Visão geral
"Penduricalhos no Judiciário" refere-se a pagamentos adicionais à remuneração base de magistrados e membros do Ministério Público, frequentemente classificados como verbas indenizatórias ou direitos eventuais. Estes pagamentos, que podem exceder o teto remuneratório do funcionalismo público, tornaram-se objeto de controvérsia e debate no Brasil, especialmente após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que visam regulamentar sua legalidade e compatibilidade com a Constituição Federal.
Contexto histórico e desenvolvimento
A questão dos penduricalhos tem sido um ponto de discussão sobre a remuneração no serviço público brasileiro, particularmente no Poder Judiciário. Em 2025, a juíza do Trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), manifestou-se contra as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que suspenderam pagamentos de penduricalhos não previstos em lei. A juíza, que em 2025 recebeu R$ 709.998 líquidos em salários, incluindo verbas indenizatórias que complementam seu subsídio mensal de R$ 42.749, argumentou que a magistratura de primeiro grau enfrenta condições de trabalho precárias e que a supressão desses benefícios agrava a situação. Ela também destacou a fragmentação remuneratória entre diferentes esferas da Justiça, defendendo a necessidade de equalização das verbas. As reclamações geraram críticas internas no STF, com ministros avaliando que o discurso em defesa dos pagamentos além do teto não encontra respaldo na realidade. O STF adiou a análise das liminares que suspenderam os pagamentos para 25 de março, e o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, anunciou a criação de um grupo de trabalho para formular uma proposta de regra de transição sobre as verbas indenizatórias.
Linha do tempo
- Agosto de 2024: Cláudia Márcia de Carvalho Soares deixa de sofrer descontos de Imposto de Renda devido a isenção por doença grave.
- 2025: Cláudia Márcia de Carvalho Soares recebe R$ 709.998 líquidos em salários, incluindo verbas indenizatórias.
- Dezembro de 2025: Mês de maior remuneração para Cláudia, com R$ 128.218.
- Fevereiro de 2026: Ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes proferem decisões suspendendo penduricalhos não previstos em lei.
- 25 de fevereiro de 2026: Cláudia Márcia de Carvalho Soares critica a suspensão dos penduricalhos em audiência no STF.
- 26 de fevereiro de 2026: Gilmar Mendes decide que verbas indenizatórias só podem ser pagas com previsão em leis aprovadas pelo Congresso Nacional, fixando prazo de 60 dias para suspensão de pagamentos baseados em leis estaduais.
- 26 de fevereiro de 2026: O STF adia para 25 de março a análise das liminares que suspenderam os pagamentos e anuncia a criação de um grupo de trabalho para propor uma regra de transição.
Principais atores
- Cláudia Márcia de Carvalho Soares: Juíza do Trabalho aposentada e presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), defensora da manutenção dos penduricalhos.
- Flávio Dino: Ministro do Supremo Tribunal Federal, um dos responsáveis por decisões que suspenderam penduricalhos.
- Gilmar Mendes: Ministro do Supremo Tribunal Federal, responsável por decisões que suspenderam penduricalhos e por determinar que verbas indenizatórias necessitam de previsão em leis federais.
- Edson Fachin: Presidente do Supremo Tribunal Federal, anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir a questão.
- Supremo Tribunal Federal (STF): Corte responsável por analisar e decidir sobre a legalidade e constitucionalidade dos pagamentos.
- Conselho Nacional de Justiça (CNJ): Órgão que monitora a remuneração dos magistrados através do Painel de Remuneração.
- Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT): Entidade representativa da magistratura trabalhista, que se posicionou contra a suspensão dos penduricalhos.
Termos importantes
- Penduricalhos: Termo informal para se referir a pagamentos adicionais à remuneração base de servidores públicos, frequentemente classificados como verbas indenizatórias ou direitos eventuais, que podem complementar o salário e, em alguns casos, exceder o teto constitucional.
- Teto remuneratório: Limite máximo de remuneração para servidores públicos no Brasil, estabelecido pela Constituição Federal, geralmente vinculado ao subsídio dos ministros do STF.
- Verbas indenizatórias: Pagamentos destinados a compensar gastos ou prejuízos sofridos pelo servidor no exercício de suas funções, que, por sua natureza, não seriam considerados salário e, portanto, estariam fora do teto remuneratório. A legalidade e a abrangência dessas verbas são o cerne da controvérsia.
- Subsídio: Forma de remuneração de agentes políticos e de algumas categorias de servidores públicos, estabelecida em parcela única, vedado o acréscimo de gratificações, adicionais, abonos, prêmios ou outras espécies remuneratórias.
- Liminar: Decisão provisória de um juiz ou tribunal, concedida em caráter de urgência, antes do julgamento final do mérito de uma ação, para evitar danos irreparáveis ou de difícil reparação.