Visão geral
O conflito Israel-Palestina é uma disputa geopolítica complexa e de longa data, caracterizada por tensões históricas, territoriais e religiosas entre israelenses e palestinos. O cerne do conflito envolve questões como o controle de terras, o status de Jerusalém, assentamentos israelenses, fronteiras, segurança e o direito de retorno dos refugiados palestinos. Recentemente, o conflito tem gerado mobilização internacional, incluindo protestos e ativismo em diversas partes do mundo. Em julho de 2026, ativistas e especialistas intensificaram pressões sobre a União Europeia para que o bloco aplique restrições comerciais contra assentamentos em territórios ocupados, argumentando que a UE deve alinhar suas relações comerciais com suas próprias normas internacionais e de direitos humanos. Planos de paz, como o proposto pelo presidente dos EUA Donald Trump, buscam soluções para a desmilitarização e a governança de Gaza, incluindo a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução da região após um cessar-fogo. Um "Conselho de Paz" para Gaza foi anunciado como parte da segunda fase deste plano, com convites estendidos a líderes mundiais. Donald Trump também apresentou um plano detalhado para uma "Nova Gaza", que prevê a reconstrução do território com arranha-céus, novas zonas residenciais, agrícolas e industriais, além de infraestrutura como um novo porto e aeroporto. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro, incidentes violentos e acusações de violação do acordo continuam a ocorrer, resultando em mais mortes e dificultando as negociações. Em 31 de janeiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos intensos em Gaza, matando 27 pessoas, incluindo três crianças, e atingindo uma delegacia de polícia, casas e tendas, um dia antes da reabertura da passagem de Rafah. Um desenvolvimento significativo ocorreu em janeiro de 2026, quando Israel anunciou que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo. Em 8 de fevereiro de 2026, o gabinete de segurança de Israel aprovou medidas que flexibilizam a compra de terras por colonos na Cisjordânia ocupada e aumentam a fiscalização israelense sobre os palestinos, o que foi classificado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas como uma "anexação de facto". Em 15 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 11 palestinos em Gaza, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis, em resposta a supostas violações do cessar-fogo pelo Hamas, que por sua vez acusou Israel de um novo "massacre". A tensão regional se estendeu ao Líbano, onde em 21 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses no leste do país mataram oito integrantes do Hezbollah, incluindo comandantes locais, e feriram 24 pessoas, em uma ação que Israel justificou como a eliminação de membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques contra Israel. O Ministério da Saúde do Líbano reportou 10 mortos, sem distinguir entre combatentes e civis, e 24 feridos, incluindo três crianças. Este incidente ocorre em um contexto de intensificação do conflito entre Israel e Hezbollah desde setembro de 2024, apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA, e em meio a tensões crescentes entre os EUA e o Irã, principal apoiador do Hezbollah e do Hamas. Em 13 de julho de 2026, a Jordânia interceptou quatro mísseis lançados pelo Irã que sobrevoavam seu território, em um episódio que reflete a escalada das tensões regionais envolvendo o Irã e seus vizinhos.
Contexto e histórico
As raízes do conflito remontam ao final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do sionismo e do nacionalismo árabe. A criação do Estado de Israel em 1948, após o fim do Mandato Britânico da Palestina, resultou na primeira guerra árabe-israelense e na Nakba (catástrofe) para os palestinos, que viram a expulsão e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Desde então, a região tem sido palco de diversas guerras, intifadas (levantes palestinos) e um processo de paz intermitente e frequentemente frustrado. A ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas em outubro de 2023 que matou 1.200 pessoas, resultou na destruição de grande parte de Gaza e na morte de 72 mil pessoas no território palestino, segundo autoridades de saúde locais. Um cessar-fogo foi estabelecido em outubro, mas as tensões permanecem altas, com acusações mútuas de violação do acordo e mortes contínuas. Em 31 de janeiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos que mataram 27 pessoas em Gaza, alegando ter como alvo comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah. O Hamas, por sua vez, acusou Israel de violar o cessar-fogo. A questão dos reféns tem sido um ponto central nas negociações, e a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em janeiro de 2026 marcou um momento importante no desenrolar do conflito. A reconstrução de Gaza é um ponto crucial, com propostas como a "Nova Gaza" de Donald Trump, que visa transformar o território devastado em um centro moderno com novas infraestruturas e oportunidades econômicas. Em 8 de fevereiro de 2026, Israel aprovou medidas que facilitam a compra de terras por colonos na Cisjordânia e expandem a supervisão israelense em áreas sob administração palestina, o que o presidente palestino Mahmoud Abbas considerou uma "anexação de facto". Essas medidas foram anunciadas antes de uma reunião entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA Donald Trump, e refletem a postura de Netanyahu, que considera a criação de um Estado palestino uma ameaça à segurança, e a influência de membros pró-colonos em sua coalizão governista. Em 15 de fevereiro de 2026, Israel lançou ataques aéreos em Gaza, matando pelo menos 11 palestinos, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis, alegando resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, que acusou Israel de "massacre". Além disso, a região tem testemunhado uma escalada de confrontos entre Israel e o Hezbollah no Líbano. O conflito entre os dois se intensificou em setembro de 2024, após meses de trocas de disparos iniciadas em apoio ao Hamas. Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos dois meses depois, Israel acusa o Hezbollah de tentar se reconstruir e realiza ataques frequentes contra suas instalações. Em 21 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos no leste do Líbano, perto da aldeia de Rayak e na área de Baalbek, que resultaram na morte de oito integrantes do Hezbollah, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. Israel afirmou ter "eliminado" membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques. O Ministério da Saúde do Líbano reportou 10 mortos e 24 feridos, incluindo três crianças. Estes ataques ocorrem em um momento de alta tensão regional, com os Estados Unidos sinalizando a possibilidade de atacar o Irã, que é o principal apoiador tanto do Hezbollah quanto do Hamas.
