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BP

A BP é uma petroleira britânica com sede em Londres, fundada em 1909 como Anglo-Persian Oil Company e dirigida desde abril de 2026 pela americana Meg O'Neill. Em 30 de outubro de 2026, teve lucro subjacente de US$ 8,46 bilhões no 3º trimestre, puxado pelo refino. No Brasil, fez em 2025 sua maior descoberta em 25 anos, em Bumerangue, no pré-sal, e anunciou hidrocarbonetos no bloco vizinho de Tupinambá em 28 de outubro de 2026.

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Foto: Andyminicooper / CC BY-SA 3.0

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O que é a BP

Foto: WhisperToMe / domínio público

A BP é uma petroleira britânica com sede em Londres, no número 1 da St James's Square. Está entre as cinco maiores petroleiras de capital aberto do mundo, grupo em que concorre com ExxonMobil, Chevron, Shell e TotalEnergies. A empresa explora e produz petróleo e gás, refina combustíveis, opera postos (com as marcas BP, Aral e Amoco) e negocia petróleo, gás e derivados no mercado internacional.

O nome vem de British Petroleum, adotado em 1954. Desde 2001 a empresa usa só a sigla BP. A razão social é BP p.l.c. A BP não é brasileira nem estatal: o governo britânico vendeu sua participação entre 1979 e 1987, e hoje as ações estão pulverizadas na Bolsa de Londres e na Bolsa de Nova York, sem acionista controlador.

No 3º trimestre de 2026, a BP produziu cerca de 2,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia e processou 1,396 milhão de barris por dia em suas refinarias. A CEO é a americana Meg O'Neill, desde 1º de abril de 2026.

Descobertas no Brasil: Bumerangue e Tupinambá

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BP faz sua maior descoberta de petróleo na costa do Brasil em 25 anos | Money News

Bumerangue. Em 4 de agosto de 2025, a BP anunciou uma descoberta de petróleo e gás no bloco Bumerangue, no pré-sal da Bacia de Santos, a 404 km do Rio de Janeiro e em lâmina d'água de 2.372 metros. Foi a maior descoberta da empresa em 25 anos. O poço 1-BP-13-SPS atravessou uma coluna de hidrocarbonetos estimada em 500 metros, num reservatório de carbonato com mais de 300 km². A análise no local indicou teor elevado de gás carbônico (CO₂). Análises de laboratório confirmaram depois uma coluna de cerca de 1.000 metros, com 100 metros de óleo e 900 metros de gás rico em condensado. A BP estima cerca de 8 bilhões de barris de líquidos no local, segundo o Oil & Gas Journal. A empresa tem 100% do bloco, arrematado em dezembro de 2022 no 1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP. A estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA) administra o contrato. A avaliação, com três poços, deve começar entre o fim de 2026 e o início de 2027 e terminar no 1º semestre de 2027.

Tupinambá. Em 28 de outubro de 2026, a BP anunciou, depois de comunicar a ANP, que encontrou hidrocarbonetos no poço 1-BP-14-SPS, o primeiro do bloco Tupinambá, no sul da Bacia de Santos, perto de Bumerangue. O poço fica a 275 km da costa, em lâmina d'água de 2.343 metros. A descoberta foi feita na camada do pós-sal, e a perfuração continua em direção ao pré-sal. Ainda não há estimativa de volume. A BP arrematou o bloco em dezembro de 2023, no 2º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, e é a operadora. Em setembro de 2026, vendeu 50% do bloco para a Shell, negócio que ainda depende de aprovação regulatória. Ao terminar em Tupinambá, o navio-sonda Deepwater Mykonos segue para Bumerangue.

A BP no Brasil

A BP está no Brasil há mais de 50 anos. Em agosto de 2025, tinha participação em oito blocos marítimos em três bacias, quatro deles como operadora. Além de Bumerangue e Tupinambá, é sócia da Petrobras na descoberta de Alto de Cabo Frio Central, com 50%, em que a Petrobras é a operadora.

A empresa também produz etanol e açúcar. Em 2024, pagou US$ 1,4 bilhão, incluindo dívida, pelos 50% que a Bunge tinha na joint venture BP Bunge Bioenergia e ficou com 100% do negócio, que tem 11 usinas de cana em cinco estados. Em 28 de setembro de 2026, a Bloomberg informou que a BP avalia vender a operação de biocombustíveis no Brasil. A empresa não comentou. Em 2026, a Petrobras comprou 49,99% da unidade brasileira da Lightsource bp, de energia solar.

