Trump anuncia cessar-fogo e tarifas; Irã cobrará pedágio em Ormuz
Donald Trump impôs tarifas de 50% a países que armarem o Irã e anunciou um cessar-fogo de duas semanas, enquanto o Irã cobrará pedágio no Estreito de Ormuz e mercados globais reagem positivamente.
Pontos principais
- Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos de países que comercializarem armas militares com o Irã, sem isenções.
- EUA e Irã declararam um cessar-fogo provisório de duas semanas após um mês de conflito no Golfo Pérsico.
- O Irã passará a cobrar pedágio de embarcações no Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo, visando monitorar o fluxo e financiar a reconstrução.
- O acordo de cessar-fogo prevê a reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial.
- Trump afirmou que "muitos pontos já foram acordados" com o Irã, incluindo o cessar-fogo mediado pelo Paquistão.
- O Irã propôs um plano de 10 pontos para a paz, exigindo que os EUA aceitem seu programa de enriquecimento de urânio e levantem todas as sanções.
- Negociadores dos EUA e Irã se reunirão em Islamabad, Paquistão, para finalizar o acordo.
- O dólar abriu em queda de 1,39%, sendo negociado a R$ 5,085, e os preços do petróleo caíram significativamente após o anúncio do cessar-fogo.
- Mercados de ações globais, incluindo EUA, Europa e Ásia, registraram altas expressivas em resposta à notícia.
- O Papa Leão XIV elogiou o cessar-fogo, classificando-o como um "sinal de verdadeira esperança" e criticou as ameaças de Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos de países que fornecerem armas militares ao Irã. A medida, que entrará em vigor imediatamente e sem exceções, visa pressionar nações que apoiam o programa militar iraniano. O anúncio foi feito em uma postagem em rede social, um dia após o acordo de cessar-fogo. Trump também declarou que "muitos pontos já foram acordados" com o Irã, incluindo um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão para permitir negociações de paz definitivas. Ele negou que Teerã enriquecerá urânio e indicou cooperação para a remoção do estoque de urânio enriquecido do país, afirmando que o programa estará "perfeitamente controlado" sob o acordo.
O cessar-fogo provisório de duas semanas, declarado após um mês de conflito no Golfo Pérsico, prevê a reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial, com o Irã concordando em coordenar a passagem de embarcações com suas forças navais. Durante este período, o Irã passará a cobrar pedágio de navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, conforme reportado pelo Financial Times. A medida visa monitorar a circulação para evitar a transferência de armas e usar os recursos para a reconstrução de áreas danificadas pela guerra. A movimentação de navios no Estreito de Ormuz já aumentou após o início da trégua, com o Irã afirmando que a primeira embarcação passou com sua permissão. Os EUA, por sua vez, suspenderam novos bombardeios e ataques por 14 dias, período que será usado para negociar um cessar-fogo definitivo e uma arquitetura de paz regional. Trump afirmou que os EUA alcançaram uma "vitória militar decisiva" e cumpriram seus objetivos.
A notícia do cessar-fogo teve impacto imediato nos mercados globais, impulsionando o apetite por risco. O dólar à vista registrou uma queda de 1,36%, sendo negociado a R$ 5,085 na venda, e os preços do petróleo recuaram, com o barril de Brent caindo 15,31% e o WTI 17,26%, aproximando-se de US$ 90 por barril, com expectativa de retomada dos fluxos de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra outras moedas, atingiu o menor nível desde 11 de março. Mercados de ações na Europa, Ásia e EUA registraram altas expressivas. No Brasil, os juros futuros caíram significativamente, impulsionados pelo forte fechamento da curva de juros nos Estados Unidos e Europa.
Em resposta, o Irã propôs um plano de 10 pontos para pôr fim ao conflito com os Estados Unidos. O plano iraniano exige que os EUA aceitem o programa de enriquecimento de urânio do Irã e o levantamento de todas as sanções primárias e secundárias contra o país. Teerã também busca manter o controle contínuo sobre o Estreito de Ormuz. Negociadores dos EUA e Irã se reunirão em Islamabad, Paquistão, para finalizar o acordo, que a mídia iraniana classificou como um "recuo humilhante de Trump", alegando que os EUA aceitaram os termos de Teerã, incluindo o fim das sanções e compensações. Trump declarou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã foram cumpridos e que o plano de paz iraniano serve como base para o diálogo. Após o cessar-fogo, Trump afirmou que os Estados Unidos trabalharão em estreita colaboração com o Irã, após uma "mudança de regime" no país. Em uma publicação no Truth Social, o presidente dos EUA mencionou que haverá discussões sobre o alívio de tarifas e sanções com Teerã, reforçando que "não haverá enriquecimento de urânio" por parte do Irã. No entanto, críticos interpretam a vitória alardeada por Trump como uma concessão, especialmente porque o Irã mantém o controle sobre o Estreito de Ormuz e seu arsenal nuclear, e as metas iniciais dos EUA para a ofensiva militar não foram alcançadas. Embora o cessar-fogo seja visto como uma vitória temporária para Trump, o processo para alcançá-lo pode ter impactado a imagem dos EUA no cenário mundial, alterando a percepção global sobre o país.
O Secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, reforçou a posição americana, declarando "vitória militar decisiva" sobre o Irã, afirmando que o país foi "funcionalmente destruído" pelo conflito. O comandante das Forças Armadas dos EUA, Dan Caine, estimou que o Irã levará anos para reconstruir sua força de combate, corroborando a avaliação de Hegseth sobre o impacto da ofensiva americana. Trump, por sua vez, reiterou que "muitos pontos já foram acordados" com o Irã, incluindo a cooperação para remover o estoque de urânio enriquecido e a não-reabertura do Estreito de Ormuz, apesar de informações anteriores indicarem o contrário. Ele também mencionou discussões sobre tarifas e alívio de sanções. O Papa Leão XIV manifestou satisfação com o anúncio da trégua, chamando-a de "sinal de verdadeira esperança" e enfatizou que somente o retorno às negociações pode levar ao fim da guerra. O pontífice criticou as ameaças anteriores de Trump, classificando-as como "inaceitáveis" e violações do direito internacional, e fez um apelo global para que cidadãos cobrem o fim do conflito de seus representantes políticos, especialmente após uma postagem de Trump onde ele afirmava que "uma civilização inteira morrerá esta noite", chocando líderes mundiais.
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