Quando começou a guerra entre Israel e Hamas
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou a ofensiva que chamou de "Operação Dilúvio Al-Aqsa" contra o sul de Israel. Por volta das 6h30 no horário local, pelo menos 2.200 projéteis foram disparados a partir da Faixa de Gaza, enquanto comandos do grupo cruzavam a fronteira em ataques coordenados. O ataque matou 1.195 pessoas, entre israelenses e estrangeiros, e resultou em 251 sequestrados levados para Gaza. No mesmo dia, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o país "está em guerra", e Israel iniciou a ofensiva aérea e terrestre sobre a Faixa de Gaza. Em agosto de 2026, o conflito se aproxima de três anos contados a partir dessa data.
Por que a guerra começou
Do lado do Hamas, os motivos declarados no dia do ataque foram a resposta ao que o grupo chamou de "crimes da ocupação" e a defesa da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. O comandante militar Mohammad Deif conclamou "muçulmanos de todo o mundo" a lançarem um ataque, e o dirigente Saleh al-Arouri apresentou a ação como reação à ocupação israelense. O pano de fundo é o conflito histórico descrito acima: o controle de terras, o status de Jerusalém, os assentamentos na Cisjordânia e o impasse do processo de paz. Do lado israelense, os objetivos declarados da campanha militar foram destruir o Hamas e libertar os reféns — metas que seguem moldando as negociações de 2026, nas quais Israel condiciona sua retirada de Gaza ao desarmamento completo do grupo.
Quantas pessoas morreram
Os balanços variam conforme a fonte e o período considerado:
- Palestinos: ao menos 73.386 mortos e 174.250 feridos em Gaza desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde do território (balanço de 9 de agosto de 2026), cujos números são considerados confiáveis pela ONU. Estudos publicados na revista The Lancet argumentam que o total real é significativamente maior quando se contabilizam as mortes indiretas — fome, doença e colapso do sistema de saúde.
- Israelenses: 1.195 pessoas foram mortas e 251 sequestradas no ataque de 7 de outubro de 2023. Somando o ataque inicial e os anos de combate, os balanços consolidados apontam mais de 2 mil israelenses mortos, a maioria integrantes das forças de segurança.
- Desde o cessar-fogo de outubro de 2025: pelo menos 1.258 palestinos mortos e 4.139 feridos em Gaza até 9 de agosto de 2026, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que informa ainda a retirada de mais de 800 corpos dos escombros no período. No mesmo intervalo, o Exército israelense informou a perda de cinco soldados e um funcionário civil.
As restrições impostas à imprensa e o acesso limitado à Faixa de Gaza impedem a verificação independente dos balanços — ressalva feita explicitamente pela agência AFP em suas coberturas.
A guerra acabou? O estado do cessar-fogo
Não. Houve três cessar-fogos desde 2023, e o terceiro segue formalmente em vigor sem que os combates tenham parado:
- Novembro de 2023: pausa temporária de quatro dias, acordada em 22 de novembro, com troca de reféns por prisioneiros palestinos.
- Janeiro de 2025: acordo anunciado em 15 de janeiro e em vigor a partir de 19 de janeiro, estruturado em fases. Foi rompido por uma ofensiva israelense surpresa em março de 2025.
- Outubro de 2025: o primeiro cessar-fogo mútuo, em vigor desde 10 de outubro, correspondente à fase um do plano de 20 pontos apoiado pelos Estados Unidos. Essa primeira fase terminou em janeiro de 2026 com a libertação dos últimos reféns israelenses em troca de presos palestinos.
Na prática, Israel mantém ataques quase diários em Gaza e controla mais de 60% do território, onde milhares de pessoas vivem em barracas. Em 30 de julho de 2026, Donald Trump anunciou um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas; no dia seguinte, o grupo confirmou ter aceitado um roteiro de 15 pontos, mas condicionou a entrega das armas ao cumprimento por Israel da primeira fase — fim dos ataques, recuo das tropas às posições de outubro e ampliação da ajuda humanitária. O gabinete de Netanyahu respondeu que o acordo "não inclui uma resposta suficiente" às exigências israelenses de desmilitarização, e os bombardeios continuaram nos dias seguintes ao anúncio.
Em 4 de agosto de 2026, Netanyahu tornou pública a recusa: em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que Israel "não concordou" com o texto e que ele "não era o nosso rascunho", acrescentando que as tropas não sairão "das nossas linhas atuais" enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado. É uma inversão da sequência prevista no roteiro, que prevê recuos israelenses escalonados à medida que o grupo entrega o armamento. O impasse, portanto, é de ordem: o Hamas condiciona o desarmamento ao recuo, e Israel condiciona o recuo ao desarmamento.
A recusa virou posição formal em 9 de agosto de 2026, quando Netanyahu declarou em reunião de gabinete: "Israel rejeita o documento de 15 pontos." Foi a primeira manifestação direta do premiê sobre o plano depois de mais de uma semana de silêncio oficial israelense. Ele acrescentou que o Exército "não realizará nenhuma retirada até que o Hamas esteja genuinamente desarmado" — o que, segundo ele, inclui "armamento pesado, armamento leve, todo o armamento" — e que Israel discute o assunto com os americanos, cujas ideias "algumas são aceitáveis para nós e outras não". Na mesma reunião afirmou que "enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino surgirá". O Hamas respondeu, em nota no Telegram, que segue comprometido com a implementação integral do plano e pediu que mediadores e países garantidores impeçam violações do acordo. Não houve resposta imediata da Casa Branca.
