As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã em Islamabad foram encerradas sem um acordo após 21 horas, com o vice-presidente americano J.D. Vance afirmando que o Irã não aceitou os termos dos EUA, incluindo a não proliferação nuclear.
As negociações de paz de alto risco entre os Estados Unidos e o Irã, articuladas pelo Paquistão, foram encerradas em Islamabad sem um acordo. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderou a delegação americana, afirmou que os Estados Unidos deixaram claras suas 'linhas vermelhas', mas o Irã 'não concordou com nossos termos'. O principal ponto de discórdia foi a recusa iraniana em aceitar o compromisso de não desenvolver uma arma nuclear, um objetivo central para os EUA. As conversas de alto nível duraram 21 horas, com Vance mantendo contato constante com o presidente Donald Trump e outros membros do governo dos EUA. Este impasse indica a persistência das tensões entre as duas nações, apesar dos esforços diplomáticos para resolver o conflito iniciado em 28 de fevereiro. As delegações eram lideradas por Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, com a cooperação da CIA em temas como minerais críticos e criptomoedas. O encontro ocorreu no Serena Hotel, em Islamabad, sob um esquema de segurança sem precedentes.
Um avanço significativo durante o período das negociações foi a reabertura do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito. Três superpetroleiros, incluindo o Serifos, Cospearl Lake e He Rong Hai, passaram pelo estreito após o acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, marcando o fim do bloqueio iraniano que havia interrompido o fornecimento global de energia e elevado os preços do petróleo. Dois desses superpetroleiros, o Cospearl Lake e o He Rong Hai, são chineses e fretados pela Unipec, braço comercial da gigante chinesa de energia Sinopec. Dados de navegação fornecidos pela LSEG confirmaram que a travessia dos navios chineses ocorreu neste sábado (11), transportando petróleo bruto da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque, com destino a portos como Malaca, na Malásia.
A reabertura do Estreito de Ormuz e o anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã provocaram uma queda significativa nos preços globais do petróleo. O petróleo Brent caiu 13% para US$ 94,80 o barril, e o petróleo negociado nos EUA caiu mais de 15% para US$ 95,75, embora os preços ainda estejam acima dos níveis pré-conflito. Essa queda pode beneficiar o Brasil, aliviando a pressão sobre os preços dos combustíveis e o pacote de R$ 30 bilhões do governo Lula para mitigar o encarecimento do diesel. Os mercados de ações na Ásia-Pacífico e os futuros de Wall Street dispararam em resposta ao cessar-fogo, que pode aliviar a escassez de energia na região. No entanto, analistas alertam que a retomada total da produção de energia no Oriente Médio levará tempo devido aos danos na infraestrutura, que podem custar mais de US$ 25 bilhões para reparar.
Durante as negociações, a delegação iraniana, composta por cerca de 70 membros, expressou desconfiança. A imprensa iraniana reportou que os Estados Unidos estavam fazendo 'exigências excessivas' sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que as conversações não começariam até que promessas de desbloqueio de ativos e um cessar-fogo israelense no Líbano fossem cumpridas. Os principais pontos de divergência incluíram o Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, cuja reabertura é exigida por Donald Trump. O Irã, por sua vez, reivindicou o desbloqueio de ativos, indenização por ataques norte-americanos e israelenses, o fim da guerra e de futuros ataques, o encerramento das sanções e o controle do Estreito de Ormuz, além da interrupção dos ataques israelenses ao Hezbollah. Os EUA propuseram restrições ao programa nuclear iraniano, a desistência do arsenal de mísseis balísticos iranianos e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
Paralelamente às negociações, Israel realizou ataques aéreos na Faixa de Gaza, matando seis pessoas em um posto de segurança em Bureij, e múltiplos ataques no sul do Líbano, que resultaram na morte de ao menos três pessoas em Maifadoun e seis em Beirute. Militares israelenses afirmaram que o alvo em Gaza eram militantes do Hamas. A insistência de Israel em atacar o Líbano, visando o Hezbollah, ameaçou o cessar-fogo e a concretização do acordo. Apesar disso, Israel e Líbano anunciaram a aprovação para negociações de paz, com o Líbano buscando um cessar-fogo imediato e reportando mais de 2 mil mortos e 6,4 mil feridos desde 2 de março devido aos ataques israelenses.
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