O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, negou ter discutido o caso Banco Master com ministros do STF e afirmou que auditorias não culparam Campos Neto, enquanto o BC busca maior autonomia.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, se reuniram para tratar da crise financeira do Banco de Brasília (BRB). A instituição enfrenta problemas de liquidez, atraso na divulgação de balanços de 2025 e questionamentos sobre sua gestão, especialmente em relação a operações com o Banco Master. O Banco Central tem pressionado o BRB a regularizar sua situação e Galípolo afirmou que o BC aguarda um aporte dos acionistas para melhorar o patrimônio do banco, sugerindo a venda de ativos como alternativa para capitalização. Auditorias internas do Banco Central, conforme declarado por Galípolo, não encontraram culpa do ex-presidente Roberto Campos Neto no caso Master.
A crise é atribuída à concentração de operações do BRB na compra de carteiras de crédito do Banco Master, que somam mais de R$ 30 bilhões. Uma auditoria independente apontou falhas nessas operações, estimando perdas de mais de R$ 6 bilhões, e o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras do Banco Master em 2025, descobrindo posteriormente indícios de fraude e créditos podres. O caso Master, que levou à liquidação do Banco Master em novembro de 2025 e à prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, causou um rombo de quase R$ 52 bilhões no FGC e prejuízos a fundos de Previdência de Estados e municípios. Investigações da PF e CGU apuram a atuação de servidores do BC, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, por suposta facilitação de interesses do Banco Master, tendo ambos sido afastados de seus cargos.
Em depoimento na CPI do Crime Organizado, que investiga o maior escândalo bancário da história do Brasil, Galípolo defendeu o sigilo de oito anos na liquidação do Banco Master, explicando que se trata de uma norma interna do BC em vigor desde 2018, que visa padronizar decisões e evitar questionamentos judiciais. Ele ressaltou que o BC e o FGC respondem a pedidos de indenização bilionários de acionistas de bancos liquidados há décadas. O presidente do BC revelou que, no dia da liquidação extrajudicial em novembro de 2025, o Banco Master possuía apenas 10% do valor necessário para cobrir os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que venciam na mesma data. Ele acrescentou que, ao assumir a presidência do BC em janeiro de 2025, o Banco Master já enfrentava problemas de liquidez e dificuldades para captar recursos com garantia do FGC. O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso, teve uma reunião fora da agenda com Galípolo e o presidente Lula em 2024, não informada ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto. Daniel Vorcaro assinou um acordo de confidencialidade para uma possível delação premiada.
Galípolo negou ter conversado com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, sobre o caso do Banco Master, afirmando que suas reuniões com magistrados eram presenciais e focadas na sanção da Lei Magnitsky dos EUA contra o magistrado e familiares, e que há um dever fiduciário de preservar o sigilo bancário e financeiro. Sobre a reunião com Lula em novembro de 2024, Galípolo considerou sem sentido a queixa de Daniel Vorcaro e seu ex-sócio Augusto Lima ao presidente sobre perseguição por métodos inovadores, dado que o Banco Master era pequeno, com menos de 0,5% dos ativos do mercado. Ele também foi alvo de críticas do PT e do Palácio do Planalto após seu depoimento, por não levantar suspeitas sobre Campos Neto, afirmando que não há evidências internas no BC que apontem irregularidades por parte do ex-presidente.
Em paralelo, Galípolo solicitou aos senadores a aprovação da PEC 65/2023, que visa conceder maior autonomia técnica, orçamentária e financeira ao Banco Central. Ele argumentou que o BC opera no limite de sua capacidade, com dificuldades para contratar pessoal e investir em tecnologia, o que impede a instituição de supervisionar adequadamente o ecossistema financeiro e combater o crime organizado. Em evento de premiação do Boletim Focus, Galípolo reforçou que o Banco Central não negocia seu mandato e tem a coragem de identificar e corrigir falhas internas, destacando que a autonomia completa é crucial para proteger quem toma decisões difíceis. Ele enfatizou a relevância das projeções do mercado financeiro, via Boletim Focus, para a condução da política monetária, funcionando como um retrato das expectativas econômicas, em um cenário de alta nas projeções de inflação. O presidente do Banco Central defendeu a conclusão do processo de autonomia da instituição através da aprovação de uma lei em tramitação no Congresso, que busca ampliar sua independência administrativa e financeira.
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