O que é a ExxonMobil
A ExxonMobil é a maior petroleira de capital aberto dos Estados Unidos e a maior empresa de petróleo do mundo controlada por investidores privados, sem participação de governo. Tem sede em Spring, no Texas, na região metropolitana de Houston. Atua em toda a cadeia: explora e produz petróleo e gás (o "upstream"), refina combustíveis, fabrica produtos químicos e plásticos e vende lubrificantes. No varejo, usa as marcas Exxon, Mobil e Esso.
A empresa nasceu em 30 de novembro de 1999, da fusão da Exxon com a Mobil, duas herdeiras da Standard Oil de John D. Rockefeller. Desde 1º de julho de 2026, a controladora listada em bolsa se chama ExxonMobil Holdings Corporation, uma sociedade do Texas. A antiga Exxon Mobil Corporation, de Nova Jersey, virou subsidiária integral dela. A troca não mudou os acionistas: cada ação antiga foi trocada por uma ação nova, e o código XOM continuou o mesmo na Bolsa de Nova York.
A ExxonMobil não tem um dono controlador. As ações estão pulverizadas entre fundos e investidores na bolsa. Quem dirige a empresa é o conselho de administração, presidido pelo CEO Darren Woods.
A companhia divide os resultados em quatro segmentos: Upstream (exploração e produção), Energy Products (refino e combustíveis), Chemical Products (químicos) e Specialty Products (lubrificantes e especialidades). No 3º trimestre de 2026, produziu cerca de 4,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
Ações e dividendos
As ações da ExxonMobil são negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) com o código XOM. No Brasil, o investidor compra a empresa por meio de BDR (recibo de ações estrangeiras) na B3, com o código EXXO34. É um programa não patrocinado do Banco B3, em que cada ação XOM lastreia 8 BDRs.
Em 30 de outubro de 2026, a ação era cotada perto de US$ 187, alta de cerca de 55% no ano, segundo a MarketScreener. O EXXO34 fechou a R$ 121,20 em 28 de outubro de 2026.
A empresa aumenta o dividendo anual por ação há 44 anos seguidos. O dividendo do 4º trimestre de 2026 é de US$ 1,07 por ação, pago em 10 de dezembro de 2026 a quem tiver as ações em 16 de novembro de 2026. No 3º trimestre, a ExxonMobil distribuiu US$ 9,4 bilhões aos acionistas: US$ 4,3 bilhões em dividendos e US$ 5,1 bilhões em recompra de ações. Para 2027, anunciou recompras de US$ 20 bilhões, o mesmo valor de 2026.
Resultado do 3º trimestre de 2026
A ExxonMobil divulgou o balanço do 3º trimestre em 30 de outubro de 2026. Os números do comunicado da empresa:
- Lucro líquido: US$ 15,4 bilhões (US$ 3,72 por ação), contra US$ 14,5 bilhões no 2º trimestre.
- Lucro ajustado: US$ 17,5 bilhões (US$ 4,23 por ação). A média das estimativas de analistas compilada pela LSEG era de US$ 4,08 por ação, segundo a Reuters.
- Receita: US$ 113,16 bilhões, alta de 33% sobre o mesmo trimestre de 2025, segundo a AP.
- Fluxo de caixa operacional: US$ 25,7 bilhões; fluxo de caixa livre de US$ 19,1 bilhões.
- Acumulado de 2026 até setembro: lucro de US$ 34,1 bilhões, contra US$ 22,3 bilhões no mesmo período de 2025.
O refino puxou o resultado. O lucro ajustado de Energy Products somou US$ 9,05 bilhões, mais que o dobro do trimestre anterior. Os combates no Oriente Médio, ligados à Guerra do Irã, e os ataques ucranianos a refinarias russas tiraram de operação parte da capacidade mundial de fabricar combustíveis e causaram falta de diesel. As margens das refinarias que seguiram operando dispararam. As refinarias da ExxonMobil na costa do Golfo dos EUA operaram com 100% de uso das unidades de destilação e tiveram a segunda maior produção de diesel da história.