O rompimento público, porém, não interrompeu a execução do plano. Segundo apuração da BBC de 10 de agosto de 2026, a Casa Branca não se incomodou com a declaração e a interpreta como retórica de campanha às vésperas da eleição geral israelense marcada para 27 de outubro — a primeira desde o ataque de 7 de outubro de 2023. Um alto funcionário americano, citado pelo jornalista israelense Barak Ravid, resumiu a leitura: "Entendemos as necessidades políticas de Bibi. Não temos problema com isso desde que ele continue a fazer o que pedimos — especialmente em conter os ataques em Gaza." Nos dias seguintes à declaração houve uma pausa aparente nos ataques israelenses, uma das condições exigidas pelo Hamas para assinar o roteiro, e a construção da primeira base da Força Internacional de Estabilização (ISF), nas ruínas de Rafah, seguia prevista para o fim de agosto, segundo a rádio pública israelense Kan News.
Em 16 de agosto de 2026, a mediação voltou à mesa em nível mais alto: Jared Kushner reuniu-se em Alamein, no Egito, com Khalil al-Hayya, líder do Hamas — um encontro direto raro entre um enviado americano e a cúpula do grupo. Participaram também o chefe da inteligência egípcia, Hassan Rashad, o diplomata catariano Ali Al Thawadi, um alto funcionário turco, o diretor-geral do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O objetivo declarado era salvar o roteiro de 15 pontos, que prevê o fim imediato das operações militares, o desarmamento do Hamas em paralelo à retirada israelense e a reconstrução de Gaza sob uma administração civil palestina. O Hamas afirmou ter cumprido integralmente a primeira fase do acordo e acusou Israel de não implementá-la; um alto funcionário israelense, por sua vez, manifestou preocupação com a exigência americana de encerrar os assassinatos seletivos de integrantes do grupo em Gaza. Kushner e Mladenov ficaram de se reunir com Netanyahu na segunda-feira, 17 de agosto. No mesmo dia 16, os chanceleres de Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Arábia Saudita condenaram em nota conjunta a recusa israelense ao roteiro, classificando-a como um "ataque direto" aos esforços de paz.
Mapa do conflito: quem controla o quê em Gaza
A geografia da guerra hoje é definida pela Linha Amarela, a demarcação estabelecida em 10 de outubro de 2025 com a entrada em vigor do plano de paz. Ela corta a Faixa de Gaza em duas: pelo desenho original, 47% do território — a metade ocidental — ficaria sob controle palestino, e os 53% restantes, a leste, sob controle militar israelense. A linha tem cerca de 45 km, é marcada no terreno por blocos de concreto pintados de amarelo e, a partir de dezembro de 2025, passou a ser reforçada por barreiras de terra.
Na prática, a linha se moveu. Em janeiro de 2026, a BBC Verify documentou por imagens de satélite que tropas israelenses deslocaram ao menos sete blocos no bairro de Tuffah, na Cidade de Gaza, entre 27 de novembro e 25 de dezembro de 2025 — cerca de 295 metros para dentro do território. Em maio de 2026, Israel afirmou ter ampliado seu controle para 60% da Faixa, com Benjamin Netanyahu declarando a intenção de chegar a 70%; levantamentos da Reuters no fim de abril de 2026 já apontavam controle efetivo de ao menos 64%. Em 30 de julho de 2026, moradores da Cidade de Gaza, Deir al-Balah, Khan Younis e do norte de Rafah relatavam novos deslocamentos causados pelo avanço da demarcação.
Há ainda uma segunda demarcação. Mapas militares israelenses divulgados no fim de abril de 2026 trazem uma Linha Laranja, que delimita uma zona restrita adicional equivalente a cerca de 11% do território de Gaza além da Linha Amarela. Somadas, as duas faixas isolam perto de dois terços da Faixa.
O efeito é de concentração populacional: mais de dois milhões de pessoas ficam comprimidas em menos da metade do território, e a maior parte das terras agrícolas de Gaza está a leste da Linha Amarela, ou seja, dentro da área sob controle israelense. É esse mapa que está no centro da negociação de 2026 — o roteiro aceito pelo Hamas em 31 de julho condiciona o desarmamento ao recuo das tropas israelenses às posições de outubro, enquanto o governo israelense afirma que não recuará além da Linha Amarela antes da desmilitarização completa do território.
Investigações e responsabilização por mortes de civis
Em 19 de agosto de 2026, o Exército israelense divulgou o primeiro relatório abrangente sobre a conduta de suas tropas em Gaza desde o início da guerra. O Mecanismo de Apuração e Avaliação de Fatos (Fact-Finding and Assessment Mechanism) do Estado-Maior concluiu a análise de 150 incidentes e os encaminhou ao advogado-geral militar, a quem cabe decidir sobre a abertura de investigações criminais. Cinco decisões foram divulgadas naquele dia; as demais seguem pendentes.
Dois casos resultaram em investigação criminal:
- Hind Rajab (janeiro de 2024): o Exército admitiu pela primeira vez ter aberto fogo contra o carro em que a menina palestina de cinco anos tentava deixar a Cidade de Gaza com seis familiares. Ela sobreviveu ao disparo inicial e chegou a falar por telefone com o Crescente Vermelho Palestino; foi encontrada morta 12 dias depois, junto com os dois socorristas enviados para resgatá-la.
- Paramédicos em Rafah (março de 2025): 15 socorristas foram mortos em Tel al-Sultan quando as tropas atiraram contra ambulâncias que atendiam a um chamado. A versão inicial do Exército — de que os veículos avançavam "de forma suspeita" e sem sinalização — foi revista depois que imagens mostraram as luzes de emergência acesas e a identificação do Crescente Vermelho visível.
Em três casos envolvendo trabalhadores humanitários, o advogado-geral militar concluiu que não havia suspeita razoável de conduta criminosa e não abriu investigação: o bombardeio ao comboio da World Central Kitchen em 1º de abril de 2024, que matou sete voluntários; o ataque a um abrigo de Médicos Sem Fronteiras em fevereiro de 2024, com dois mortos; e o ataque a um comboio da mesma organização em novembro de 2023, também com dois mortos.
