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Chevron

A Chevron é a segunda maior petroleira dos EUA, descendente da Standard Oil, com sede em Houston e comandada por Mike Wirth desde 2018. Comprou a Hess em 2025 e ganhou 30% do bloco Stabroek, na Guiana; amplia a operação na Venezuela e tem nove blocos na Foz do Amazonas. Em 30 de outubro de 2026 informou lucro de US$ 9,9 bilhões no terceiro trimestre, quase o triplo de um ano antes, puxado pelo refino e pelo petróleo mais caro.

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Foto: Tony Webster / CC BY 2.0

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O que é a Chevron

A Chevron Corporation é uma petroleira dos Estados Unidos, a segunda maior do país em receita, atrás da ExxonMobil. Descende da Standard Oil, de John D. Rockefeller, e tem sede em Houston, no Texas.

  • Negócio: integrada, atua da exploração e produção de petróleo e gás (upstream) ao refino, à distribuição de combustíveis, lubrificantes e aditivos e à petroquímica (downstream).
  • Tamanho: produziu 3,98 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026; nos EUA, refinou o recorde de 1,09 milhão de barris por dia no mesmo período.
  • Marcas: Chevron, Texaco, Caltex, Havoline, Techron e Delo.
  • Ações: negociadas na Bolsa de Nova York com o código CVX; é a única petroleira entre as 30 empresas do índice Dow Jones desde a saída da ExxonMobil, em 2020. A Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, é acionista e vendeu cerca de US$ 8 bilhões em ações da Chevron no primeiro trimestre de 2026, segundo a Bloomberg.
  • Data centers: em junho de 2026 fechou com a Microsoft um contrato de 20 anos para fornecer energia, gerada a gás natural do Permiano, a um data center no oeste do Texas.
  • Comando: Mike Wirth é presidente do conselho e CEO desde 1º de fevereiro de 2018.
  • Sede: saiu de San Ramon, na Califórnia, para Houston; a mudança foi anunciada em 2 de agosto de 2024.

Chevron no Brasil

A Chevron está no Brasil há mais de 100 anos, primeiro com a venda de produtos Texaco e, desde 1997, também na exploração e produção de petróleo, segundo a própria empresa.

  • Exploração: em 17 de junho de 2025, no 5º Ciclo da Oferta Permanente da ANP, a Chevron Brasil Óleo e Gás arrematou como operadora nove blocos na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, em consórcio com a chinesa CNPC (65% e 35% em seis blocos, 50% e 50% em três). Os contratos foram assinados em 5 de dezembro de 2025. Em setembro de 2026 a empresa começou as atividades de exploração na bacia, segundo a Folha de S.Paulo. A empresa também tem participação em blocos em águas profundas na costa do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.
  • Mauá (SP): a Chevron tem em Mauá uma fábrica da Oronite, sua divisão de aditivos para lubrificantes.
  • Lubrificantes e postos: tem 46% da Iconic, joint venture de lubrificantes e graxas em que a Ultrapar tem 54%, e a marca Texaco segue em postos de combustíveis no país.
  • Ipiranga: em 9 de março de 2026 o Brazil Journal noticiou que a Chevron negociava a compra de 30% da distribuidora Ipiranga, da Ultrapar. Questionada pela CVM, a Ultrapar não confirmou nem negou a negociação, e nenhum acordo foi anunciado desde então.
  • Campo de Frade: a Chevron operou o campo de Frade, na bacia de Campos (RJ). Em 7 de novembro de 2011, a perfuração de um poço provocou um vazamento de cerca de 3.700 barris de petróleo no mar, a 120 km da costa, segundo a ANP, que concluiu que o acidente poderia ter sido evitado. Em 2019 a Chevron vendeu sua fatia de 51,74% em Frade para a PetroRio (hoje PRIO), operação aprovada sem restrições pelo Cade em fevereiro daquele ano.

