O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o sigilo de 8 anos na liquidação do Banco Master em depoimento à CPI do Crime Organizado, citando regra do CMN e necessidade de estabilidade financeira.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado em 8 de abril de 2026, após ter sua presença confirmada pelo Banco Central e ser convocado pelo senador Alessandro Vieira. Durante a sessão, Galípolo defendeu o sigilo de 8 anos na liquidação do Banco Master e negou irregularidades na atuação da instituição. O depoimento de Galípolo foi solicitado para esclarecer um suposto encontro com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Galípolo revelou que o presidente Lula o orientou a agir de forma técnica após uma reunião com Vorcaro, ocorrida em dezembro de 2024. O encontro, não registrado na agenda pública de Galípolo, teve Vorcaro reclamando da concentração do mercado financeiro e de perseguição. Galípolo foi questionado sobre a atuação do BC no caso Master, que envolve um rombo de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Durante o depoimento, Galípolo defendeu o sigilo de 8 anos na liquidação do Banco Master, alegando que a medida segue uma regra de 2018 do Conselho Monetário Nacional (CMN) que flexibilizou o prazo para bancos menores. O Banco Central justificou a imposição do sigilo sobre os documentos da liquidação como essencial para a preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país, visando evitar impactos negativos no mercado e na confiança dos investidores. Ele também defendeu a ética dos funcionários do BC e pediu apoio para a PEC 65/2023, que visa ampliar a autonomia financeira da instituição. O Banco Central descobriu os créditos podres do Master durante a negociação de compra pela estatal BRB, o que levou à liquidação do banco em novembro de 2025. Enquanto isso, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, não compareceu à CPI pela segunda vez, tendo sido desobrigado pelo ministro André Mendonça. Ele falaria como testemunha para explicar a atuação do Banco Central no caso, considerado o maior escândalo bancário da história.
Galípolo também aproveitou a oportunidade para destacar a necessidade de mais pessoal qualificado para o monitoramento eficaz das operações financeiras, citando o Pix como um ponto de atenção para a segurança. A discussão na CPI abordou os desafios de segurança e combate a crimes financeiros no contexto das novas tecnologias de pagamento. Investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apuram o envolvimento de ex-diretores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, por supostamente facilitar interesses do Master. Daniel Vorcaro, que está preso e é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, firmou um acordo de confidencialidade com a PF e a Procuradoria-Geral da República, o que pode resultar em uma delação premiada com possíveis reflexos nos Três Poderes. A comissão, presidida por Davi Alcolumbre, está em sua fase final e deve concluir as investigações com relatório previsto para 14 de abril.
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