A decisão sobre a World Central Kitchen abriu uma crise diplomática com a Austrália, país de Zomi Frankcom, uma das voluntárias mortas. O Exército israelense reconheceu falhas graves — identificação equivocada de um suposto integrante do Hamas no comboio e erros de decisão — mas afirmou que a conduta dos comandantes "não levanta suspeita razoável de irregularidade criminal", apontando também que a ONG não informou a presença de seguranças armados e que o comboio se desviou da rota acordada. Em 20 de agosto de 2026, a chanceler australiana Penny Wong convocou o embaixador israelense Hillel Newman e declarou não ter "confiança no processo do advogado-geral militar do IDF, dadas as muitas perguntas sem resposta". Segundo Wong, a remoção de dois oficiais de seus cargos e a repreensão de outros três não constituem responsabilização suficiente pela morte de sete pessoas, e a divulgação do resultado no Dia Mundial Humanitário foi "especialmente insultuosa". A família de Frankcom disse estar "profundamente decepcionada" e pediu ao governo australiano que persiga "todas as vias legais disponíveis" por uma apuração "independente e crível", afirmando que a vítima merecia "mais do que um processo interno e opaco".
Organizações de direitos humanos questionam a eficácia do mecanismo. A Fundação Hind Rajab afirma que as investigações israelenses "terminam de forma esmagadora sem exame significativo, processo ou punição", e que as penas aplicadas costumam ser "excepcionalmente brandas ou de natureza administrativa". O anúncio de agosto também não tratou de outros episódios de grande repercussão que o Exército havia se comprometido a apurar, como o ataque a um hospital no sul de Gaza em agosto de 2025, que matou cinco jornalistas.
Linha do tempo
- 6 de outubro de 2025: Greta Thunberg e outros 170 ativistas são deportados de Israel para a Grécia e Eslováquia após a interceptação de uma flotilha com mais de 40 barcos rumo à Faixa de Gaza.
- 23 de dezembro de 2025: Greta Thunberg é presa em Londres durante um protesto pró-Palestina, acusada de exibir um cartaz em apoio a uma organização proibida, o Palestine Action, classificado como grupo terrorista pelo governo britânico.
- 11 de janeiro de 2026: O Hamas anuncia que dissolverá seu governo na Faixa de Gaza quando um novo corpo palestino assumir o controle da região, sem especificar uma data para a transição.
- 14 de janeiro de 2026: O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, anuncia o início da Fase Dois do plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para Gaza, que inclui a desmilitarização completa do território, a criação de uma administração palestina tecnocrática de transição e o início da reconstrução da região. É prevista a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).
- 15 de janeiro de 2026: Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas em Deir al-Balah, está entre os sete mortos em dois ataques aéreos israelenses no centro da Faixa de Gaza. O Hamas condena os ataques, acusando Israel de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro. Entre os mortos, está um adolescente de 16 anos. A agência da ONU para a infância reporta que mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo.
- 17 de janeiro de 2026: Donald Trump anuncia a criação de um "Conselho de Paz" para Gaza, parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, reconstrução, investimentos e financiamento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente argentino Javier Milei, e outros líderes são convidados a integrar o conselho. O projeto de estatuto do conselho, acessado pela Reuters, sugere que membros poderiam ter cargos vitalícios mediante uma doação de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca tenha negado a existência de uma taxa mínima de adesão. O major-general americano Jasper Jeffers é designado para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza.
- 26 de janeiro de 2026: Israel anuncia que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo.
- 26 de janeiro de 2026: Donald Trump lança o "Conselho de Paz" no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, apresentando planos para uma "Nova Gaza" com arranha-céus, zonas residenciais, agrícolas e industriais, um novo porto e aeroporto. Jared Kushner detalha a necessidade de remover 60 milhões de toneladas de escombros e a desmilitarização do Hamas. O plano inclui a construção de uma "Nova Rafah" com mais de 100 mil moradias, centros educacionais e instalações médicas, com previsão de conclusão em 2-3 anos. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anuncia a abertura do cruzamento fronteiriço de Rafah com o Egito na próxima semana.
- 31 de janeiro de 2026: Israel realiza ataques aéreos intensos em Gaza, matando 27 pessoas, incluindo três crianças. Os alvos incluíram uma delegacia de polícia em Sheikh Radwan, casas na Cidade de Gaza e um acampamento de tendas em Khan Younis. As Forças Armadas de Israel afirmam ter atacado comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah, onde oito homens armados saíram de um túnel. O Hamas acusa Israel de violar o cessar-fogo. Os ataques ocorreram um dia antes da reabertura da passagem de fronteira de Rafah, prevista para o dia seguinte.
- 8 de fevereiro de 2026: O gabinete de segurança de Israel aprova medidas que facilitam a compra de terras por colonos na Cisjordânia ocupada e concedem às autoridades israelenses mais poderes de fiscalização sobre os palestinos. As medidas incluem a revogação de regulamentos que impediam cidadãos judeus de comprar terras e a expansão da supervisão em áreas sob administração da Autoridade Palestina. O presidente palestino Mahmoud Abbas classifica as medidas como "perigosas, ilegais e equivalentes a uma anexação de facto".
- 15 de fevereiro de 2026: Israel lança ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza, matando pelo menos 11 palestinos. Médicos de Gaza relatam que um ataque aéreo a um acampamento de famílias deslocadas matou quatro pessoas, e outro ataque matou cinco em Khan Younis. Uma pessoa foi morta a tiros no norte. Os ataques também visaram um suposto comandante da Jihad Islâmica no bairro de Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza. Israel justificou os ataques como resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas na área de Beit Hanoun, onde militantes teriam emergido de um túnel na "Linha Amarela". O Hamas acusou Israel de um novo "massacre" e de violar o cessar-fogo.
