Delegações dos EUA e Irã se reúnem em Islamabad para negociar um cessar-fogo de duas semanas e um acordo de paz, que pode incluir a cobrança de taxas de passagem no Estreito de Ormuz, apesar da prontidão militar iraniana e questões pendentes.

Estados Unidos e Irã iniciarão negociações nesta sexta-feira (10) em Islamabad, Paquistão, com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo de duas semanas e buscar um acordo de paz definitivo. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que também confirmou a suspensão dos ataques americanos ao Irã, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo. A trégua foi alcançada em 7 de abril de 2026, após intensa diplomacia chinesa desde o início do conflito em 28 de fevereiro, com a China incentivando o Irã a aceitar o cessar-fogo e a reabrir o estreito para o comércio mundial, conforme relatado pela Associated Press. O governo Trump prepara negociações presenciais com autoridades iranianas nos próximos dias, com a delegação americana devendo incluir Steve Witkoff, Jared Kushner e JD Vance, marcando o início de um possível acordo de longo prazo. O Paquistão atua como mediador devido a vínculos históricos e geográficos com Irã e EUA.
Após o cessar-fogo, o Estreito de Ormuz registrou uma intensa movimentação de navios, indicando a retomada do tráfego marítimo. Um ponto crucial em discussão no plano de cessar-fogo é a possibilidade de Irã e Omã cobrarem taxas de navios que passam pelo Estreito de Ormuz, uma via navegável internacional que nunca teve pedágios. Um funcionário regional envolvido nas negociações, que preferiu não ser identificado, revelou que o Irã planeja usar esses recursos para a reconstrução do país, após os ataques sofridos. Não foram especificados os detalhes sobre o uso da parte de Omã dos recursos. O Estreito de Ormuz está localizado em águas territoriais de Omã e do Irã. Apesar da trégua, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou estar "com as mãos no gatilho", indicando prontidão para retaliar, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, detalhou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura sob coordenação com as Forças Armadas iranianas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, justificou a suspensão das operações militares afirmando que os objetivos foram alcançados e que as negociações estão em estágio avançado, baseadas em uma proposta iraniana de 10 pontos. Trump celebrou o acordo como um "grande dia para a paz mundial" e previu uma "era de ouro do Oriente Médio". O Irã, por sua vez, confirmou o acordo e garantiu a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz durante o período da trégua, sob condições específicas. No entanto, o cessar-fogo de duas semanas não resolve questões fundamentais como o programa nuclear iraniano, mísseis balísticos e grupos aliados do Irã, que foram as justificativas para a guerra iniciada em fevereiro. O Irã exige a retirada das forças americanas, o levantamento de sanções e a liberação de ativos congelados para encerrar o conflito, condições consideradas inaceitáveis por Trump e potências ocidentais.
A notícia do cessar-fogo provocou euforia inicial nos mercados globais. Os preços do petróleo bruto registraram uma queda de até 15%, despencando abaixo de US$ 100 o barril, após o anúncio, embora os valores atuais ainda se encontrem em patamares mais elevados do que antes do início do conflito. Os preços futuros do Brent e do WTI registraram quedas significativas, assim como o diesel europeu. O mercado de criptomoedas também reagiu positivamente, com o Bitcoin (BTC) atingindo US$ 72.700 e o Ethereum (ETH) valorizando 7%, acompanhando o otimismo dos mercados tradicionais. A desescalada geopolítica pegou o mercado de derivativos de surpresa, resultando na liquidação de cerca de US$ 600 milhões em apostas futuras de criptomoedas, principalmente posições vendidas. O interesse aberto em futuros de criptomoedas subiu 7%, para US$ 114,26 bilhões, indicando nova entrada de capital no segmento. Apesar da alta, o Bitcoin permanece dentro de sua faixa de operação desde fevereiro, e analistas técnicos indicam que precisa superar US$ 75.000 para confirmar um rompimento de resistência. Essa redução nos preços do petróleo e a alta das criptomoedas podem ter implicações significativas para a economia brasileira, especialmente em relação à inflação e aos custos de combustíveis. Bancos centrais, que antes consideravam quedas de juros, agora sinalizam pausas ou até altas devido à incerteza econômica gerada pelo conflito. No Brasil, o conflito desvia o foco de agendas estruturais para soluções paliativas, como conter a alta do petróleo e diesel. Especialistas como Álvaro Maia e Olívia Flôres de Brás destacam que, apesar do alívio imediato, o cessar-fogo não elimina a baixa previsibilidade de uma negociação sustentada por interesses incompatíveis, mantendo a volatilidade nos mercados. O mundo pós-conflito terá um prêmio geopolítico mais alto, menor convicção sobre desinflação linear e maior propensão a episódios de volatilidade abrupta.
A comunidade internacional celebrou o anúncio do cessar-fogo, com líderes como o Papa Leão XIV, Emmanuel Macron e Volodymyr Zelensky expressando satisfação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também celebrou a trégua e pediu que os países trabalhem por um pacto para o encerramento definitivo do conflito, enfatizando a urgência de proteger vidas civis e aliviar o sofrimento humano. Jean Arnault, enviado especial da ONU, está no Oriente Médio para apoiar a paz duradoura. Contudo, Israel expressou preocupação com o acordo e exige mais compromissos do Irã, negando a extensão do cessar-fogo ao Líbano e retomando ataques. Manifestantes em Teerã queimaram bandeiras americanas e israelenses, pedindo a morte de "conciliadores", indicando um ambiente hostil para a paz duradoura. Negociações adicionais entre EUA e Irã estão programadas para começar no Paquistão, visando finalizar o acordo de paz.
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