Resultado do terceiro trimestre de 2026

Foto: Bastique / CC BY-SA 4.0

A Chevron divulgou em 30 de outubro de 2026 o balanço do terceiro trimestre:

  • Lucro líquido: US$ 9,9 bilhões (US$ 5,06 por ação), ante US$ 3,5 bilhões (US$ 1,82 por ação) no mesmo trimestre de 2025 e US$ 12,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
  • Lucro ajustado: US$ 10,4 bilhões, ou US$ 5,28 por ação, acima dos US$ 4,89 esperados por analistas consultados pela LSEG, segundo a CNBC. A receita foi de US$ 67,8 bilhões.
  • Refino: o lucro do downstream foi de US$ 4,9 bilhões, contra US$ 1,1 bilhão um ano antes, com margens maiores na venda de combustíveis; as refinarias nos EUA operaram com cerca de 98% de utilização.
  • Produção: o lucro do upstream foi de US$ 5,7 bilhões. A produção caiu em relação a 2025, efeito de menores direitos de produção com preços mais altos e do conflito no Oriente Médio (ver Guerra do Irã), compensados em parte por recordes na Austrália e no Mediterrâneo Oriental.
  • Caixa e dívida: fluxo de caixa operacional de US$ 16 bilhões; a dívida total caiu mais US$ 3,5 bilhões no trimestre.

"O sistema está sob estresse", disse Wirth à CNBC no dia do balanço, sobre o mercado de petróleo. A ExxonMobil divulgou seu resultado no mesmo dia, também acima das previsões.

Compra da Hess e o petróleo da Guiana

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Why America’s Two Biggest Oil Companies are Fighting Over Guyana

Em 23 de outubro de 2023 a Chevron anunciou a compra da Hess Corporation, num negócio em ações avaliado em cerca de US$ 53 bilhões. O principal ativo era a fatia de 30% da Hess no bloco Stabroek, na costa da Guiana, que tem mais de 11 bilhões de barris de óleo equivalente descobertos e recuperáveis.

A ExxonMobil, operadora do bloco, e a chinesa CNOOC, sócias da Hess em Stabroek, abriram arbitragem na Câmara de Comércio Internacional (CCI), em Paris, alegando direito de preferência na compra da fatia. A disputa atrasou o fechamento por mais de um ano. A CCI decidiu a favor da Chevron, que concluiu a compra em 18 de julho de 2025. Além da Guiana, a Hess trouxe 463 mil acres líquidos na formação Bakken, em Dakota do Norte, e ativos no Golfo da América e no Sudeste Asiático.

Depois da compra, em 6 de outubro de 2026, a Chevron anunciou a venda de suas participações na Hess Midstream e em ativos de transporte de petróleo na bacia DJ, em troca de condições comerciais melhores no Bakken. Em outubro de 2026 a empresa também deixou de financiar estudos para um porto de águas profundas na Guiana iniciados pela Hess, segundo a Bloomberg.

Venezuela

A Chevron opera na Venezuela desde 1923 e é a principal empresa estrangeira de petróleo no país, sócia da estatal PDVSA em joint ventures (Petroindependencia, Petropiar e Petroboscan). Em 2 de setembro de 2026 a empresa anunciou acordos com a Venezuela que atualizam os termos dessas joint ventures e ampliam sua área na Faixa do Orinoco. As joint ventures planejam investir US$ 7 bilhões em cinco anos; segundo a Folha de S.Paulo, o objetivo é dobrar a produção até 2031. No terceiro trimestre de 2026 a produção venezuelana passou a entrar no balanço pelo método de equivalência patrimonial, o que acrescentou um mês de produção ao período.

Liderança

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Chevron CEO Mike Wirth on Global Inventories and Energy Security

  • Mike Wirth: presidente do conselho e CEO desde fevereiro de 2018. Em 2023 o conselho dispensou a idade obrigatória de aposentadoria de 65 anos para que ele continuasse no cargo.
  • Mudanças a partir de 1º de janeiro de 2027, anunciadas em 5 de outubro de 2026: Jeff Gustavson, presidente da área de Novas Energias, passa a diretor financeiro (CFO); Eimear Bonner, CFO desde 2024, assume como presidente de Óleo, Produtos e Gás; Mark Nelson segue vice-presidente do conselho, responsável por estratégia e desenvolvimento de negócios; e Brent Gros, presidente da área Offshore, vai para Novas Energias, que inclui hidrogênio, energia, captura de carbono e biocombustíveis.

