O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, compareceu à CPI do Crime Organizado para depor sobre o caso Banco Master. Ele foi questionado sobre a atuação do BC na liquidação da instituição financeira e sobre uma reunião com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o presidente Lula. Galípolo afirmou ter agido de forma técnica e autônoma, negando outras reuniões sobre o assunto. Ele também declarou que suas conversas com o ministro Alexandre de Moraes trataram apenas da sanção norte-americana da Lei Magnitsky, negando ter discutido o escândalo do Banco Master com o ministro do STF. O Banco Master foi liquidado pelo BC após Vorcaro ser alvo de uma operação da Polícia Federal por fraudes financeiras.
Durante seu depoimento, Galípolo defendeu o sigilo de oito anos na liquidação do Banco Master, explicando que a decisão segue regras do Banco Central em vigor desde 2018. Ele ressaltou a importância de seguir o rito estrito para evitar questionamentos futuros e ponderou que, se houver insatisfação com a regra, ela pode ser rediscutida, mas não descumprida. O presidente do BC também explicou que a decisão de não afastar imediatamente a cúpula do BC envolvida na fiscalização do Banco Master foi para evitar a percepção de uma ação política, optando por criar um grupo de análise separado antes dos afastamentos dos servidores Paulo Souza e Belline Santana. Ele considerou inicialmente que a divergência nos balanços poderia ser uma questão técnica e ressaltou que cabe à Justiça determinar se houve influência de vantagens indevidas nas atitudes dos envolvidos. Galípolo ainda afirmou que não há auditoria ou sindicância interna que aponte culpa de Roberto Campos Neto no caso Master, apesar das críticas do presidente Lula que associam o escândalo à gestão anterior.
Galípolo também relatou à CPI que o presidente Lula assegurou a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que a instituição financeira receberia tratamento técnico por parte do Banco Central em 2024. Ele afirmou que, após essa declaração de Lula, não tratou mais do tema do Banco Master com o governo ou membros do Supremo Tribunal Federal. O presidente do BC informou ainda ter contatado um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) para verificar o andamento da apuração da liquidação do Master, sendo informado que o processo ainda está em aberto.
Simultaneamente, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faltou pela terceira vez à convocação da CPI. Ele foi chamado para explicar os critérios de idoneidade e a suposta demora do BC em investigar fraudes durante sua gestão. A CPI busca esclarecer se servidores do Banco Central agiram ilegalmente para proteger interesses do Banco Master, com dois deles, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, já afastados e sob investigação por suposto envolvimento, incluindo vazamento de informações e recebimento de propina.
G1 Política • 8 abr, 13:19
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