no leste do Líbano, perto da aldeia de Rayak e na área de Baalbek, que resultaram na morte de oito integrantes do Hezbollah, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. Israel afirmou ter "eliminado" membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques. O Ministério da Saúde do Líbano reportou 10 mortos e 24 feridos, incluindo três crianças. Estes ataques ocorrem em um momento de alta tensão regional, com os Estados Unidos sinalizando a possibilidade de atacar o Irã, que é o principal apoiador tanto do Hezbollah quanto do Hamas.
Quando começou a guerra entre Israel e Hamas
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou a ofensiva que chamou de "Operação Dilúvio Al-Aqsa" contra o sul de Israel. Por volta das 6h30 no horário local, pelo menos 2.200 projéteis foram disparados a partir da Faixa de Gaza, enquanto comandos do grupo cruzavam a fronteira em ataques coordenados. O ataque matou 1.195 pessoas, entre israelenses e estrangeiros, e resultou em 251 sequestrados levados para Gaza. No mesmo dia, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o país "está em guerra", e Israel iniciou a ofensiva aérea e terrestre sobre a Faixa de Gaza. Em 7 de outubro de 2026, a guerra completa três anos.
Por que a guerra começou
Do lado do Hamas, os motivos declarados no dia do ataque foram a resposta ao que o grupo chamou de "crimes da ocupação" e a defesa da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. O comandante militar Mohammad Deif conclamou "muçulmanos de todo o mundo" a lançarem um ataque, e o dirigente Saleh al-Arouri apresentou a ação como reação à ocupação israelense. O pano de fundo é o conflito histórico descrito acima: o controle de terras, o status de Jerusalém, os assentamentos na Cisjordânia e o impasse do processo de paz. Do lado israelense, os objetivos declarados da campanha militar foram destruir o Hamas e libertar os reféns — metas que seguem moldando as negociações de 2026, nas quais Israel condiciona sua retirada de Gaza ao desarmamento completo do grupo.
Os alertas prévios ao 7 de outubro
Às vésperas do terceiro aniversário do ataque e da eleição israelense de 27 de outubro de 2026, reportagens sobre avisos recebidos antes de 7 de outubro de 2023 reabriram a disputa sobre quem responde pela falha. Em setembro de 2026, o jornal israelense Haaretz publicou que o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, teria advertido Netanyahu diretamente, cerca de dez dias antes do ataque, de que Yahya Sinwar preparava uma grande operação contra Israel, e que os chefes dos serviços de segurança não foram informados da conversa. O gabinete do primeiro-ministro chamou as afirmações de "puras mentiras".
Em 25 de setembro de 2026, a revista americana The Atlantic informou que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, viajou secretamente a Israel em 26 de setembro de 2023, 11 dias antes do ataque, e repassou a autoridades israelenses a avaliação de que o Hamas parecia se preparar para uma operação de grande escala. Segundo a revista, um avião ligado à inteligência egípcia ficou 67 minutos no aeroporto Ben Gurion, e o aviso não incluía data, alvo nem detalhes do ataque. Não está claro com quem Kamel se reuniu. Segundo a Associated Press, Netanyahu viajou secretamente aos Emirados em 27 de setembro de 2026 para pedir a Mohamed bin Zayed que negasse ter feito o alerta.
Em 28 de setembro de 2026, Netanyahu declarou que não se encontrou nem falou com Kamel nos meses anteriores ao ataque e que nenhum órgão de inteligência israelense lhe transmitiu aviso egípcio, e mandou abrir processo por difamação. Na mesma nota, atribuiu a falha ao então chefe do Shin Bet, Ronen Bar, a quem acusou de, na noite de 6 para 7 de outubro, discutir os sinais de alerta com o chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi, e o chefe da inteligência militar, Aharon Haliva, sem avisar o primeiro-ministro nem as equipes de prontidão e sem mandar evacuar o festival Nova. Netanyahu acusou ainda países estrangeiros, entre eles Estados árabes, de estarem por trás das reportagens para derrubar seu governo, e resumiu a eleição como uma escolha entre "a direita ou a Palestina".
Quantas pessoas morreram
Os balanços variam conforme a fonte e o período considerado:
- Palestinos: 74.016 mortos e 175.068 feridos em Gaza desde outubro de 2023, segundo balanço do Ministério da Saúde do território divulgado em 27 de setembro de 2026, que marcou a passagem da cifra de 74 mil; mulheres e crianças somam cerca de metade dos mortos, e o ministério não distingue civis de combatentes (o balanço de 9 de agosto de 2026 registrava 73.386 mortos e 174.250 feridos). Os números do ministério são considerados confiáveis pela ONU. Estudos publicados na revista The Lancet argumentam que o total real é significativamente maior quando se contabilizam as mortes indiretas — fome, doença e colapso do sistema de saúde.
- Israelenses: 1.195 pessoas foram mortas e 251 sequestradas no ataque de 7 de outubro de 2023. Somando o ataque inicial e os anos de combate, os balanços consolidados apontam mais de 2 mil israelenses mortos, a maioria integrantes das forças de segurança.
- Desde o cessar-fogo de outubro de 2025: pelo menos 1.258 palestinos mortos e 4.139 feridos em Gaza até 9 de agosto de 2026, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que informa ainda a retirada de mais de 800 corpos dos escombros no período. No mesmo intervalo, o Exército israelense informou a perda de cinco soldados e um funcionário civil. Em 29 de setembro de 2026, autoridades de saúde de Gaza citadas pela Reuters elevaram o total de mortos desde o cessar-fogo para pelo menos 1.400; as autoridades palestinas estimam ainda que mais de 8 mil corpos continuem sob os escombros.
As restrições impostas à imprensa e o acesso limitado à Faixa de Gaza impedem a verificação independente dos balanços — ressalva feita explicitamente pela agência AFP em suas coberturas.
A guerra acabou? O estado do cessar-fogo
Não. Houve três cessar-fogos desde 2023, e o terceiro segue formalmente em vigor sem que os combates tenham parado:
- Novembro de 2023: pausa temporária de quatro dias, acordada em 22 de novembro, com troca de reféns por prisioneiros palestinos.
- Janeiro de 2025: acordo anunciado em 15 de janeiro e em vigor a partir de 19 de janeiro, estruturado em fases. Foi rompido por uma ofensiva israelense surpresa em março de 2025.
- Outubro de 2025: o primeiro cessar-fogo mútuo, em vigor desde 10 de outubro, correspondente à fase um do plano de 20 pontos apoiado pelos Estados Unidos. Essa primeira fase terminou em janeiro de 2026 com a libertação dos últimos reféns israelenses em troca de presos palestinos.
Na prática, Israel mantém ataques quase diários em Gaza e controla mais de 60% do território, onde milhares de pessoas vivem em barracas. Em 30 de julho de 2026, Donald Trump anunciou um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas; no dia seguinte, o grupo confirmou ter aceitado um roteiro de 15 pontos, mas condicionou a entrega das armas ao cumprimento por Israel da primeira fase — fim dos ataques, recuo das tropas às posições de outubro e ampliação da ajuda humanitária. O gabinete de Netanyahu respondeu que o acordo "não inclui uma resposta suficiente" às exigências israelenses de desmilitarização, e os bombardeios continuaram nos dias seguintes ao anúncio.
Em 4 de agosto de 2026, Netanyahu tornou pública a recusa: em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que Israel "não concordou" com o texto e que ele "não era o nosso rascunho", acrescentando que as tropas não sairão "das nossas linhas atuais" enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado. É uma inversão da sequência prevista no roteiro, que prevê recuos israelenses escalonados à medida que o grupo entrega o armamento. O impasse, portanto, é de ordem: o Hamas condiciona o desarmamento ao recuo, e Israel condiciona o recuo ao desarmamento.
A recusa virou posição formal em 9 de agosto de 2026, quando Netanyahu declarou em reunião de gabinete: "Israel rejeita o documento de 15 pontos." Foi a primeira manifestação direta do premiê sobre o plano depois de mais de uma semana de silêncio oficial israelense. Ele acrescentou que o Exército "não realizará nenhuma retirada até que o Hamas esteja genuinamente desarmado" — o que, segundo ele, inclui "armamento pesado, armamento leve, todo o armamento" — e que Israel discute o assunto com os americanos, cujas ideias "algumas são aceitáveis para nós e outras não". Na mesma reunião afirmou que "enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino surgirá". O Hamas respondeu, em nota no Telegram, que segue comprometido com a implementação integral do plano e pediu que mediadores e países garantidores impeçam violações do acordo. Não houve resposta imediata da Casa Branca.