- 21 de fevereiro de 2026: Ataques aéreos israelenses no leste do Líbano, perto da aldeia de Rayak e na área de Baalbek, matam oito integrantes do Hezbollah, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. O Ministério da Saúde do Líbano reporta 10 mortos e 24 feridos, incluindo três crianças. Israel afirma ter "eliminado" membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques.
- 12 de julho de 2026: O congressista americano Ro Khanna acusa o governo e as forças militares de Israel de mentirem sobre um incidente ocorrido durante sua visita à Cisjordânia, onde seu comboio foi bloqueado por soldados e colonos na região de South Hebron Hills. O embaixador de Israel nos EUA classificou a denúncia como uma manobra política.
- 13 de julho de 2026: A Jordânia confirma a interceptação e destruição de quatro mísseis lançados pelo Irã que sobrevoavam seu território. O incidente ocorre em meio a um aumento das tensões regionais, levando as autoridades jordanianas a reforçar o monitoramento de seu espaço aéreo.
- 30 de julho de 2026: Donald Trump anuncia, na plataforma Truth Social, que o Conselho de Paz chegou a um acordo para o "desarmamento completo" do Hamas e de outras organizações armadas em Gaza, acompanhado da retirada gradual das forças israelenses. Trump afirma que Israel está "muito satisfeito" com o entendimento. Uma autoridade política israelense declara, no mesmo dia, que o país não recuará para além da "Linha Amarela" antes do desarmamento do Hamas e da desmilitarização de Gaza.
- 31 de julho de 2026: O Hamas confirma que aceitou um roteiro de 15 pontos negociado com a mediação de Estados Unidos, Egito, Turquia e Catar, que prevê o inventário e o armazenamento de suas armas pesadas sob supervisão do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), única entidade autorizada a fazê-lo. O negociador Ghazi Hamad afirma que a implementação depende de Israel encerrar os ataques, recuar às posições de outubro e ampliar a entrada de ajuda humanitária. O gabinete de Benjamin Netanyahu declara que o acordo "não inclui uma resposta suficiente" à exigência de desmilitarização completa; o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, classifica o pacto como inaceitável. A decisão do Hamas ocorre logo após a eleição de Khalil al-Hayya como novo líder do movimento, no lugar de Yahya Sinwar, morto em um ataque israelense em outubro de 2024. O Cairo é definido como sede da reunião de mediadores sobre a segunda fase.
- 1º de agosto de 2026: Ataques israelenses destroem dois depósitos de suprimentos médicos do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa e danificam outros dois, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que relata ainda o arrasamento de um acampamento de deslocados nas proximidades. Dois palestinos morrem em um bombardeio na região de Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. O ministério contabiliza oito civis mortos e 76 feridos em dois dias, e ao menos 1.222 palestinos mortos desde o início do cessar-fogo de outubro de 2025.
- 2 de agosto de 2026: Ao menos oito pessoas morrem durante a noite em bombardeios israelenses contra prédios residenciais na Faixa de Gaza, segundo a Defesa Civil do território — entre elas um idoso e uma criança em um apartamento a oeste da Cidade de Gaza, e três pessoas em Khan Younis. Uma fonte política israelense afirma à AFP que "não haverá nenhuma retirada" enquanto o Hamas não se desarmar.
- 4 de agosto de 2026: Benjamin Netanyahu rejeita publicamente o plano de desarmamento negociado pelo Conselho de Paz. Em vídeo divulgado nas redes sociais, declara que Israel "não concordou" com o texto e que ele "não era o nosso rascunho", e afirma que não retirará as tropas "das nossas linhas atuais" antes do desarmamento completo do Hamas. No mesmo dia, após reunião com Netanyahu em Jerusalém Ocidental, o diretor-geral do Conselho de Paz, Nickolay Mladenov, declara que a retirada israelense além da Linha Amarela só ocorrerá quando o desarmamento estiver concluído, incluindo "armas leves, armas pesadas e os túneis". O Hamas responde que segue comprometido com a segunda fase do cessar-fogo e que aguarda uma resposta oficial dos mediadores, mantendo a exigência de que Israel cumpra suas obrigações primeiro.
- 4 de agosto de 2026: Milhares de palestinos participam, no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza, do funeral coletivo de 112 integrantes das famílias Abu Sharia e al-Hasayna, cujos corpos foram retirados dos escombros de um ataque israelense de 22 de novembro de 2023. Segundo autoridades palestinas, aquele ataque matou 308 pessoas das duas famílias — entre elas 40 crianças, 30 mulheres e sete pessoas com deficiência — e cerca de 157 continuam desaparecidas sob os escombros ou sem identificação. É um dos maiores funerais realizados no território desde o início da guerra.
- 9 de agosto de 2026: Em reunião de gabinete, Benjamin Netanyahu formaliza a recusa ao plano do Conselho de Paz: "Israel rejeita o documento de 15 pontos." Diz que o Exército não fará nenhuma retirada até o desarmamento "genuíno, não fictício" do Hamas, abrangendo armamento pesado e leve, e declara que "enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino surgirá". O roteiro de 15 pontos previa começar pelo armamento pesado, pelos locais de produção militar, depósitos de armas e pela rede de túneis. O Hamas afirma no Telegram que segue comprometido com a implementação integral do plano e cobra dos mediadores medidas contra violações. Não há resposta imediata da Casa Branca. Nickolay Mladenov, alto-comissário para Gaza, dá entrevista ao Canal 12 israelense horas depois para defender o roteiro, descrito por ele como uma abordagem "passo a passo" cujo objetivo é garantir que Gaza "nunca mais seja uma ameaça à segurança israelense".