Resultado do 3º trimestre de 2026

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CEO Meg O’Neill on bp’s Third Quarter 2026 Results

A BP divulgou o balanço do 3º trimestre em 30 de outubro de 2026, em Londres. O principal indicador da empresa é o lucro subjacente por custo de reposição (underlying replacement cost profit), que tira do lucro o efeito da variação do valor dos estoques e itens não recorrentes. Os números do comunicado:

  • Lucro subjacente: US$ 8,458 bilhões, arredondado no comunicado para US$ 8,5 bilhões. No 2º trimestre foram US$ 5,7 bilhões, e no 3º trimestre de 2025, US$ 2,2 bilhões. Analistas esperavam US$ 7,33 bilhões, segundo consenso compilado pela própria empresa. Para a Bloomberg, é o maior lucro trimestral da BP em 18 anos.
  • Lucro líquido atribuído aos acionistas: US$ 4,7 bilhões, contra US$ 1,2 bilhão um ano antes. A diferença para o lucro subjacente vem de baixas contábeis de US$ 4,0 bilhões, ligadas sobretudo aos negócios de transição energética, como a Lightsource bp e a energia eólica no mar.
  • Fluxo de caixa operacional: US$ 14,8 bilhões.
  • Dívida líquida: caiu US$ 8,4 bilhões no trimestre, para US$ 13,9 bilhões.
  • Dividendo: 8,660 centavos de dólar por ação, pago em dezembro.

O resultado veio do refino e do trading. A margem de refino de referência da BP foi de US$ 46,7 por barril, contra US$ 29,6 no 2º trimestre e US$ 15,8 um ano antes. A guerra no Oriente Médio (Guerra do Irã) tirou capacidade de refino do mercado e encareceu o diesel. A BP anunciou que vai detalhar a estratégia e as metas em 15 de dezembro de 2026.

Quem comanda a BP

A americana Meg O'Neill é CEO desde 1º de abril de 2026. É a primeira pessoa de fora da empresa a comandar a BP em mais de um século e a primeira mulher a dirigir uma das cinco maiores petroleiras do mundo. Antes, foi CEO da australiana Woodside Energy, de 2021 a 2026, e trabalhou 23 anos na ExxonMobil. Ela substituiu Murray Auchincloss, que deixou o cargo em 18 de dezembro de 2025. Carol Howle foi CEO interina até a chegada de O'Neill.

O conselho de administração também mudou. Em 26 de maio de 2026, o conselho destituiu o presidente Albert Manifold, no cargo havia menos de oito meses, por "preocupações sérias" com padrões de governança, supervisão e conduta. Ian Tyler, ex-CEO da construtora Balfour Beatty, assumiu interinamente e foi efetivado em 2 de setembro de 2026.

Sob O'Neill, a BP reforçou a volta ao petróleo e ao gás, iniciada por Auchincloss em 2025, e acelerou a venda de ativos: 65% da Castrol para a Stonepeak, por cerca de US$ 6 bilhões; a refinaria de Gelsenkirchen, na Alemanha, vendida ao Klesch Group em 31 de julho de 2026; e a colocação à venda dos ativos do Mar do Norte britânico.

Ações e dividendos

As ações da BP são negociadas na Bolsa de Londres (código BP.) e, como ADS, na Bolsa de Nova York (código BP). O dividendo do 3º trimestre de 2026 é de 8,660 centavos de dólar por ação, o mesmo do 2º trimestre, contra 8,320 centavos um ano antes. A empresa diz que a prioridade do caixa extra é reduzir a dívida.

História

A BP nasceu em 14 de abril de 1909 como Anglo-Persian Oil Company, subsidiária da Burmah Oil, para explorar petróleo descoberto em 1908 em Masjed Soleyman, no sudoeste da Pérsia (atual Irã). Foi a primeira descoberta comercial de petróleo no Oriente Médio. Em 1935, a empresa virou Anglo-Iranian Oil Company. Em 1951, o Irã nacionalizou sua indústria de petróleo. Em 1954, a empresa adotou o nome British Petroleum.

Nos anos 1970, a BP perdeu ativos nacionalizados na Líbia, no Kuwait, na Nigéria e, em 1979, no Irã, depois da Revolução Islâmica. Em 1978, assumiu o controle da Standard Oil of Ohio. O governo britânico, que tinha a maior parte das ações, privatizou a empresa em etapas entre 1979 e 1987, sob Margaret Thatcher.

Em dezembro de 1998, a British Petroleum se fundiu com a americana Amoco e virou BP Amoco. Em 2000, comprou a ARCO e a Burmah Castrol. Em 2001, adotou o nome BP, o logotipo do girassol verde e amarelo e o slogan "Beyond Petroleum" ("além do petróleo").

Na década de 2020, a empresa oscilou de estratégia. Bernard Looney, CEO a partir de fevereiro de 2020, apostou em investimentos mais agressivos na transição energética. Murray Auchincloss, CEO a partir de janeiro de 2024, recuou desse plano e voltou a priorizar petróleo e gás. Em outubro de 2012, a BP vendeu sua parte na TNK-BP para a russa Rosneft, em troca de dinheiro e de 18,5% da Rosneft. Depois da invasão da Ucrânia, em 2022, anunciou que sairia da Rosneft.