O rompimento público, porém, não interrompeu a execução do plano. Segundo apuração da BBC de 10 de agosto de 2026, a Casa Branca não se incomodou com a declaração e a interpreta como retórica de campanha às vésperas da eleição geral israelense marcada para 27 de outubro — a primeira desde o ataque de 7 de outubro de 2023. Um alto funcionário americano, citado pelo jornalista israelense Barak Ravid, resumiu a leitura: "Entendemos as necessidades políticas de Bibi. Não temos problema com isso desde que ele continue a fazer o que pedimos — especialmente em conter os ataques em Gaza." Nos dias seguintes à declaração houve uma pausa aparente nos ataques israelenses, uma das condições exigidas pelo Hamas para assinar o roteiro, e a construção da primeira base da Força Internacional de Estabilização (ISF), nas ruínas de Rafah, seguia prevista para o fim de agosto, segundo a rádio pública israelense Kan News.
Em 16 de agosto de 2026, a mediação voltou à mesa em nível mais alto: Jared Kushner reuniu-se em Alamein, no Egito, com Khalil al-Hayya, líder do Hamas — um encontro direto raro entre um enviado americano e a cúpula do grupo. Participaram também o chefe da inteligência egípcia, Hassan Rashad, o diplomata catariano Ali Al Thawadi, um alto funcionário turco, o diretor-geral do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O objetivo declarado era salvar o roteiro de 15 pontos, que prevê o fim imediato das operações militares, o desarmamento do Hamas em paralelo à retirada israelense e a reconstrução de Gaza sob uma administração civil palestina. O Hamas afirmou ter cumprido integralmente a primeira fase do acordo e acusou Israel de não implementá-la; um alto funcionário israelense, por sua vez, manifestou preocupação com a exigência americana de encerrar os assassinatos seletivos de integrantes do grupo em Gaza. Kushner e Mladenov ficaram de se reunir com Netanyahu na segunda-feira, 17 de agosto. No mesmo dia 16, os chanceleres de Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Arábia Saudita condenaram em nota conjunta a recusa israelense ao roteiro, classificando-a como um "ataque direto" aos esforços de paz.
A campanha eleitoral israelense passou a pesar sobre as negociações. Em entrevista à emissora catariana Al-Araby em 26 de setembro de 2026, Khalil al-Hayya disse não esperar mudança na política israelense depois da eleição de 27 de outubro: "Seja qual for a pessoa ou o partido que chegue ao poder, nosso povo sofreu nas mãos de todos os partidos israelenses". Afirmou ainda que o Hamas se recusa "absolutamente" a permitir que "o sangue, o sofrimento e a causa do povo palestino" sirvam de combustível para a disputa eleitoral em Israel.
Mapa do conflito: quem controla o quê em Gaza
A geografia da guerra hoje é definida pela Linha Amarela, a demarcação estabelecida em 10 de outubro de 2025 com a entrada em vigor do plano de paz. Ela corta a Faixa de Gaza em duas: pelo desenho original, 47% do território — a metade ocidental — ficaria sob controle palestino, e os 53% restantes, a leste, sob controle militar israelense. A linha tem cerca de 45 km, é marcada no terreno por blocos de concreto pintados de amarelo e, a partir de dezembro de 2025, passou a ser reforçada por barreiras de terra.
Na prática, a linha se moveu. Em janeiro de 2026, a BBC Verify documentou por imagens de satélite que tropas israelenses deslocaram ao menos sete blocos no bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza, entre 27 de novembro e 25 de dezembro de 2025 — cerca de 295 metros para dentro do território. Em maio de 2026, Israel afirmou ter ampliado seu controle para 60% da Faixa, com Benjamin Netanyahu declarando a intenção de chegar a 70%; levantamentos da Reuters no fim de abril de 2026 já apontavam controle efetivo de ao menos 64%. Em 30 de julho de 2026, moradores da Cidade de Gaza, Deir al-Balah, Khan Younis e do norte de Rafah relatavam novos deslocamentos causados pelo avanço da demarcação.
Há ainda uma segunda demarcação. Mapas militares israelenses divulgados no fim de abril de 2026 trazem uma Linha Laranja, que delimita uma zona restrita adicional equivalente a cerca de 11% do território de Gaza além da Linha Amarela. Somadas, as duas faixas isolam perto de dois terços da Faixa.
O efeito é de concentração populacional: mais de dois milhões de pessoas ficam comprimidas em menos da metade do território, e a maior parte das terras agrícolas de Gaza está a leste da Linha Amarela, ou seja, dentro da área sob controle israelense. É esse mapa que está no centro da negociação de 2026 — o roteiro aceito pelo Hamas em 31 de julho condiciona o desarmamento ao recuo das tropas israelenses às posições de outubro, enquanto o governo israelense afirma que não recuará além da Linha Amarela antes da desmilitarização completa do território.
A destruição física acompanha esse mapa. Segundo o Centro de Satélites das Nações Unidas (UNOSAT), citado pelo g1, 82% das estruturas de Gaza sofreram algum tipo de dano na guerra, e dois terços delas foram completamente destruídas. No fim de setembro de 2026, o Google Maps e o Google Earth publicaram as primeiras imagens de satélite em alta definição da Faixa desde a guerra, datadas de 2026, em que bairros inteiros de cidades como Rafah aparecem reduzidos a escombros.
A guerra Israel-Hamas na Bíblia
O conflito é lido por grupos religiosos de vários lados como cumprimento de profecia bíblica. Essa leitura é uma interpretação teológica, não um consenso, e é contestada tanto por acadêmicos quanto por parte dos próprios autores que a popularizaram.
A palavra "hamas" no texto hebraico. O termo hebraico ḥāmās aparece 39 vezes na Bíblia hebraica, com o sentido de violência, crueldade ou injustiça — como em Gênesis 6:11, onde a terra "estava cheia" dessa condição antes do Dilúvio, e em Ezequiel 7:23. A tradução varia entre estudiosos: Rashi associa o termo a roubo, Everett Fox usa "transgressão", Robert Alter escolhe "ultraje", e a maioria das traduções cristãs, assim como a versão de 1917 da Jewish Publication Society, adota "violência". A semelhança com o nome do grupo palestino é fonética, não textual: Hamas é o acrônimo árabe de Harakat al-Muqawama al-Islamiya (Movimento de Resistência Islâmica), fundado em 1987, e em hebraico moderno o nome do grupo se escreve com um alef mudo que não existe no chamas da Torá. O texto bíblico não menciona a organização.
As passagens citadas. As mais invocadas são Ezequiel 38 e 39, que descrevem uma coalizão de nações liderada por Gogue, da terra de Magogue, contra Israel — a chamada guerra de Gogue e Magogue. Também aparecem o Salmo 83, apresentado como retrato das motivações dos inimigos de Israel, e 1 Samuel 15, a ordem dada ao rei Saul contra os amalequitas, evocada por ministros do sionismo religioso israelense.
Quem faz essa leitura. O ex-chanceler israelense Shlomo Ben-Ami identificou três grupos que leem a guerra em chave redentora: o sionismo religioso israelense, com ministros como Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir; evangélicos americanos, em torno de pastores como John Hagee; e o próprio Hamas, que apresenta o confronto total como caminho de redenção. Entre rabinos, Yosef Tzvi Rimon, Eliyahu Amar e Pinchas Winston associaram o ataque de 7 de outubro de 2023 à profecia de Gogue e Magogue, Rimon destacando a coincidência com o período de Sucot. No meio evangélico, o pastor Greg Laurie pregou que a Bíblia prevê uma aliança entre "Gogue" (identificado com a Rússia) e a Pérsia (o Irã), em sermão com 1,5 milhão de visualizações no YouTube, e o autor Joel Rosenberg apontou o Salmo 83 como "janela profética".
As ressalvas. Rosenberg alertou contra "saltar para conclusões sensacionalistas", observando que às vezes os acontecimentos são apenas muito ruins e não têm implicação bíblica específica. David Parsons, da Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém, afirmou não haver dados suficientes para sustentar que Ezequiel esteja se cumprindo. O historiador Daniel Hummel, autor de Covenant Brothers, avalia que a organização de Hagee tem peso político relevante pela capacidade de mobilização local e nacional nos Estados Unidos. Steven Gardiner, do Political Research Associates, argumenta no ensaio End Times Antisemitism (2020) que o sionismo cristão embute a crença de que apenas uma minoria de judeus se converteria no fim dos tempos — razão pela qual esse apoio é visto com reservas por parte da comunidade judaica.
