O Irã considera o cessar-fogo com os EUA e Israel uma pausa nas hostilidades, resultado de pressão militar, e exige garantias para um acordo de paz definitivo, mantendo a ofensiva caso as negociações falhem.

As negociações para um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã encontram-se travadas, com ambos os países rejeitando o plano proposto pelo Paquistão. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o cessar-fogo de 14 dias com os EUA e Israel não significa o fim da guerra, mas sim uma pausa nas hostilidades, resultado da pressão militar iraniana. O Irã alega ter alcançado seus objetivos militares e políticos após 40 dias de confrontos, forçando os EUA a aceitarem um plano de 10 pontos. Entre as demandas iranianas estão garantias de não agressão, controle sobre o Estreito de Ormuz, suspensão de sanções e retirada de forças americanas da região. O governo iraniano confirmou a pausa e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas ressaltou que a medida foi resultado de pressão militar e não uma concessão.
Anteriormente, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, havia anunciado um acordo para uma trégua de duas semanas e a reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia condicionado a decisão de adiar ataques prometidos à reabertura da passagem, após ameaçar o Irã com a destruição de uma "civilização inteira". A ameaça de Trump gerou condenação de líderes políticos dos EUA, do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do Papa Leão XIV. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmou a reabertura do Estreito de Ormuz para passagem segura, sob condições, comunicando a decisão via X e garantindo a coordenação militar para a passagem segura. A notícia inicial do cessar-fogo e da reabertura do Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego de cerca de 20% do petróleo mundial, provocou uma queda de aproximadamente 20% no preço do petróleo WTI, que atingiu US$ 91,46 por barril. Os futuros do Brent também caíram 15%, ficando abaixo de US$ 100 por barril, aliviando os preços elevados.
Donald Trump anunciou o cessar-fogo de 14 dias na guerra contra o Irã, chamando-o de "grande dia para a paz mundial" e expressou otimismo de que esta trégua pode levar a uma "era de ouro" para o Oriente Médio. Os EUA se comprometeram a ajudar o Irã com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz, cuja reabertura é parte do acordo. Trump mencionou que o Irã poderá iniciar o processo de reconstrução e que haverá muitas ações positivas e arrecadação de dinheiro. Em resposta a essa queda nos preços do petróleo, os mercados globais reagiram positivamente: as bolsas asiáticas registraram forte alta, com índices como Kospi (Coreia do Sul) e Nikkei 225 (Japão) registrando altas de 6,25% e 4,97%, respectivamente. As ações europeias também subiram mais de 3%, com o índice pan-europeu STOXX 600 avançando 3,6%, caminhando para sua melhor sessão em um ano, e mercados regionais como o DAX da Alemanha e o FTSE 100 de Londres registrando altas significativas. Setores como viagens, indústria e bancos avançaram, enquanto o setor de energia recuou. Os futuros de Nova York também avançaram significativamente, enquanto as cotações do minério de ferro na China fecharam em queda, influenciadas pelo aumento das remessas e pelo cessar-fogo.
No entanto, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o Líbano não está incluído na trégua, apesar de ter sido inicialmente anunciado como parte do acordo. Israel tem mantido ataques constantes no Líbano desde 28 de fevereiro, visando o grupo Hezbollah. As forças israelenses invadiram o sul do Líbano e realizaram ataques aéreos em Beirute e no Vale do Beqaa, resultando em mais de 1.500 mortos e 4.800 feridos no Líbano. Em meio às tensões, a população do Irã foi às ruas de Teerã para apoiar o governo e formou correntes humanas para proteger usinas de energia, atendendo a uma convocação da TV estatal. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que milhões de iranianos estão "prontos para se sacrificar" pelo país, em resposta às ameaças americanas.
Os EUA exigem do Irã o não desenvolvimento de armas nucleares, limitação de mísseis, desativação de usinas de urânio e o fim do financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah. Por sua vez, o Irã exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações, liberação de ativos congelados e a retirada das forças americanas da região. O plano de paz iraniano de 10 pontos, que serviria de base para as negociações, prevê o controle iraniano do Estreito de Ormuz e a suspensão de sanções, mas mantém o enriquecimento de urânio. As negociações para um acordo de paz definitivo, inicialmente programadas para Islamabad, Paquistão, estão agora incertas devido à rejeição do plano de cessar-fogo, com o conselho iraniano alertando que manterá a ofensiva caso as negociações falhem, afirmando que suas mãos estão no gatilho. O Federal Reserve (Fed) divulgará a ata de sua última reunião de política monetária, o que pode impactar o cenário econômico.
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