- 10 de agosto de 2026: A Casa Branca minimiza a rejeição. Segundo a BBC, o governo americano não se incomodou com a declaração e a lê como retórica eleitoral — "Entendemos as necessidades políticas de Bibi", disse um alto funcionário dos EUA citado pelo jornalista Barak Ravid, "desde que ele continue a fazer o que pedimos — especialmente em conter os ataques em Gaza". No mesmo período há uma pausa aparente nos bombardeios israelenses em Gaza, e a construção da primeira base da Força Internacional de Estabilização em Rafah segue prevista para o fim de agosto, segundo a rádio Kan News. Netanyahu enfrenta eleição geral em 27 de outubro de 2026.
- 16 de agosto de 2026: Jared Kushner reúne-se com Khalil al-Hayya, líder do Hamas, em Alamein, no Egito, para tentar destravar o roteiro de 15 pontos. Estão presentes o chefe da inteligência egípcia Hassan Rashad, o diplomata catariano Ali Al Thawadi, um alto funcionário turco, o diretor-geral do Conselho de Paz Nickolay Mladenov e Tony Blair. O Hamas diz ter cumprido a primeira fase do cessar-fogo e acusa Israel de não implementá-la. Kushner e Mladenov ficam de se reunir com Netanyahu na segunda-feira seguinte, 17 de agosto. Os chanceleres de Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Jordânia, Indonésia, Paquistão, Turquia e Arábia Saudita divulgam nota conjunta chamando a recusa israelense de "ataque direto" aos esforços de paz. Balanços citados no mesmo dia: mais de 73.300 palestinos mortos desde outubro de 2023 e mais de 1.250 desde a entrada em vigor do cessar-fogo, segundo fontes oficiais palestinas.
- 16 de agosto de 2026: O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defende, no podcast do ex-refém Rom Braslavski, a execução diária de palestinos em Gaza: "Acho que deveriam ser realizadas execuções seletivas em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites." Afirma que os alvos não deveriam se limitar a quem representa ameaça imediata e diz que parte dos palestinos "não merece viver lá" e "não são nem pessoas". Defende ainda a emigração em massa da população de Gaza e a retomada de assentamentos israelenses em todo o território — "Vejo toda Gaza como nossa". Declarações anteriores de Ben-Gvir no mesmo tom foram apresentadas à Corte Internacional de Justiça como evidência de intenção genocida.
- 19 de agosto de 2026: O Exército israelense divulga as primeiras decisões sobre a conduta de suas tropas em Gaza: investigação criminal nos casos de Hind Rajab e dos 15 paramédicos de Tel al-Sultan, e arquivamento em três episódios envolvendo trabalhadores humanitários da World Central Kitchen e de Médicos Sem Fronteiras.
- 20 de agosto de 2026: A Austrália convoca o embaixador israelense Hillel Newman. A chanceler Penny Wong diz não ter confiança no processo do advogado-geral militar israelense e classifica como insuficiente a responsabilização pela morte de sete voluntários da World Central Kitchen, entre eles a australiana Zomi Frankcom.
Principais atores
- Israel: Estado no Oriente Médio, parte central do conflito. Desde o cessar-fogo em outubro, três soldados israelenses morreram. Em janeiro de 2026, anunciou a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas. Em 31 de janeiro de 2026, realizou ataques aéreos em Gaza que mataram 27 pessoas, alegando ter como alvo comandantes e instalações do Hamas e da Jihad Islâmica em resposta a um incidente em Rafah. O presidente israelense, Isaac Herzog, elogiou os esforços de Trump para a paz, mas ressaltou a necessidade de remover o Hamas de Gaza. Em 8 de fevereiro de 2026, o gabinete de segurança aprovou medidas que flexibilizam a compra de terras por colonos na Cisjordânia e aumentam a fiscalização sobre os palestinos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta eleições, considera a criação de qualquer Estado palestino uma ameaça à segurança e sua coalizão governista inclui muitos membros pró-colonos que querem anexar a Cisjordânia. Em 15 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos em Gaza, matando pelo menos 11 palestinos, justificando-os como resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, incluindo a emergência de militantes de um túnel na "Linha Amarela". Israel afirma que quatro soldados foram mortos por militantes em Gaza desde o início do acordo. Em 21 de fevereiro de 2026, Israel realizou ataques aéreos no leste do Líbano, matando oito integrantes do Hezbollah, incluindo comandantes, em uma ação que o exército israelense justificou como a eliminação de membros da unidade de mísseis do Hezbollah que planejavam ataques contra Israel. Em julho de 2026, o governo e as forças militares israelenses foram acusados pelo congressista americano Ro Khanna de mentir sobre a detenção de seu comboio por soldados e colonos na Cisjordânia; o embaixador de Israel nos EUA classificou a denúncia como uma manobra política. Em julho de 2026, a União Europeia passou a enfrentar pressões de ativistas e especialistas para aplicar restrições comerciais aos assentamentos israelenses em territórios ocupados, sob o argumento de conformidade com normas internacionais e de direitos humanos.
- Palestinos: Povo árabe que reivindica um Estado independente na região. Mais de 477 palestinos morreram em ataques israelenses nos últimos três meses desde o cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, incluindo mais de 100 crianças. Em 31 de janeiro de 2026, 27 palestinos, incluindo três crianças, foram mortos em ataques aéreos israelenses. O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, exige a plena implementação do plano de paz, incluindo a retirada das forças israelenses e um papel central para a AP no governo da Faixa de Gaza. Em 8 de fevereiro de 2026, Abbas classificou as novas medidas israelenses na Cisjordânia como "perigosas, ilegais e equivalentes a uma anexação de facto" e instou Trump e o Conselho de Segurança da ONU a intervir. Em 15 de fevereiro de 2026, pelo menos 11 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses, incluindo quatro em um acampamento de deslocados e cinco em Khan Younis. O Ministério da Saúde de Gaza relata que pelo menos 600 palestinos foram mortos por tiros israelenses desde o início do acordo de Gaza. Na região de South Hebron Hills, a Anistia Internacional descreveu o deslocamento de populações palestinas de suas casas como uma campanha de limpeza étnica apoiada pelo governo israelense.