Investigações e responsabilização por mortes de civis
Em 19 de agosto de 2026, o Exército israelense divulgou o primeiro relatório abrangente sobre a conduta de suas tropas em Gaza desde o início da guerra. O Mecanismo de Apuração e Avaliação de Fatos (Fact-Finding and Assessment Mechanism) do Estado-Maior concluiu a análise de 150 incidentes e os encaminhou ao advogado-geral militar, a quem cabe decidir sobre a abertura de investigações criminais. Cinco decisões foram divulgadas naquele dia; as demais seguem pendentes.
Dois casos resultaram em investigação criminal:
- Hind Rajab (janeiro de 2024): o Exército admitiu pela primeira vez ter aberto fogo contra o carro em que a menina palestina de cinco anos tentava deixar a Cidade de Gaza com seis familiares. Ela sobreviveu ao disparo inicial e chegou a falar por telefone com o Crescente Vermelho Palestino; foi encontrada morta 12 dias depois, junto com os dois socorristas enviados para resgatá-la.
- Paramédicos em Rafah (março de 2025): 15 socorristas foram mortos em Tel al-Sultan quando as tropas atiraram contra ambulâncias que atendiam a um chamado. A versão inicial do Exército — de que os veículos avançavam "de forma suspeita" e sem sinalização — foi revista depois que imagens mostraram as luzes de emergência acesas e a identificação do Crescente Vermelho visível.
Em três casos envolvendo trabalhadores humanitários, o advogado-geral militar concluiu que não havia suspeita razoável de conduta criminosa e não abriu investigação: o bombardeio ao comboio da World Central Kitchen em 1º de abril de 2024, que matou sete voluntários; o ataque a um abrigo de Médicos Sem Fronteiras em fevereiro de 2024, com dois mortos; e o ataque a um comboio da mesma organização em novembro de 2023, também com dois mortos.
A decisão sobre a World Central Kitchen abriu uma crise diplomática com a Austrália, país de Zomi Frankcom, uma das voluntárias mortas. O Exército israelense reconheceu falhas graves — identificação equivocada de um suposto integrante do Hamas no comboio e erros de decisão — mas afirmou que a conduta dos comandantes "não levanta suspeita razoável de irregularidade criminal", apontando também que a ONG não informou a presença de seguranças armados e que o comboio se desviou da rota acordada. Em 20 de agosto de 2026, a chanceler australiana Penny Wong convocou o embaixador israelense Hillel Newman e declarou não ter "confiança no processo do advogado-geral militar do IDF, dadas as muitas perguntas sem resposta". Segundo Wong, a remoção de dois oficiais de seus cargos e a repreensão de outros três não constituem responsabilização suficiente pela morte de sete pessoas, e a divulgação do resultado no Dia Mundial Humanitário foi "especialmente insultuosa". A família de Frankcom disse estar "profundamente decepcionada" e pediu ao governo australiano que persiga "todas as vias legais disponíveis" por uma apuração "independente e crível", afirmando que a vítima merecia "mais do que um processo interno e opaco".
Organizações de direitos humanos questionam a eficácia do mecanismo. A Fundação Hind Rajab afirma que as investigações israelenses "terminam de forma esmagadora sem exame significativo, processo ou punição", e que as penas aplicadas costumam ser "excepcionalmente brandas ou de natureza administrativa". O anúncio de agosto também não tratou de outros episódios de grande repercussão que o Exército havia se comprometido a apurar, como o ataque a um hospital no sul de Gaza em agosto de 2025, que matou cinco jornalistas.
Violência de colonos na Cisjordânia
O aumento dos ataques de colonos israelenses a palestinos na Cisjordânia ocupada tornou-se, em 2026, uma frente do conflito distinta da guerra em Gaza. Entre o início de 2025 e o fim de julho de 2026, a ONU registrou 316 palestinos mortos por forças israelenses ou por colonos no território e mais de 5.600 feridos; no mesmo período, 20 israelenses foram mortos, entre eles uma criança e oito integrantes das forças de segurança, e 123 ficaram feridos. Em 2026, a média de feridos palestinos em ataques de colonos ou de soldados subiu para três por dia.
Uma Comissão de Inquérito da ONU publicada em junho de 2026 concluiu que os ataques "instrumentalizaram crianças como parte de uma estratégia coercitiva mais ampla para expulsar palestinos de suas terras" e descreveu "um padrão de colonos visando intencionalmente crianças palestinas" quando brincavam perto de casa, iam à escola, cuidavam de plantações ou pastoreavam animais, "transformando espaços cotidianos em lugares de medo". Israel classificou o relatório como uma "farsa difamatória". Benjamin Netanyahu atribui a violência a uma minoria extremista — em entrevista à televisão, chamou os responsáveis de "150 delinquentes juvenis".
O caso da vila de al-Mughayyir, a nordeste de Ramallah, ilustra o padrão. Seis moradores foram mortos ali em 2026, três deles alunos da escola de meninos da localidade. Em abril, Aws al-Naasan, de 14 anos, foi morto a tiros por um colono diante do portão da escola; no mesmo episódio, Jihad Abu Naem foi morto por um soldado israelense. O Exército israelense afirmou na ocasião que pedras haviam sido atiradas contra um carro que transportava "civis, incluindo um soldado da reserva", e que o reservista desceu do veículo e atirou contra suspeitos; a imprensa israelense noticiou que o reservista foi suspenso e que uma investigação foi aberta. Nos meses seguintes, ainda em 2026, mais dois alunos e um jovem de 19 anos recém-formado na escola foram mortos por forças israelenses durante incursões e ataques de colonos na vila — em ambos os casos o Exército disse ter respondido a instigadores de "um tumulto violento".
Para reabrir a escola no início do ano letivo palestino, em 8 de setembro de 2026, o diretor Bassam al-Assaf cercou o terreno com arame farpado e reforçou os portões. Equipes de ambulância passaram a ficar estacionadas na rua e pais se revezam de vigília do lado de fora durante o dia. Os professores instruem os alunos a não gritar, não se aproximar e não reagir caso soldados ou colonos cheguem perto do prédio. Em julho, Salim Abu Rahma, de nove anos, foi baleado no braço enquanto brincava na fazenda de ovelhas da família nos arredores da vila; o conselho regional de colonos afirmou que um soldado de folga foi preso sob suspeita de envolvimento e disse rejeitar "a tentativa de atribuir a toda a comunidade de colonos na Judeia e Samaria atos ainda não determinados por investigação".
Em paralelo, o Ministério das Finanças de Israel avançou, em setembro de 2026, com planos de assumir o registro de terras na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental — passo descrito pela organização israelense Peace Now, que monitora os assentamentos, como "um passo claro rumo à anexação".
O giro britânico: proibição do comércio com assentamentos
Em 8 de setembro de 2026, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, apresentou à Câmara dos Comuns o que o governo descreve como um "reset abrangente" da política britânica em relação a Israel. O governo passou a adotar a posição oficial de que a ocupação israelense da Cisjordânia é ilegal em sua totalidade, e Miliband afirmou que "terroristas colonos" apoiados pelo governo de Benjamin Netanyahu praticam limpeza étnica no território — a condenação britânica mais dura desde a fundação do Estado de Israel. O pacote tem quatro partes: proibição de importar bens produzidos em assentamentos nos territórios ocupados; nova proibição de licenças de armas e de outras exportações que "contribuam materialmente para a ocupação"; um regime de sanções sobre serviços prestados às colônias, como construção e financiamento, mais a proibição de anunciá-las no Reino Unido; e sanções pessoais contra indivíduos acusados de promover a violência de colonos. Ministros esperam que a legislação necessária esteja em vigor em até nove meses, prazo que pode se alongar caso a medida seja contestada na Justiça. Miliband não classificou como genocídio o que ocorreu em Gaza.
O Reino Unido já retirava dos produtos de assentamentos o tratamento tarifário preferencial desde 2005 e orientava empresas a não fazer negócios nas colônias; a novidade é tornar esses investimentos ilegais. O governo enquadra a medida no parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 2024, que determina que Estados não auxiliem nem assistam a ocupação israelense de territórios palestinos. O comércio total de bens e serviços entre Reino Unido e Israel foi de £6 bilhões em 2025, e ministros reconhecem que barrar um volume relativamente pequeno de produtos agrícolas é em boa parte simbólico — o peso do anúncio está na mudança de postura.
Três fatores empurraram a decisão: a abertura, por Israel, de licitações para a construção de cerca de 1.200 moradias na área E1, a leste de Jerusalém, que Miliband chamou de "o cruzamento de uma linha vermelha" por cortar o coração da Cisjordânia e arriscar inviabilizar um Estado palestino; o aumento da violência de colonos; e o fracasso do Conselho de Paz de Donald Trump, após seis meses, em obter o desarmamento do Hamas e a retirada israelense de Gaza. O primeiro-ministro Andy Burnham confirmou o anúncio à bancada trabalhista na noite de 7 de setembro e, na tarde do mesmo dia, falou por telefone com Trump e com aliados do Golfo, entre eles o Catar; segundo o gabinete britânico, a conversa com o presidente americano "ressaltou a importância da solução de dois Estados". O anúncio ocorre quase um ano depois de o governo de Keir Starmer reconhecer o Estado da Palestina.