O upstream foi na direção contrária: o lucro ajustado caiu para US$ 7,3 bilhões, 20% abaixo do 2º trimestre, porque o petróleo Brent ficou mais barato que nos três meses anteriores. A Chevron, que divulgou o balanço no mesmo dia, também teve lucro puxado pelo refino.
Plano de investimentos até 2030
Em entrevista à CNBC em 30 de outubro de 2026, Darren Woods disse que a ExxonMobil vai investir US$ 100 bilhões entre 2027 e 2030, somando todos os negócios no mundo. Cerca de 10% desse valor vai para refino. Na mesma entrevista, Woods rebateu a ideia de um imposto sobre lucros extraordinários: disse que os preços estão altos por falta de oferta e que punir as empresas criaria incerteza para novos investimentos.
O plano se apoia em projetos já em andamento: a expansão na Guiana, o gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique e de Papua-Nova Guiné, o xisto do Permiano e projetos de captura e armazenamento de carbono. No 3º trimestre, a empresa iniciou a captura de carbono para a siderúrgica Nucor e recebeu aprovação para o projeto de armazenamento Rose, no Texas.
Guiana, Moçambique e outros projetos
Guiana. A ExxonMobil opera o bloco Stabroek, no mar da Guiana, com 45% de participação. A Chevron (via Hess) tem 30%, e a chinesa CNOOC, 25%. O primeiro óleo saiu do campo de Liza em 20 de dezembro de 2019. Em 28 de setembro de 2026, a empresa anunciou que o bloco tinha produzido seu barril de número 1 bilhão. Quatro plataformas flutuantes (Liza Destiny, Liza Unity, Prosperity e ONE GUYANA) somam capacidade de mais de 900 mil barris por dia. A quinta, do projeto Uaru, deve entrar em operação até o fim de 2026. Whiptail está prevista para 2027 e Hammerhead para 2029. A empresa estima os recursos do bloco em pouco menos de 11 bilhões de barris de óleo equivalente.
Moçambique. A ExxonMobil é a operadora do projeto Rovuma LNG, de gás natural liquefeito, no norte do país. Em 30 de outubro de 2026, o diretor financeiro Neil Hansen informou à Bloomberg que a participação da empresa subiu de 37,5% para 50%, numa troca de ativos com a italiana Eni. A Eni recebe outras áreas na mesma região. Os sócios querem tomar a decisão final de investimento até o fim de 2026, e Hansen disse que este pode ser o maior projeto já operado pela ExxonMobil. O projeto ficou parado por anos depois de ataques de insurgentes na província de Cabo Delgado, em 2021.
Outros. A ExxonMobil assumiu a operação do Papua LNG, em Papua-Nova Guiné, e fechou acordo para subir sua fatia nesse projeto para 34%. O campo de areias betuminosas de Kearl, no Canadá, também chegou a 1 bilhão de barris produzidos. Em setembro de 2026, a empresa assinou um acordo para explorar xisto no Azerbaijão e, segundo a Reuters, conversou sobre uma possível volta à Venezuela.
ExxonMobil no Brasil
A empresa chegou ao Brasil em 17 de janeiro de 1912, com o nome Standard Oil Company of Brazil, autorizada por decreto do presidente Hermes da Fonseca. Foi a primeira petroleira a se instalar no país. A marca Esso, o tigre dos postos e o noticiário "Repórter Esso" (que deu origem ao Prêmio Esso de Jornalismo) vêm dessa história.
Em 1º de dezembro de 2008, a Cosan concluiu a compra da Esso Brasileira de Petróleo e das empresas de distribuição de combustíveis e lubrificantes da ExxonMobil no Brasil. Pagou US$ 715 milhões e assumiu US$ 175 milhões em dívidas. A rede tinha mais de 1.500 postos. Desde então, a ExxonMobil não opera postos no país.
Hoje a empresa tem três frentes no Brasil:
- Exploração e produção (Rio de Janeiro). A ExxonMobil tem 40% do campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, a 185 km de Ilhabela (SP). A norueguesa Equinor é a operadora, com 40%, e a Petrogal Brasil (Galp e Sinopec) tem 20%. Bacalhau começou a produzir em 15 de outubro de 2025 e foi o primeiro óleo da ExxonMobil no Brasil. A plataforma tem capacidade de 220 mil barris por dia, e as reservas da 1ª fase passam de 1 bilhão de barris. Em outubro de 2026, a empresa informou que o campo tinha produzido 25 milhões de barris no primeiro ano.
