O Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas, após um acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos. A decisão segue o adiamento do ultimato imposto pelo presidente Donald Trump, que expiraria nesta terça-feira (7). Trump havia condicionado qualquer acordo à abertura completa do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para o transporte de petróleo global. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou o acordo e indicou que Teerã suspenderá suas ações defensivas. A Casa Branca confirmou que uma resposta oficial seria emitida em breve, e o anúncio da reabertura do estreito, que esteve fechado por 39 dias durante o conflito no Oriente Médio, marca um alívio nas tensões regionais e nos mercados globais.
O adiamento do ultimato e a subsequente reabertura do estreito ocorreram após a mediação do Paquistão, através do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do chefe do Exército paquistanês, Asim Munir. Sharif, em seu segundo mandato, atuou como intermediador diplomático, enquanto Munir, considerado o 'homem mais poderoso' do Paquistão, teve contato direto com Trump para discutir a guerra e mediar conversas entre EUA, Irã e Israel. Segundo o New York Times, citando três autoridades iranianas, a China também interveio para que o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, aceitasse a proposta de cessar-fogo. Trump declarou um "CESSAR-FOGO de dois lados" e afirmou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã foram cumpridos, indicando que as negociações para um acordo de paz estão avançadas. Os EUA receberam uma proposta de plano de paz de 10 pontos do Irã, considerada uma base viável para negociação, e o período de duas semanas permitirá a finalização do acordo entre os dois países.
As tensões na região haviam escalado com ameaças de Trump e ataques aéreos registrados no Oriente Médio, incluindo a ilha de Kharg e alvos em território iraniano por Israel. Bombardeios foram registrados antes do prazo de Trump, com ataques dos EUA à ilha de Kharg e de Israel a alvos iranianos. O Irã reagiu convocando a população e lançando ataques contra países vizinhos no Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein. O Irã exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensação e liberação de ativos congelados como parte de uma proposta de paz. A TV estatal do Irã classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump", enquanto a mídia iraniana ressaltou que a trégua não significa o fim da guerra.
O Estreito de Ormuz é crucial para a economia global, pois por ele passa cerca de 20% do petróleo mundial. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, com apenas 33 km de largura em seu ponto mais estreito. Países da OPEP como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque exportam a maior parte de seu petróleo por esta rota, e o Catar, um grande exportador de gás natural liquefeito, também o utiliza para quase toda sua produção. O fechamento anterior do estreito teve um impacto significativo na economia global, e a reabertura é vista como um passo positivo para a estabilidade.
A decisão de Trump e a reabertura do estreito provocaram uma reação nos mercados globais. O preço do petróleo bruto WTI despencou até 11%, sendo negociado abaixo de US$ 101 o barril, enquanto o Brent fechou em torno de US$ 109, com uma queda de mais de 6% no after market. As bolsas de Nova York fecharam mistas, com o Dow Jones em baixa e o S&P 500 e Nasdaq em alta, refletindo o alívio dos investidores com a diminuição das tensões. No Brasil, o Ibovespa registrou sua sexta alta consecutiva, fechando com 0,05% de valorização, a 188.258,91 pontos, impulsionado pela proposta de mediação do Paquistão. O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,33% frente ao real, fechando a R$ 5,164, e os juros futuros (DIs) subiram em toda a curva.
G1 Mundo • 7 abr, 20:17
G1 Mundo • 7 abr, 20:29
G1 Mundo • 7 abr, 20:37
8 abr, 09:00
8 abr, 07:01
7 abr, 22:01
6 abr, 09:01
5 abr, 14:02