A reação foi imediata nos dois países. O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, disse à BBC que Washington responderia "sem sombra de dúvida", com "enorme impacto econômico sobre empresas britânicas", e citou a Flórida, cuja legislação impediria britânicos de fazer negócios com empresas do estado. Em Israel, o chanceler Gideon Saar afirmou que "se a Grã-Bretanha agir contra Israel, Israel agirá contra a Grã-Bretanha"; o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, pediu que o embaixador britânico fosse expulso; e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, propôs que Israel reconhecesse a soberania argentina sobre as Malvinas e sancionasse o Reino Unido. O presidente israelense, Isaac Herzog, classificou a medida como "grave erro de cálculo" que colocaria Londres "do lado errado da história" e como "ingerência grosseira" nas eleições israelenses de outubro.
Israel passou das ameaças às medidas no mesmo dia. Saar ordenou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental, no bairro de Sheikh Jarrah — o posto que trata dos assuntos palestinos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém, enquanto a embaixada e o embaixador britânicos seguem em Tel Aviv — e proibiu a entrada em Israel de doze parlamentares e ativistas britânicos, entre eles o ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn, os deputados trabalhistas Diane Abbott, Naz Shah, John McDonnell e Richard Burgon, a deputada Zarah Sultana, do Your Party, e os deputados verdes Carla Denyer, Siân Berry, Hannah Spencer e Ellie Chowns. Israel também encerrou a participação britânica no treinamento das forças de segurança palestinas na Cisjordânia e expulsou diplomatas e militares britânicos designados para a força-tarefa sobre Gaza liderada pelos Estados Unidos. "Jerusalém unificada é a capital de Israel e está sob sua plena soberania", disse Saar, para quem "o movimento britânico é moralmente distorcido e constitui ingerência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral". O chanceler acusou Miliband de "mentiras ultrajantes".
Dentro do Reino Unido, o ministro do Trabalho e Pensões, Pat McFadden, sustentou que a medida atinge políticas do atual governo israelense e não configura "um boicote a todos os produtos israelenses". A oposição conservadora chamou o anúncio de "postura performática". O deputado trabalhista Peter Prinsley, vice-presidente do grupo Labour Friends of Israel, e Jonathan Hall KC, revisor independente da legislação antiterror, alertaram para o risco de que a medida alimente ataques contra a comunidade judaica britânica. Pesquisa do instituto Opinium divulgada pelo European Council on Foreign Relations aponta 46% dos adultos britânicos a favor da proibição e 18% contra. O pacote não deve incluir sanções pelas restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza nem classificar como genocídio o que ocorreu no território. O rabino-chefe do Reino Unido, Ephraim Mirvis, chamou o anúncio de "dia sombrio para os judeus britânicos" e disse que a medida pode encorajar quem "usa o ódio como arma contra judeus". Miliband, que se define como "um judeu britânico orgulhoso", respondeu em 9 de setembro, na Rádio 4 da BBC, que discorda do rabino-chefe, "por quem tenho grande respeito", e acrescentou que "quem responsabiliza judeus britânicos, ou judeus em qualquer lugar do mundo, pelos atos do governo israelense está praticando antissemitismo, pura e simplesmente".
A coalizão de doze países e a posição americana
O anúncio britânico foi coordenado com outros onze países. Em declaração conjunta divulgada em 8 de setembro de 2026, os chanceleres de Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido e Suécia confirmaram "a intenção de introduzir restrições nacionais e/ou apoiar restrições europeias ao comércio de bens com assentamentos que são ilegais segundo o direito internacional, ou que estão considerando ativamente essas e outras medidas, de acordo com seus procedimentos nacionais". No texto, os ministros afirmam que "as ações do governo de Israel na Cisjordânia estão minando a possibilidade de uma solução de dois Estados" e que "a situação se deteriora rapidamente, em meio a níveis sem precedentes de violência de colonos e de expansão dos assentamentos". Em declaração separada, o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney escreveram que "chegou a hora de agir mais para honrar nosso compromisso de proteger a solução de dois Estados, nossos interesses e nossos valores, antes que seja tarde demais".
O passo muda o alvo das sanções europeias. Desde 2020, a União Europeia vinha listando colonos e organizações individualmente: em maio de 2026, os chanceleres do bloco aprovaram um pacote contra colonos e entidades "responsáveis por apoiar a colonização extremista e violenta da Cisjordânia", depois que a mudança de governo em Budapeste derrubou o veto húngaro, e o Conselho da UE incluiu na lista o movimento de assentamentos Nachala e sua diretora, Daniella Weiss, chegando a 136 pessoas e 41 entidades sancionadas. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas contra o comércio com as colônias, e a França vinha pressionando por decisão equivalente da União Europeia, principal parceiro comercial de Israel, sem sucesso — a proposta foi barrada por alguns Estados-membros, assim como o pedido de suspensão do acordo de cooperação com Israel, rejeitado pelo bloco no primeiro semestre de 2026.
A Austrália optou por não acompanhar o grupo. Em 9 de setembro de 2026, a chanceler Penny Wong disse ao Parlamento australiano que o país prepara "novas medidas específicas, em coordenação com parceiros internacionais, para deter os assentamentos ilegais e a violência de colonos", mas que tem "preocupações com a implementação de uma proibição geral e com consequências não intencionais para empresas australianas, para palestinos e para israelenses". Wong afirmou que o governo israelense está "extinguindo a possibilidade de uma solução de dois Estados" e cobrou o fim da destruição de propriedades, do deslocamento de famílias, da tortura, da violência sexual e das mortes na Cisjordânia.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca não bloqueou a iniciativa. Burnham informou Donald Trump sobre o pacote antes do anúncio e, segundo autoridades americanas e diplomatas ocidentais ouvidos pelo site Axios, Trump não pediu que ele recuasse; funcionários americanos disseram aos britânicos compartilhar a preocupação com a política do governo Netanyahu na Cisjordânia, ainda que discordassem daquelas sanções. O secretário de Estado, Marco Rubio, não condenou a medida: "O presidente não comentou o assunto, e eu tampouco. Fomos informados de que tomariam essa decisão. Ouvimos os argumentos deles", disse a jornalistas em 8 de setembro, acrescentando que Washington compartilha "o objetivo de estabilidade" e não quer "um aumento da violência ou das tensões na Cisjordânia". A Casa Branca se distanciou das declarações de Huckabee à BBC, para quem a decisão britânica equivale a "discriminação contra o povo judeu": segundo um funcionário do governo americano, os comentários "não foram coordenados" com a Casa Branca nem com o Departamento de Estado.
A guerra na Assembleia Geral da ONU de 2026
Em 24 de setembro de 2026, os dois lados discursaram no mesmo dia na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falou por vídeo gravado em Ramallah, porque o governo Trump negou visto a ele e à sua delegação, como já havia feito em 2025; em 2024, sob o governo Biden, ele discursou presencialmente. Abbas classificou a recusa como violação das obrigações dos Estados Unidos como país-sede da ONU e disse que os palestinos são submetidos a "matança, destruição, fome e tentativas de deslocamento, além de uma guerra genocida" em Gaza. Afirmou que a expansão dos assentamentos na Cisjordânia ameaça "a própria vida e existência do povo palestino em sua terra" e a solução de dois Estados, e apelou: "Não deixem outra Nakba nem outros massacres ocorrerem."
Horas depois, dezenas de delegados deixaram o plenário quando Benjamin Netanyahu subiu ao púlpito, entre eles a delegação do Brasil, que repetiu o gesto do ano anterior. Houve vaias e gritos de "Palestina Livre"; diplomatas dos Estados Unidos e de Israel aplaudiram. Netanyahu reagiu: "Se houver outros covardes morais que ainda não deixaram o salão, por favor, façam isso agora." No discurso, defendeu as campanhas militares de Israel em Gaza, no Irã e no restante do Oriente Médio, rejeitou a acusação de genocídio e prometeu seguir lutando: "Vamos vencer. Não temos outra escolha." Chamou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de "tirano" por apoiar o Hamas e atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que havia prometido prender o premiê com base no mandado do Tribunal Penal Internacional e depois reconheceu não ter autoridade para isso. Em nota, o gabinete de Mamdani disse que Netanyahu usou o discurso para "repetir mentiras infundadas" destinadas a encobrir o genocídio dos palestinos.