- Hamas: Grupo político e militar palestino que governa a Faixa de Gaza e recentemente declarou que dissolverá seu governo quando um novo corpo palestino assumir o controle. É pressionado a cumprir os termos do plano de paz dos EUA, incluindo a desmilitarização. Acusa Israel de violar o cessar-fogo e de tentar minar os esforços internacionais para consolidar o acordo. Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas, foi morto em um ataque aéreo israelense em 15 de janeiro de 2026. Em 26 de janeiro de 2026, o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob seu poder. Em 31 de janeiro de 2026, o Hamas acusou Israel de violar o cessar-fogo após ataques aéreos que mataram 27 pessoas em Gaza. O Hamas já havia se negado a entregar suas armas sem a criação de um Estado palestino independente, mas Trump advertiu que, se não o fizerem, será seu fim. Em 15 de fevereiro de 2026, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, acusou Israel de cometer um novo "massacre" contra palestinos deslocados e de violar gravemente o cessar-fogo, dias antes da primeira reunião do Conselho de Paz de Trump. Israel acusou o Hamas de violar o cessar-fogo ao emergir militantes armados de um túnel na "Linha Amarela". O Irã é o principal apoiador do Hamas na região.
- Jihad Islâmica: Grupo militante aliado do Hamas. Um suposto comandante do grupo foi alvo de ataques aéreos israelenses em Tel Al-Hawa, na Cidade de Gaza, em 15 de fevereiro de 2026.
- Hezbollah: Grupo político e militar xiita libanês, apoiado pelo Irã. O conflito entre Israel e Hezbollah intensificou-se em setembro de 2024, após meses de trocas de disparos iniciadas em apoio ao Hamas. Apesar de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, Israel acusa o Hezbollah de tentar se reconstruir e realiza ataques frequentes contra suas instalações. Em 21 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses no leste do Líbano mataram oito integrantes do grupo, incluindo os comandantes locais Ali al-Moussawi, Mohammed al-Moussawi e Hussein Yaghi. O Hezbollah reivindicou um ataque contra Israel desde a implementação da trégua.
- Novo corpo palestino: Entidade ainda não especificada que o Hamas indicou que assumirá o controle da Faixa de Gaza em uma futura transição. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) é uma proposta para essa administração tecnocrática de transição. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anuncia a abertura do cruzamento de Rafah.
- Greta Thunberg: Ativista sueca que tem se manifestado em apoio à causa palestina, participando de protestos e tentativas de entrega de ajuda humanitária.
- Palestine Action (Ação Palestina): Grupo ativista pró-Palestina, classificado como organização terrorista pelo governo britânico.
- Defend Our Juries (Defenda Nossos Júris): Grupo de campanha britânico que noticiou a prisão de Greta Thunberg.
- Prisoners for Palestine (Prisioneiros pela Palestina): Grupo que apoia ativistas detidos e organizou o protesto em Londres.
- Elbit Systems: Empresa israelense de defesa, alvo de protestos devido à sua atuação na região.
- Steve Witkoff: Enviado especial dos Estados Unidos para a paz na Faixa de Gaza, responsável por anunciar a Fase Dois do plano de Trump, que propõe a desmilitarização da região, a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução após um cessar-fogo.
- Donald Trump: Presidente dos Estados Unidos, autor do plano de 20 pontos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza e proponente do "Conselho de Paz" para Gaza, que ele preside. Apresentou o plano para uma "Nova Gaza" em Davos, destacando a localização e o potencial de reconstrução do território. Ele insiste na desmilitarização do Hamas como condição para o sucesso do plano. Abbas instou Trump a intervir nas novas medidas israelenses na Cisjordânia. Trump anunciará um plano de reconstrução de bilhões de dólares para Gaza e detalhará planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU na primeira reunião do Conselho de Paz. O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, também sinalizou a possibilidade de atingir o Irã caso as negociações sobre o programa nuclear de Teerã não resultem em um acordo.
- Jared Kushner: Genro de Donald Trump, ajudou a negociar o cessar-fogo e é um dos principais articuladores do plano "Nova Gaza". Ele enfatizou a necessidade de remover 60 milhões de toneladas de escombros e a desmilitarização do Hamas.
- Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG): Proposta de corpo governamental a ser criado para gerir a Faixa de Gaza durante um período de transição, conforme o plano dos EUA. O chefe do NCAG, Ali Shaath, anunciou a abertura do cruzamento de Rafah.
- Luiz Inácio Lula da Silva: Presidente do Brasil, convidado por Donald Trump para integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Javier Milei: Presidente da Argentina, convidado por Donald Trump para integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Marco Rubio: Secretário de Estado americano, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Tony Blair: Ex-primeiro-ministro britânico, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Marc Rowan: Empresário bilionário americano, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Robert Gabriel: Assistente de Trump que atua no Conselho de Segurança Nacional, convidado a integrar o "Conselho de Paz" para Gaza.
- Jasper Jeffers: Major-general americano designado para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza, com a missão de manter a segurança e treinar uma nova força policial. Donald Trump deve detalhar planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU para o território palestino na reunião do Conselho de Paz.
- Egito: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza. A fronteira de Rafah com o Egito é um ponto crucial para a entrada e saída de pessoas e bens. A reabertura da passagem de Rafah estava prevista para 1º de fevereiro de 2026.
- Turquia: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza.
- Catar: País mediador essencial nas negociações do conflito em Gaza.