História

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O fim do monopólio da Standard Oil | GIGANTES DA INDÚSTRIA | HISTORY

  • Origem: em 1876 a Star Oil encontrou petróleo em Pico Canyon, ao norte de Los Angeles. Seus ativos foram comprados em 1879 pela Pacific Coast Oil Company, adquirida pela Standard Oil em 1900 e rebatizada Standard Oil Company (California) em 1906.
  • Fim da Standard Oil: em 1911 o governo americano dividiu a Standard Oil pela lei antitruste; a fatia da Califórnia virou a Socal, uma das "Sete Irmãs" que dominaram o petróleo mundial no século XX.
  • Arábia Saudita: em 1933 a Socal obteve a concessão para buscar petróleo no país, achou petróleo em 1938 e, em 1948, descobriu Ghawar, o maior campo de petróleo do mundo. Sua subsidiária deu origem à Aramco, hoje Saudi Aramco, estatizada pelos sauditas até 1980.
  • Gulf e o nome Chevron: em 1984 a Socal comprou a Gulf Oil, então a maior fusão da história, e adotou o nome Chevron Corporation, marca que já usava no varejo.
  • Texaco e Unocal: a compra da Texaco, anunciada em 2000 por US$ 45 bilhões, foi concluída em 9 de outubro de 2001; a empresa se chamou ChevronTexaco até 2005, ano em que comprou a Unocal por US$ 18,4 bilhões.
  • Década de 2020: comprou a Noble Energy em 2020 e a Hess em 2025.

Polêmicas

  • Equador (Lago Agrio): a Texaco, comprada pela Chevron em 2001, operou na Amazônia equatoriana até 1992. Em 2011 uma corte do Equador condenou a Chevron a pagar US$ 9,5 bilhões por danos ambientais; a empresa se recusou a pagar e retirou seus ativos do país.
  • Vazamento no Brasil: o acidente de Frade, em 2011, rendeu multa do governo e uma investigação da ANP que apontou erros de projeto e de operação da empresa.
  • Preço dos combustíveis: em agosto de 2026 o presidente Donald Trump cobrou redução no preço da gasolina e criticou a ExxonMobil e a Chevron pelos lucros com a alta do petróleo durante a guerra no Irã.

Linha do tempo

  • 1876: a Star Oil encontra petróleo em Pico Canyon, na Califórnia.
  • 1906: a empresa passa a se chamar Standard Oil Company (California).
  • 1911: a Standard Oil é dividida pela Justiça americana.
  • 1984: compra da Gulf Oil e adoção do nome Chevron.
  • 9 de outubro de 2001: concluída a compra da Texaco.
  • 7 de novembro de 2011: vazamento no campo de Frade, na bacia de Campos.
  • 1º de fevereiro de 2018: Mike Wirth assume como CEO.
  • 23 de outubro de 2023: anunciada a compra da Hess.
  • 2 de agosto de 2024: anunciada a mudança da sede para Houston.
  • 17 de junho de 2025: Chevron arremata nove blocos na Foz do Amazonas.
  • 18 de julho de 2025: concluída a compra da Hess, após decisão arbitral contra a ExxonMobil.
  • 2 de setembro de 2026: acordos com a Venezuela e plano de investir US$ 7 bilhões.
  • 5 de outubro de 2026: anunciada a troca de diretor financeiro a partir de 2027.
  • 30 de outubro de 2026: lucro de US$ 9,9 bilhões no terceiro trimestre.

Perguntas frequentes

O que é a Chevron?

A Chevron é uma petroleira americana com sede em Houston, a segunda maior dos EUA, que produz petróleo e gás, refina e vende combustíveis e lubrificantes.

A Chevron atua no Brasil?

Sim. Tem nove blocos de exploração na Foz do Amazonas arrematados em 2025, participações em blocos no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, a fábrica de aditivos Oronite em Mauá (SP), 46% da Iconic Lubrificantes e a marca Texaco em postos.

Quanto a Chevron lucrou no terceiro trimestre de 2026?

US$ 9,9 bilhões, quase o triplo dos US$ 3,5 bilhões do mesmo período de 2025, puxados pelas margens do refino e pelo petróleo mais caro.

Quem é o CEO da Chevron?

Mike Wirth, que comanda a empresa desde fevereiro de 2018 e também preside o conselho.

Qual o código da ação da Chevron?

CVX, na Bolsa de Nova York.

A Chevron é a mesma empresa da Texaco?

A Chevron comprou a Texaco em 2001 e mantém Texaco como marca de combustíveis e lubrificantes.

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