Na mesma semana, o Conselho de Paz de Donald Trump anunciou US$ 2,45 bilhões para a reconstrução de Gaza, que ainda não havia começado quase um ano após a entrada em vigor do cessar-fogo.
Linha do tempo
- 6 de outubro de 2025: Greta Thunberg e outros 170 ativistas são deportados de Israel para a Grécia e Eslováquia após a interceptação de uma flotilha com mais de 40 barcos rumo à Faixa de Gaza.
- 23 de dezembro de 2025: Greta Thunberg é presa em Londres durante um protesto pró-Palestina, acusada de exibir um cartaz em apoio a uma organização proibida, o Palestine Action, classificado como grupo terrorista pelo governo britânico.
- 11 de janeiro de 2026: O Hamas anuncia que dissolverá seu governo na Faixa de Gaza quando um novo corpo palestino assumir o controle da região, sem especificar uma data para a transição.
- 14 de janeiro de 2026: O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, anuncia o início da Fase Dois do plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para Gaza, que inclui a desmilitarização completa do território, a criação de uma administração palestina tecnocrática de transição e o início da reconstrução da região. É prevista a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).
- 15 de janeiro de 2026: Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas em Deir al-Balah, está entre os sete mortos em dois ataques aéreos israelenses no centro da Faixa de Gaza. O Hamas condena os ataques, acusando Israel de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro. Entre os mortos, está um adolescente de 16 anos. A agência da ONU para a infância reporta que mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo.
- 17 de janeiro de 2026: Donald Trump anuncia a criação de um "Conselho de Paz" para Gaza, parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, reconstrução, investimentos e financiamento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente argentino Javier Milei, e outros líderes são convidados a integrar o conselho. O projeto de estatuto do conselho, acessado pela Reuters, sugere que membros poderiam ter cargos vitalícios mediante uma doação de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca tenha negado a existência de uma taxa mínima de adesão. O major-general americano Jasper Jeffers é designado para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza.
- 26 de janeiro de 2026: Israel anuncia que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo.
- 26 de janeiro de 2026: Donald Trump lança o "Conselho de Paz" no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, apresentando planos para uma "Nova Gaza" com arranha-céus, zonas residenciais, agrícolas e industriais, um novo porto e aeroporto. Jared Kushner detalha a necessidade de remover 60 milhões de toneladas de escombros e a desmilitarização do Hamas. O plano inclui a construção de uma "Nova Rafah" com mais de 100 mil moradias, centros educacionais e instalações médicas, com previsão de conclusão em 2-3 anos. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anuncia a abertura do cruzamento fronteiriço de Rafah com o Egito na próxima semana.
- 31 de janeiro de 2026: Israel realiza ataques aéreos intensos em Gaza, matando 27 pessoas, incluindo três crianças. Os alvos incluíram uma delegacia de polícia em Sheikh Radwan, casas na Cidade de Gaza e um acampamento de tendas em Khan Younis. As Forças Armadas de Israel afirmam ter atacado comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah, onde oito homens armados saíram de um túnel. O Hamas acusa Israel de violar o cessar-fogo. Os ataques ocorreram um dia antes da reabertura da passagem de fronteira de Rafah, prevista para o dia seguinte.
- 8 de fevereiro de 2026: O gabinete de segurança de Israel aprova medidas que facilitam a compra de terras por colonos na Cisjordânia ocupada e concedem às autoridades israelenses mais poderes de fiscalização sobre os palestinos. As medidas incluem a revogação de regulamentos que impediam cidadãos judeus de comprar terras e a expansão da supervisão em áreas sob administração da Autoridade Palestina. O presidente palestino Mahmoud Abbas classifica as medidas como "perigosas, ilegais e equivalentes a uma anexação de facto".
- 15 de fevereiro de 2026: Israel lança ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza, matando pelo menos 11 palestinos. Médicos de Gaza relatam que um ataque aéreo a um acampamento de famílias deslocadas matou quatro pessoas, e outro ataque matou cinco em Khan Younis. Uma pessoa foi morta a tiros no norte. Os ataques também visaram um suposto comandante da Jihad Islâmica no bairro de Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza. Israel justificou os ataques como resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas na área de Beit Hanoun, onde militantes teriam emergido de um túnel na "Linha Amarela". O Hamas acusou Israel de um novo "massacre" e de violar o cessar-fogo.
- 21 de fevereiro de 2026: Ataques aéreos israelenses no leste do Líbano, perto da aldeia de Rayak e na área de Baalbek, matam oito integrantes do Hezbollah, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. O Ministério da Saúde do Líbano reporta 10 mortos e 24 feridos, incluindo três crianças. Israel afirma ter "eliminado" membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques.
- 12 de julho de 2026: O congressista americano Ro Khanna acusa o governo e as forças militares de Israel de mentirem sobre um incidente ocorrido durante sua visita à Cisjordânia, onde seu comboio foi bloqueado por soldados e colonos na região de South Hebron Hills. O embaixador de Israel nos EUA classificou a denúncia como uma manobra política.
- 13 de julho de 2026: A Jordânia confirma a interceptação e destruição de quatro mísseis lançados pelo Irã que sobrevoavam seu território. O incidente ocorre em meio a um aumento das tensões regionais, levando as autoridades jordanianas a reforçar o monitoramento de seu espaço aéreo.
- 30 de julho de 2026: Donald Trump anuncia, na plataforma Truth Social, que o Conselho de Paz chegou a um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas e de outras organizações armadas em Gaza, acompanhado da retirada gradual das forças israelenses. Trump afirma que Israel está "muito satisfeito" com o entendimento. Uma autoridade política israelense declara, no mesmo dia, que o país não recuará para além da "Linha Amarela" antes do desarmamento do Hamas e da desmilitarização de Gaza.
- 31 de julho de 2026: O Hamas confirma que aceitou um roteiro de 15 pontos negociado com a mediação de Estados Unidos, Egito, Turquia e Catar, que prevê o inventário e o armazenamento de suas armas pesadas sob supervisão do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), única entidade autorizada a fazê-lo. O negociador Ghazi Hamad afirma que a implementação depende de Israel encerrar os ataques, recuar às posições de outubro e ampliar a entrada de ajuda humanitária. O gabinete de Benjamin Netanyahu declara que o acordo "não inclui uma resposta suficiente" à exigência de desmilitarização completa; o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, classifica o pacto como inaceitável. A decisão do Hamas ocorre logo após a eleição de Khalil al-Hayya como novo líder do movimento, no lugar de Yahya Sinwar, morto em um ataque israelense em outubro de 2024. O Cairo é definido como sede da reunião de mediadores sobre a segunda fase.
- 1º de agosto de 2026: Ataques israelenses destroem dois depósitos de suprimentos médicos do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa e danificam outros dois, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que relata ainda o arrasamento de um acampamento de deslocados nas proximidades. Dois palestinos morrem em um bombardeio na região de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. O ministério contabiliza oito civis mortos e 76 feridos em dois dias, e ao menos 1.222 palestinos mortos desde o início do cessar-fogo de outubro de 2025.
- 2 de agosto de 2026: Ao menos oito pessoas morrem durante a noite em bombardeios israelenses contra prédios residenciais na Faixa de Gaza, segundo a Defesa Civil do território — entre elas um idoso e uma criança em um apartamento a oeste da Cidade de Gaza, e três pessoas em Khan Younis. Uma fonte política israelense afirma à AFP que "não haverá nenhuma retirada" enquanto o Hamas não se desarmar.
- 4 de agosto de 2026: Benjamin Netanyahu rejeita publicamente o plano de desarmamento negociado pelo Conselho de Paz. Em vídeo divulgado nas redes sociais, declara que Israel "não concordou" com o texto e que ele "não era o nosso rascunho", e afirma que não retirará as tropas "das nossas linhas atuais" antes do desarmamento completo do Hamas. No mesmo dia, após reunião com Netanyahu em Jerusalém Ocidental, o diretor-geral do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, declara que a retirada israelense além da Linha Amarela só ocorrerá quando o desarmamento estiver concluído, incluindo "armas leves, armas pesadas e os túneis". O Hamas responde que segue comprometido com a segunda fase do cessar-fogo e que aguarda uma resposta oficial dos mediadores, mantendo a exigência de que Israel cumpra suas obrigações primeiro.
- 4 de agosto de 2026: Milhares de palestinos participam, no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, do funeral coletivo de 112 integrantes das famílias Abu Sharia e al-Hasayna, cujos corpos foram retirados dos escombros de um ataque israelense de 22 de novembro de 2023. Segundo autoridades palestinas, aquele ataque matou 308 pessoas das duas famílias — entre elas 40 crianças, 30 mulheres e sete pessoas com deficiência — e cerca de 157 continuam desaparecidas sob os escombros ou sem identificação. É um dos maiores funerais realizados no território desde o início da guerra.