- Irã: Principal apoiador do Hezbollah e do Hamas na região. Os Estados Unidos sinalizaram a possibilidade de atingir o Irã caso as negociações sobre seu programa nuclear não resultem em um acordo.
- Nickolay Mladenov: Diretor-geral do Conselho de Paz para Gaza. Após reunir-se com Benjamin Netanyahu em Jerusalém Ocidental, em 4 de agosto de 2026, declarou que a retirada das forças israelenses para além da Linha Amarela só ocorrerá quando o desarmamento do Hamas estiver concluído — armas leves, armas pesadas e túneis.
- Ro Khanna: Congressista democrata dos EUA que, em julho de 2026, denunciou ter sido detido por soldados e colonos israelenses na Cisjordânia, divulgando evidências em vídeo do bloqueio de seu comboio perto da vila de Zanuta.
Termos importantes
- Flotilha: Pequena frota de navios, muitas vezes utilizada em contextos de ativismo para chamar a atenção para causas humanitárias ou políticas.
- Lei Antiterrorismo de 2000 (Reino Unido): Legislação britânica que define e pune atos relacionados ao terrorismo, incluindo apoio a organizações proibidas.
- Genocídio: Ato de extermínio deliberado e sistemático de um grupo étnico, racial, religioso ou nacional.
- Plano de Trump para Gaza: Proposta de 20 pontos do presidente dos EUA Donald Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, que inclui fases para cessar-fogo, libertação de reféns, desmilitarização completa do território, criação de uma administração palestina tecnocrática de transição (como o CNAG) e reconstrução da região. A Fase Dois deste plano, anunciada em 14 de janeiro de 2026, foca na desmilitarização, gestão palestina temporária e início da reconstrução após um cessar-fogo. O plano também inclui a visão para uma "Nova Gaza", com a construção de arranha-céus, bairros residenciais, zonas agrícolas e industriais, um novo porto e aeroporto, e um "perímetro de segurança" onde as forças israelenses permanecerão.
- Cessar-fogo: Acordo para suspender temporariamente as hostilidades, como o que está em vigor em Gaza desde outubro. Apesar do acordo, ambos os lados têm trocado acusações de violações e incidentes violentos continuam a ocorrer. Em 31 de janeiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram 27 pessoas em Gaza, com Israel alegando resposta a um incidente em Rafah e o Hamas acusando violação do cessar-fogo. A questão dos reféns, incluindo a devolução dos restos mortais do último refém em janeiro de 2026, é um componente crítico para a estabilidade do cessar-fogo. O Hamas acusa Israel de tentar minar o cessar-fogo. Em 15 de fevereiro de 2026, ataques aéreos israelenses mataram 11 palestinos em Gaza, com Israel alegando resposta a violações do cessar-fogo pelo Hamas, que por sua vez acusou Israel de um "massacre". O cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e Hezbollah, estabelecido dois meses após a intensificação do conflito em setembro de 2024, também tem sido alvo de acusações de violação por parte de Israel, que alega que o Hezbollah tenta se reconstruir.
- Conselho de Paz de Gaza: Órgão proposto por Donald Trump como parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital para a Faixa de Gaza. Membros podem ter mandatos de três anos, com a possibilidade de cargos vitalícios mediante uma contribuição de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca negue a taxa mínima. Foi lançado no Fórum Econômico Mundial em Davos. A primeira reunião do conselho está prevista para 20 de fevereiro de 2026, em Washington, onde Trump anunciará um plano de reconstrução de bilhões de dólares e detalhará os planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU.
- Força Internacional de Estabilização (ISF): Força liderada pelo major-general americano Jasper Jeffers, com a missão de manter a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas. Donald Trump deve detalhar planos para uma força de estabilização autorizada pela ONU para o território palestino na reunião do Conselho de Paz.
- Refém: Pessoa mantida em cativeiro para forçar o cumprimento de exigências. A devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em 26 de janeiro de 2026 foi um evento notável no conflito.
- Nova Gaza: Plano de reconstrução detalhado proposto por Donald Trump, apresentado em Davos, que visa transformar o território devastado com a construção de arranha-céus, bairros residenciais, zonas agrícolas e industriais, um novo porto marítimo e um aeroporto, além de um "cruzamento trilateral" e um "perímetro de segurança". A "Nova Rafah" é um componente específico deste plano, prevendo mais de 100 mil moradias e infraestrutura social.
- Perímetro de segurança: Faixa de terreno baldio ao longo das fronteiras com o Egito e Israel, onde as forças israelenses permanecerão até que Gaza esteja devidamente protegida, conforme o plano de Trump.
- Cisjordânia: Território palestino ocupado por Israel, onde o gabinete de segurança israelense aprovou medidas que facilitam a compra de terras por colonos e aumentam a fiscalização israelense sobre os palestinos em 8 de fevereiro de 2026. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia para um futuro Estado independente. A ONU, em parecer consultivo de 2024, considerou a ocupação israelense e os assentamentos ilegais, visão contestada por Israel.
- Linha Amarela: Linha demarcatória acordada no cessar-fogo, que separa as áreas controladas por Israel e pelo Hamas. Israel moveu unilateralmente essa linha para mais dentro de Gaza, e a emergência de militantes armados do Hamas de um túnel nessa linha foi citada por Israel como violação do cessar-fogo em 15 de fevereiro de 2026.
- Baalbek: Região no leste do Líbano onde Israel realizou ataques aéreos em 21 de fevereiro de 2026, visando centros de comando do Hezbollah.
- Rayak: Aldeia no nordeste do Líbano, próxima ao local dos ataques aéreos israelenses contra o Hezbollah em 21 de fevereiro de 2026.
- Unidade de mísseis do Hezbollah: Componente do grupo Hezbollah que Israel alegou ter como alvo nos ataques de 21 de fevereiro de 2026, acusando seus membros de planejar ataques contra Israel.
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