- Margem Equatorial. Em 17 de junho de 2025, um consórcio da ExxonMobil com a Petrobras arrematou dez blocos na Bacia da Foz do Amazonas, no 5º Ciclo da Oferta Permanente da ANP. Cada empresa tem 50%: a Petrobras opera cinco blocos e a ExxonMobil, os outros cinco. Os contratos foram assinados em 5 de dezembro de 2025.
- Centro Global de Negócios (Curitiba). Em operação desde 1999, presta serviços de tecnologia da informação, contabilidade, finanças e atendimento para mais de 70 países. Em 2024 tinha cerca de 1.900 funcionários, segundo a Gazeta do Povo. Em São Paulo, a empresa mantém a área de produtos químicos.
Quem comanda a ExxonMobil
Darren Woods, nascido em 16 de dezembro de 1965, é presidente do conselho e CEO desde 1º de janeiro de 2017. Ele substituiu Rex Tillerson, que se aposentou e foi secretário de Estado no primeiro governo de Donald Trump, entre 2017 e 2018. Antes de Tillerson, a empresa foi comandada por Lee Raymond, que conduziu a fusão com a Mobil em 1999. Raymond morreu em 6 de junho de 2026, em Dallas, aos 87 anos.
A gestão de Woods ficou marcada pela compra da Pioneer, pela expansão na Guiana e pela mudança da sede legal para o Texas. Em 3 de agosto de 2026, Trump disse que a ExxonMobil e a Chevron estavam "ganhando dinheiro demais" com a alta dos combustíveis durante a guerra no Irã e que deveriam "devolver parte disso ao público". O diretor financeiro é Neil Hansen.
História
A ExxonMobil descende da Standard Oil, fundada por John D. Rockefeller em 1870 em Ohio. Em 1911, a Suprema Corte dos EUA ordenou a divisão do truste por práticas anticompetitivas. Duas das empresas que surgiram dali deram origem à ExxonMobil:
- Standard Oil of New Jersey (Jersey Standard), que comprou a Humble Oil nos anos 1930 e, em 1972, unificou as marcas Esso, Enco e Humble sob o nome Exxon.
- Standard Oil of New York (Socony), que se uniu à Vacuum Oil em 1931 e passou a se chamar Mobil.
Exxon e Mobil anunciaram a fusão em 1998 e a concluíram em 30 de novembro de 1999. Juridicamente, a Exxon comprou a Mobil, e o código da ação na bolsa passou de XON para XOM.
Em maio de 2024, a empresa concluiu a compra da Pioneer Natural Resources, num negócio em ações de quase US$ 60 bilhões anunciado em outubro de 2023. A compra mais que dobrou sua área no Permiano, bacia de xisto no Texas e no Novo México. A FTC, agência antitruste americana, só aprovou o negócio depois que a ExxonMobil se comprometeu a não pôr o fundador da Pioneer, Scott Sheffield, no conselho. A FTC acusava Sheffield de tentar alinhar a produção do Permiano com a Opep. Em setembro de 2026, Sheffield escreveu em suas memórias que Woods o "traiu" ao aceitar a condição.
A sede da empresa ficou em Nova York até 1989, quando Lee Raymond a levou para Irving, no Texas. Em 2023, ela se mudou para o campus de Spring, ao norte de Houston. Em maio de 2026, os acionistas aprovaram a troca do domicílio legal de Nova Jersey para o Texas, que entrou em vigor em 1º de julho de 2026.
Polêmicas
Exxon Valdez. Em 24 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez bateu no recife Bligh, na baía Prince William, no Alasca, e derramou mais de 37 mil toneladas de petróleo. O óleo atingiu cerca de 2.100 km de costa. Até hoje é o segundo maior vazamento em águas dos EUA, atrás do Deepwater Horizon, da BP, em 2010.