- 9 de agosto de 2026: Em reunião de gabinete, Benjamin Netanyahu formaliza a recusa ao plano do Conselho de Paz: "Israel rejeita o documento de 15 pontos." Diz que o Exército não fará nenhuma retirada até o desarmamento "genuíno, não fictício" do Hamas, abrangendo armamento pesado e leve, e declara que "enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino surgirá". O roteiro de 15 pontos previa começar pelo armamento pesado, pelos locais de produção militar, depósitos de armas e pela rede de túneis. O Hamas afirma no Telegram que segue comprometido com a implementação integral do plano e cobra dos mediadores medidas contra violações. Não há resposta imediata da Casa Branca. Nickolay Mladenov, alto-comissário para Gaza, dá entrevista ao Canal 12 israelense horas depois para defender o roteiro, descrito por ele como uma abordagem "passo a passo" cujo objetivo é garantir que Gaza "nunca mais seja uma ameaça à segurança israelense".
- 10 de agosto de 2026: A Casa Branca minimiza a rejeição. Segundo a BBC, o governo americano não se incomodou com a declaração e a lê como retórica eleitoral — "Entendemos as necessidades políticas de Bibi", disse um alto funcionário dos EUA citado pelo jornalista Barak Ravid, "desde que ele continue a fazer o que pedimos — especialmente em conter os ataques em Gaza". No mesmo período há uma pausa aparente nos bombardeios israelenses em Gaza, e a construção da primeira base da Força Internacional de Estabilização em Rafah segue prevista para o fim de agosto, segundo a rádio Kan News. Netanyahu enfrenta eleição geral em 27 de outubro de 2026.
- 16 de agosto de 2026: Jared Kushner reúne-se com Khalil al-Hayya, líder do Hamas, em Alamein, no Egito, para tentar destravar o roteiro de 15 pontos. Estão presentes o chefe da inteligência egípcia Hassan Rashad, o diplomata catariano Ali Al Thawadi, um alto funcionário turco, o diretor-geral do Conselho de Paz Nickolay Mladenov e Tony Blair. O Hamas diz ter cumprido a primeira fase do cessar-fogo e acusa Israel de não implementá-la. Kushner e Mladenov ficam de se reunir com Netanyahu na segunda-feira seguinte, 17 de agosto. Os chanceleres de Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Arábia Saudita divulgam nota conjunta chamando a recusa israelense de "ataque direto" aos esforços de paz. Balanços citados no mesmo dia: mais de 73.300 palestinos mortos desde outubro de 2023 e mais de 1.250 desde a entrada em vigor do cessar-fogo, segundo fontes oficiais palestinas.
- 16 de agosto de 2026: O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defende, no podcast do ex-refém Rom Braslavski, a execução diária de palestinos em Gaza: "Acho que deveriam ser realizadas execuções seletivas em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites." Afirma que os alvos não deveriam se limitar a quem representa ameaça imediata e diz que parte dos palestinos "não merece viver lá" e "não são nem pessoas". Defende ainda a emigração em massa da população de Gaza e a retomada de assentamentos israelenses em todo o território — "Vejo toda Gaza como nossa". Declarações anteriores de Ben-Gvir no mesmo tom foram apresentadas à Corte Internacional de Justiça como evidência de intenção genocida.
- 19 de agosto de 2026: O Exército israelense divulga as primeiras decisões sobre a conduta de suas tropas em Gaza: investigação criminal nos casos de Hind Rajab e dos 15 paramédicos de Tel al-Sultan, e arquivamento em três episódios envolvendo trabalhadores humanitários da World Central Kitchen e de Médicos Sem Fronteiras.
- 20 de agosto de 2026: A Austrália convoca o embaixador israelense Hillel Newman. A chanceler Penny Wong diz não ter confiança no processo do advogado-geral militar israelense e classifica como insuficiente a responsabilização pela morte de sete voluntários da World Central Kitchen, entre eles a australiana Zomi Frankcom.
- 7 de setembro de 2026: O primeiro-ministro britânico Andy Burnham confirma à bancada trabalhista, na reunião semanal do partido no Parlamento, que o chanceler Ed Miliband anunciará no dia seguinte a proibição do comércio com assentamentos israelenses na Cisjordânia. Na tarde do mesmo dia, Burnham fala por telefone com Donald Trump e com aliados do Golfo, entre eles o Catar. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, adverte que os Estados Unidos responderão à medida.
- 8 de setembro de 2026: Miliband apresenta as sanções à Câmara dos Comuns, e o Reino Unido passa a tratar como ilegal a ocupação da Cisjordânia em sua totalidade. Doze países — Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido e Suécia — anunciam em declaração conjunta a intenção de restringir o comércio com os assentamentos. Israel retalia no mesmo dia: fecha o consulado britânico em Jerusalém Oriental, proíbe a entrada de doze parlamentares e ativistas britânicos, encerra o treinamento britânico das forças de segurança palestinas e exclui o Reino Unido da força-tarefa sobre Gaza liderada pelos Estados Unidos. Gideon Saar acusa Miliband de "mentiras ultrajantes"; Bezalel Smotrich pede a expulsão do embaixador britânico e Itamar Ben-Gvir propõe que Israel reconheça a soberania argentina sobre as Malvinas. O presidente Isaac Herzog fala em "grave erro de cálculo" e em "ingerência grosseira" nas eleições israelenses.
- 8 de setembro de 2026: Começa o ano letivo palestino na vila de al-Mughayyir, na Cisjordânia, com a escola de meninos cercada por arame farpado e portões reforçados pelo diretor Bassam al-Assaf. Seis moradores foram mortos na vila em 2026, três deles alunos da escola. Equipes de ambulância ficam estacionadas na rua e pais montam vigília do lado de fora.
- 9 de setembro de 2026: A chanceler australiana Penny Wong diz ao Parlamento que a Austrália prepara medidas específicas contra colonos, mas não aderirá à proibição geral do comércio com assentamentos. Em Londres, Miliband rejeita a advertência do rabino-chefe Ephraim Mirvis de que as sanções tornariam os judeus britânicos menos seguros. O site Axios informa que Trump foi avisado do pacote com antecedência e não se opôs, e que a Casa Branca considerou não coordenadas as declarações do embaixador Mike Huckabee contra a medida.
- 24 de setembro de 2026: Na 81ª Assembleia Geral da ONU, Mahmoud Abbas discursa por vídeo após ter o visto negado pelos EUA e acusa Israel de conduzir uma "guerra genocida" em Gaza. Horas depois, dezenas de delegações, entre elas a do Brasil, deixam o plenário antes da fala de Benjamin Netanyahu, que chama quem saiu de "covardes morais", rejeita a acusação de genocídio e ataca o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
- 25 de setembro de 2026: A revista The Atlantic informa que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, esteve secretamente em Israel em 26 de setembro de 2023 e alertou autoridades israelenses de que o Hamas se preparava para uma operação de grande escala.
- 26 de setembro de 2026: Um ataque do Exército, do Shin Bet e da polícia israelense em Nuseirat, na Faixa de Gaza, mata Saher Nidal Latfi Sakr, que conduzia a moto usada no sequestro de Noa Argamani e Avinatan Or no festival Nova em 7 de outubro de 2023. Argamani foi resgatada em junho de 2024 e Or foi libertado em outubro de 2025.
- 27 de setembro de 2026: Segundo a Associated Press, Netanyahu viaja secretamente aos Emirados Árabes Unidos para pedir a Mohamed bin Zayed que negue tê-lo alertado sobre o ataque do Hamas.
- 28 de setembro de 2026: Netanyahu nega ter recebido aviso egípcio antes de 7 de outubro, anuncia processo por difamação e atribui a falha ao ex-chefe do Shin Bet Ronen Bar.
- 29 de setembro de 2026: Um ataque aéreo israelense ao amanhecer contra um prédio do bairro de Nasr, na Cidade de Gaza, mata Izz al-Din al-Beik, chefe do braço armado do Hamas no norte da Faixa. O governo israelense diz que ele planejava ataques e recrutava combatentes; o Hamas confirma a morte e o descreve como um dos líderes do ataque de 7 de outubro de 2023. Segundo o Exército israelense, ao menos 20 integrantes do Hamas foram mortos em setembro, na intensificação dos ataques que Israel justifica com acusações de rearmamento do grupo, negadas pelo Hamas. No mesmo dia, moradores do campo de refugiados de Nuseirat enterram os restos de 41 pessoas mortas por fogo israelense em 31 de outubro de 2023, recuperados recentemente dos escombros.
- 3 de outubro de 2026: Um ataque aéreo israelense na madrugada destrói um prédio residencial na Cidade de Gaza e mata cinco palestinos, entre eles quatro mulheres, segundo as autoridades de saúde e a Defesa Civil do território. Duas das vítimas são a mãe cristã Maisa Abu Dawoud e sua filha, Mary; o Patriarcado Greco-Ortodoxo de Jerusalém lamentou as mortes. As Forças Armadas israelenses não comentaram de imediato. Segundo as autoridades de saúde de Gaza, ao menos 1.400 palestinos foram mortos por disparos israelenses desde o cessar-fogo de outubro de 2025; Israel informa que quatro de seus soldados foram mortos por militantes em Gaza no mesmo período.
Principais atores
- Israel: Estado no Oriente Médio, parte central do conflito. Desde o cessar-fogo em outubro, três soldados israelenses morreram. Em janeiro de 2026, anunciou a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas. Em 31 de janeiro de 2026, realizou ataques aéreos em Gaza que mataram 27 pessoas, alegando ter como alvo comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah. O presidente israelense, Isaac Herzog, elogiou os esforços de Trump para a paz, mas ressaltou a necessidade de remover o Hamas de Gaza. Em 8 de fevereiro de 2026, o gabinete de segurança aprovou medidas que flexibilizam a compra de terras por colonos na Cisjordânia e aumentam a fiscalização sobre os palestinos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleições, considera a criação de qualquer Estado palestino uma ameaça à segurança e sua coalizão governista inclui muitos membros pró-colonos que querem anexar a Cisjordânia. Em 15 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos em Gaza, matando pelo menos 11 palestinos, justificando-os como resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, incluindo a emergência de militantes de um túnel na "Linha Amarela". Israel afirma que quatro soldados foram mortos por militantes em Gaza desde o início do acordo. Em 21 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos no leste do Líbano, matando oito integrantes do Hezbollah, incluindo comandantes, em uma ação que o exército israelense justificou como a eliminação de membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques contra Israel. Em julho de 2026, o governo e as forças militares israelenses foram acusados pelo congressista americano Ro Khanna de mentir sobre a detenção de seu comboio por soldados e colonos na Cisjordânia; o embaixador de Israel nos EUA classificou a denúncia como uma manobra política. Em julho de 2026, a União Europeia passou a enfrentar pressões de ativistas e especialistas para aplicar restrições comerciais aos assentamentos israelenses em territórios ocupados, sob o argumento de conformidade com normas internacionais e de direitos humanos.
- Palestinos: Povo árabe que reivindica um Estado independente na região. Mais de 477 palestinos morreram em ataques israelenses nos últimos três meses desde o cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, incluindo mais de 100 crianças. Em 31 de janeiro de 2026, 27 palestinos, incluindo três crianças, foram mortos em ataques aéreos israelenses. O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, exige a plena implementação do plano de paz, incluindo a retirada das forças israelenses e um papel central para a AP no governo da Faixa de Gaza. Em 8 de fevereiro de 2026, Abbas classificou as novas medidas israelenses na Cisjordânia como "perigosas, ilegais e equivalentes a uma anexação de facto" e instou Trump e o Conselho de Segurança da ONU a intervir. Em 15 de fevereiro de 2026, pelo menos 11 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis. O Ministério da Saúde de Gaza relata que pelo menos 600 palestinos foram mortos por tiros israelenses desde o início do acordo de Gaza. Na região de South Hebron Hills, a Anistia Internacional descreveu o deslocamento de populações palestinas de suas casas como uma campanha de limpeza étnica apoiada pelo governo israelense.
- Hamas: Grupo político e militar palestino que governa a Faixa de Gaza e recentemente declarou que dissolverá seu governo quando um novo corpo palestino assumir o controle. É pressionado a cumprir os termos do plano de paz dos EUA, incluindo a desmilitarização. Acusa Israel de violar o cessar-fogo e de tentar minar os esforços internacionais para consolidar o acordo. Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas, foi morto em um ataque aéreo israelense em 15 de janeiro de 2026. Em 26 de janeiro de 2026, o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob seu poder. Em 31 de janeiro de 2026, o Hamas acusou Israel de violar o cessar-fogo após ataques aéreos que mataram 27 pessoas em Gaza. O Hamas já havia se negado a entregar suas armas sem a criação de um Estado palestino independente, mas Trump advertiu que, se não o fizerem, será seu fim. Em 15 de fevereiro de 2026, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, acusou Israel de cometer um novo "massacre" contra palestinos deslocados e de violar gravemente o cessar-fogo, dias antes da primeira reunião do Conselho de Paz de Trump. Israel acusou o Hamas de violar o cessar-fogo ao emergir militantes armados de um túnel na "Linha Amarela". O Irã é o principal apoiador do Hamas na região.
- Jihad Islâmica: Grupo militante aliado do Hamas. Um suposto comandante do grupo foi alvo de ataques aéreos israelenses em Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza, em 15 de fevereiro de 2026.
- Hezbollah: Grupo político e militar xiita libanês, apoiado pelo Irã. O conflito entre Israel e Hezbollah intensificou-se em setembro de 2024, após meses de trocas de disparos iniciadas em apoio ao Hamas. Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, Israel acusa o Hezbollah de tentar se reconstruir e realiza ataques frequentes contra suas instalações. Em 21 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses no leste do Líbano mataram oito integrantes do grupo, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. O Hezbollah reivindicou um ataque contra Israel desde a implementação da trégua.
- Novo corpo palestino: Entidade ainda não especificada que o Hamas indicou que assumirá o controle da Faixa de Gaza em uma futura transição. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) é uma proposta para essa administração tecnocrática de transição. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anuncia a abertura do cruzamento de Rafah.
- Reino Unido: País que, em setembro de 2026, adotou a postura mais dura de sua história recente em relação a Israel, com a proibição do comércio de bens e de parte dos serviços vindos dos assentamentos na Cisjordânia. A medida se soma ao reconhecimento do Estado da Palestina, feito em 2025 pelo governo de Keir Starmer, e é enquadrada pelo governo no parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 2024. O comércio bilateral de bens e serviços entre os dois países foi de £6 bilhões em 2025.
- Andy Burnham: Primeiro-ministro britânico. Confirmou o anúncio das restrições comerciais à bancada trabalhista em 7 de setembro de 2026 e, no mesmo dia, falou por telefone com Donald Trump e com aliados do Golfo. Advertiu que o projeto israelense de assentamentos na área E1 pode "inviabilizar ou encerrar" a solução de dois Estados.
- Ed Miliband: Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, responsável por anunciar em 8 de setembro de 2026 a proibição do comércio com os assentamentos, apresentada como um "reset abrangente" da política britânica sobre Israel. Chamou as licitações israelenses na área E1 de "o cruzamento de uma linha vermelha" e sustenta que o Exército israelense impõe controles desnecessários à entrada de ajuda humanitária em Gaza, acusação negada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel.
- Mike Huckabee: Embaixador dos Estados Unidos em Israel. Advertiu que Washington responderia "sem sombra de dúvida" à proibição britânica, com "enorme impacto econômico sobre empresas britânicas", e citou a legislação da Flórida como possível instrumento de retaliação estadual.
- Isaac Herzog: Presidente de Israel. Classificou a proibição comercial britânica como "grave erro de cálculo" e "ingerência grosseira" nas eleições israelenses, afirmando que sanções prejudicariam os próprios palestinos ao tirar deles negócios e emprego.
- Colonos israelenses: População judaica instalada em assentamentos na Cisjordânia ocupada, ilegais sob o direito internacional. Postos avançados montados em torno de vilas palestinas se multiplicaram em 2026, e os ataques se deslocaram de terras agrícolas e pastagens para áreas urbanizadas, onde mulheres e crianças ficam mais expostas. Uma Comissão de Inquérito da ONU de junho de 2026 identificou um padrão de ataques dirigidos a crianças como estratégia para expulsar famílias de suas terras.
- Greta Thunberg: Ativista sueca que tem se manifestado em apoio à causa palestina, participando de protestos e tentativas de entrega de ajuda humanitária.
- Palestine Action (Ação Palestina): Grupo ativista pró-Palestina, classificado como organização terrorista pelo governo britânico.
- Defend Our Juries (Defenda Nossos Júris): Grupo de campanha britânico que noticiou a prisão de Greta Thunberg.
- Prisoners for Palestine (Prisioneiros pela Palestina): Grupo que apoia ativistas detidos e organizou o protesto em Londres.
- Elbit Systems: Empresa israelense de defesa, alvo de protestos devido à sua atuação na região.