Clima. A ExxonMobil é criticada e processada pelo histórico de negação das mudanças climáticas, contra o consenso científico de que os combustíveis fósseis contribuem para o aquecimento global. Lee Raymond, CEO até 2005, ficou conhecido pelo ceticismo sobre o tema.
Cuba. Em 23 de junho de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a ExxonMobil pode processar as estatais cubanas CUPET e CIMEX com base na Lei Helms-Burton, de 1996. A empresa pede mais de US$ 1 bilhão pela refinaria, pelos terminais e pelos mais de cem postos que o governo de Fidel Castro confiscou em 1960.
Lucros na guerra. Os lucros de 2026, puxados pela alta do diesel durante a guerra no Irã, renderam críticas de Trump em agosto. Em outubro, Woods disse que um imposto sobre lucros extraordinários desestimularia o investimento em nova oferta.
Linha do tempo
- 1870 — John D. Rockefeller funda a Standard Oil em Ohio.
- 1911 — A Suprema Corte dos EUA ordena a divisão da Standard Oil.
- 17 de janeiro de 1912 — A Standard Oil Company of Brazil é autorizada a operar no Brasil.
- 1972 — A Jersey Standard adota o nome Exxon.
- 24 de março de 1989 — Acidente do petroleiro Exxon Valdez no Alasca.
- 30 de novembro de 1999 — Conclusão da fusão entre Exxon e Mobil.
- 1º de dezembro de 2008 — A Cosan conclui a compra da Esso no Brasil.
- 1º de janeiro de 2017 — Darren Woods assume como CEO.
- 20 de dezembro de 2019 — Primeiro óleo na Guiana, no campo de Liza.
- Maio de 2024 — Conclusão da compra da Pioneer Natural Resources.
- 17 de junho de 2025 — Consórcio com a Petrobras arremata dez blocos na Foz do Amazonas.
- 15 de outubro de 2025 — Bacalhau começa a produzir, primeiro óleo da empresa no Brasil.
- 23 de junho de 2026 — Suprema Corte dos EUA libera o processo contra estatais cubanas.
- 1º de julho de 2026 — A ExxonMobil Holdings Corporation, do Texas, vira a controladora listada.
- 3 de agosto de 2026 — Trump critica os lucros da ExxonMobil e da Chevron.
- 28 de setembro de 2026 — O bloco Stabroek, na Guiana, chega a 1 bilhão de barris produzidos.
- 30 de outubro de 2026 — Lucro de US$ 15,4 bilhões no 3º trimestre; plano de US$ 100 bilhões para 2027–2030; participação no Rovuma LNG sobe para 50%.
Perguntas frequentes
De onde é a ExxonMobil?
A ExxonMobil é americana. A sede fica em Spring, no Texas, perto de Houston. Desde 1º de julho de 2026, a controladora é a ExxonMobil Holdings Corporation, registrada no Texas.
Quem é o dono da ExxonMobil?
A empresa não tem dono controlador. As ações são negociadas na Bolsa de Nova York e ficam pulverizadas entre fundos e investidores. O presidente do conselho e CEO é Darren Woods.
Como investir na ExxonMobil pelo Brasil?
Pela B3, por meio do BDR EXXO34, em que cada ação XOM lastreia 8 BDRs. Também dá para comprar a ação XOM diretamente na Bolsa de Nova York, por uma corretora com acesso ao mercado americano.
A ExxonMobil paga dividendos?
Sim. A empresa aumenta o dividendo anual há 44 anos seguidos. O dividendo trimestral declarado em outubro de 2026 é de US$ 1,07 por ação.
Quanto a ExxonMobil lucrou no 3º trimestre de 2026?
US$ 15,4 bilhões de lucro líquido, ou US$ 17,5 bilhões no critério ajustado, com receita de US$ 113,16 bilhões.
A ExxonMobil é dona da Esso no Brasil?
Não mais. A Cosan comprou a operação de distribuição da Esso no Brasil em 2008 e passou a usar a marca sob licença. A ExxonMobil segue no país na produção de petróleo, na exploração e no centro de serviços de Curitiba.
A ExxonMobil produz petróleo no Brasil?
Sim, desde 15 de outubro de 2025, no campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, onde tem 40% e a Equinor é a operadora.
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