- Steve Witkoff: Enviado especial dos Estados Unidos para a paz na Faixa de Gaza, responsável por anunciar a Fase Dois do plano de Trump, que propõe a desmilitarização da região, a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução após um cessar-fogo.
- Donald Trump: Presidente dos Estados Unidos, autor do plano de 20 pontos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza e proponente do "Conselho de Paz" para Gaza, que ele preside. Apresentou o plano para uma "Nova Gaza" em Davos, destacando a localização e o potencial de reconstrução do território. Ele insiste na desmilitarização do Hamas como condição para o sucesso do plano. Abbas instou Trump a intervir nas novas medidas israelenses na Cisjordânia. Trump anunciará um plano de reconstrução de bilhões de dólares para Gaza e detalhará planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU na primeira reunião do Conselho de Paz. O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, também sinalizou a possibilidade de atingir o Irã caso as negociações sobre o programa nuclear de Teerã não resultem em um acordo.
- Jared Kushner: Genro de Donald Trump, ajudou a negociar o cessar-fogo e é um dos principais articuladores do plano "Nova Gaza". Ele enfatizou a necessidade de remover 60 milhões de toneladas de escombros e a desmilitarização do Hamas.
- Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG): Proposta de corpo governamental a ser criado para gerir a Faixa de Gaza durante um período de transição, conforme o plano dos EUA. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anunciou a abertura do cruzamento de Rafah.
- Luiz Inácio Lula da Silva: Presidente do Brasil, convidado por Donald Trump para integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Javier Milei: Presidente da Argentina, convidado por Donald Trump para integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Marco Rubio: Secretário de Estado americano, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Tony Blair: Ex-primeiro-ministro britânico, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Marc Rowan: Empresário bilionário americano, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Robert Gabriel: Assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Jasper Jeffers: Major-general americano designado para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza, com a missão de manter a segurança e treinar uma nova força policial. Donald Trump deve detalhar planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU para o território palestino na reunião do Conselho de Paz.
- Egito: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza. A fronteira de Rafah com o Egito é um ponto crucial para a entrada e saída de pessoas e bens. A reabertura da passagem de Rafah estava prevista para 1º de fevereiro de 2026.
- Turquia: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza.
- Catar: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza.
- Irã: Principal apoiador do Hezbollah e do Hamas na região. Os Estados Unidos sinalizaram a possibilidade de atingir o Irã caso as negociações sobre seu programa nuclear não resultem em um acordo.
- Nickolay Mladenov: Diretor-geral do Conselho de Paz para Gaza. Após reunir-se com Benjamin Netanyahu em Jerusalém Ocidental, em 4 de agosto de 2026, declarou que a retirada das forças israelenses para além da Linha Amarela só ocorrerá quando o desarmamento do Hamas estiver concluído — armas leves, armas pesadas e túneis.
- Ro Khanna: Congressista democrata dos EUA que, em julho de 2026, denunciou ter sido detido por soldados e colonos israelenses na Cisjordânia, divulgando evidências em vídeo do bloqueio de seu comboio perto da vila de Zanuta.
Termos importantes
- Flotilha: Pequena frota de navios, muitas vezes utilizada em contextos de ativismo para chamar a atenção para causas humanitárias ou políticas.
- Lei Antiterrorismo de 2000 (Reino Unido): Legislação britânica que define e pune atos relacionados ao terrorismo, incluindo apoio a organizações proibidas.
- Genocídio: Ato de extermínio deliberado e sistemático de um grupo étnico, racial, religioso ou nacional.
- Plano de Trump para Gaza: Proposta de 20 pontos do presidente dos EUA Donald Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, que inclui fases para cessar-fogo, libertação de reféns, desmilitarização completa do território, criação de uma administração palestina tecnocrática de transição (como o CNAG) e reconstrução da região. A Fase Dois deste plano, anunciada em 14 de janeiro de 2026, foca na desmilitarização, gestão palestina temporária e início da reconstrução após um cessar-fogo. O plano também inclui a visão para uma "Nova Gaza", com a construção de arranha-céus, bairros residenciais, zonas agrícolas e industriais, um novo porto e aeroporto, e um "perímetro de segurança" onde as forças israelenses permanecerão.
- Cessar-fogo: Acordo para suspender temporariamente as hostilidades, como o que está em vigor em Gaza desde outubro. Apesar do acordo, ambos os lados têm trocado acusações de violações e incidentes violentos continuam a ocorrer. Em 31 de janeiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram 27 pessoas em Gaza, com Israel alegando resposta a um incidente em Rafah e o Hamas acusando violação do cessar-fogo. A questão dos reféns, incluindo a devolução dos restos mortais do último refém em janeiro de 2026, é um componente crítico para a estabilidade do cessar-fogo. O Hamas acusa Israel de tentar minar o cessar-fogo. Em 15 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram 11 palestinos em Gaza, com Israel alegando resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, que por sua vez acusou Israel de um "massacre". O cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e Hezbollah, estabelecido dois meses após a intensificação do conflito em setembro de 2024, também tem sido alvo de acusações de violação por parte de Israel, que alega que o Hezbollah tenta se reconstruir.
- Conselho de Paz de Gaza: Órgão proposto por Donald Trump como parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital para a Faixa de Gaza. Membros podem ter mandatos de três anos, com a possibilidade de cargos vitalícios mediante uma contribuição de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca negue a taxa mínima. Foi lançado no Fórum Econômico Mundial em Davos. A primeira reunião do conselho está prevista para 20 de fevereiro de 2026, em Washington, onde Trump anunciará um plano de reconstrução de bilhões de dólares e detalhará os planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU.
- Força Internacional de Estabilização (ISF): Força liderada pelo major-general americano Jasper Jeffers, com a missão de manter a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas. Donald Trump deve detalhar planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU para o território palestino na reunião do Conselho de Paz.
- Refém: Pessoa mantida em cativeiro para forçar o cumprimento de exigências. A devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em 26 de janeiro de 2026 foi um evento notável no conflito.
- Nova Gaza: Plano de reconstrução detalhado proposto por Donald Trump, apresentado em Davos, que visa transformar o território devastado com a construção de arranha-céus, bairros residenciais, zonas agrícolas e industriais, um novo porto marítimo e um aeroporto, além de um "cruzamento trilateral" e um "perímetro de segurança". A "Nova Rafah" é um componente específico deste plano, prevendo mais de 100 mil moradias e infraestrutura social.
- Perímetro de segurança: Faixa de terreno baldio ao longo das fronteiras com o Egito e Israel, onde as forças israelenses permanecerão até que Gaza esteja devidamente protegida, conforme o plano de Trump.
- Cisjordânia: Território palestino ocupado por Israel, onde o gabinete de segurança israelense aprovou medidas que facilitam a compra de terras por colonos e aumentam a fiscalização israelense sobre os palestinos em 8 de fevereiro de 2026. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia para um futuro Estado independente. A ONU, em parecer consultivo de 2024, considerou a ocupação israelense e os assentamentos ilegais, visão contestada por Israel.
- E1: Área estrategicamente sensível a leste de Jerusalém, na Cisjordânia, onde Israel evitou construir por décadas sob pressão internacional. Em 2026, o país abriu licitações para cerca de 1.200 moradias na região, decisão que atraiu condenação internacional ampla. A construção ali cortaria o coração da Cisjordânia e separaria o norte do sul do território, inviabilizando a continuidade territorial de um futuro Estado palestino.
- Proibição do comércio com assentamentos: Medida anunciada pelo Reino Unido em 8 de setembro de 2026, que barra a entrada de bens e de parte dos serviços — como financiamento e publicidade — originados em colônias israelenses na Cisjordânia. Difere de um boicote a Israel: o comércio com o país segue permitido. Desde 2005 esses produtos já não tinham tarifa preferencial no mercado britânico.
- Linha Amarela: Linha demarcatória acordada no cessar-fogo, que separa as áreas controladas por Israel e pelo Hamas. Israel moveu unilateralmente essa linha para mais dentro de Gaza, e a emergência de militantes armados do Hamas de um túnel nessa linha foi citada por Israel como violação do cessar-fogo em 15 de fevereiro de 2026.
- Baalbek: Região no leste do Líbano onde Israel realizou ataques aéreos em 21 de fevereiro de 2026, visando centros de comando do Hezbollah.
- Rayak: Aldeia no nordeste do Líbano, próxima ao local dos ataques aéreos israelenses contra o Hezbollah em 21 de fevereiro de 2026.
- Unidade de mísseis do Hezbollah: Componente do grupo Hezbollah que Israel alegou ter como alvo nos ataques de 21 de fevereiro de 2026, acusando seus membros de planejar ataques contra Israel.
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