Deepwater Horizon e outros acidentes

Foto: Guarda Costeira dos EUA / domínio público
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The Deepwater Horizon Oil Spill in the Gulf of Mexico (full documentary) | FRONTLINE

Em 20 de abril de 2010, a plataforma Deepwater Horizon explodiu no poço de Macondo, operado pela BP no Golfo do México. Onze trabalhadores morreram. O poço vazou por meses até ser declarado selado em 19 de setembro de 2010. O governo americano estimou o vazamento em 4,9 milhões de barris, o maior derramamento acidental de petróleo no mar da história. O acidente custou à BP mais de US$ 65 bilhões, incluindo mais de US$ 4,5 bilhões em multas e US$ 18,7 bilhões em penalidades da Lei da Água Limpa e outras indenizações. O CEO Tony Hayward foi substituído por Bob Dudley em outubro de 2010.

Em outubro de 2026, a BP fechou acordo com o estado da Louisiana para antecipar pagamentos do acordo do Deepwater Horizon, no valor de US$ 350 milhões. No balanço de 30 de outubro de 2026, a empresa disse que vai priorizar o caixa extra para quitar todas as obrigações restantes do acidente. A previsão de pagamentos ligados ao acordo em 2026 é de cerca de US$ 1,6 bilhão antes de impostos.

Outros acidentes marcaram a empresa: a explosão da refinaria de Texas City, em 23 de março de 2005, que matou 15 trabalhadores; o naufrágio do petroleiro Torrey Canyon, em 1967, o maior vazamento da história do Reino Unido; e o vazamento de Prudhoe Bay, no Alasca, em 2006.

Linha do tempo

  • 14 de abril de 1909 — Fundação da Anglo-Persian Oil Company.
  • 1935 — A empresa passa a se chamar Anglo-Iranian Oil Company.
  • 1954 — Adota o nome British Petroleum.
  • 1979 a 1987 — O governo britânico vende sua participação.
  • Dezembro de 1998 — Fusão com a Amoco.
  • 2001 — A empresa passa a se chamar BP.
  • 23 de março de 2005 — Explosão da refinaria de Texas City mata 15 trabalhadores.
  • 20 de abril de 2010 — Explosão da Deepwater Horizon no Golfo do México.
  • Dezembro de 2022 — A BP arremata o bloco Bumerangue, no pré-sal.
  • Dezembro de 2023 — A BP arremata o bloco Tupinambá.
  • 4 de agosto de 2025 — Anúncio da descoberta em Bumerangue, a maior da BP em 25 anos.
  • 18 de dezembro de 2025 — Murray Auchincloss deixa o cargo de CEO.
  • 1º de abril de 2026 — Meg O'Neill assume como CEO.
  • 26 de maio de 2026 — O conselho destitui o presidente Albert Manifold.
  • 2 de setembro de 2026 — Ian Tyler é efetivado como presidente do conselho.
  • 28 de outubro de 2026 — Anúncio da descoberta de hidrocarbonetos em Tupinambá.
  • 30 de outubro de 2026 — Lucro subjacente de US$ 8,46 bilhões no 3º trimestre.

Perguntas frequentes

A BP é brasileira?

Não. A BP é britânica, com sede em Londres. No Brasil, tem blocos de exploração no pré-sal, como Bumerangue e Tupinambá, e usinas de etanol e açúcar.

O que a BP descobriu no Brasil?

Em agosto de 2025, a BP anunciou em Bumerangue, no pré-sal da Bacia de Santos, sua maior descoberta em 25 anos. Em 28 de outubro de 2026, informou hidrocarbonetos no bloco vizinho de Tupinambá. Nenhuma das duas áreas produz ainda.

Quem é o dono da BP?

A BP não tem dono controlador. As ações são negociadas nas bolsas de Londres e de Nova York. A empresa foi estatal britânica até ser privatizada entre 1979 e 1987.

Quem é o CEO da BP?

Meg O'Neill, desde 1º de abril de 2026. Ela veio da australiana Woodside Energy e substituiu Murray Auchincloss.

Quanto a BP lucrou no 3º trimestre de 2026?

O lucro subjacente foi de US$ 8,46 bilhões, arredondado pela empresa para US$ 8,5 bilhões. O lucro líquido atribuído aos acionistas foi de US$ 4,7 bilhões.

O que significa BP?

BP vem de British Petroleum, nome que a empresa usou de 1954 até 2001. Hoje o nome oficial é só BP p.l.c.

O que foi o acidente da BP no Golfo do México?

Em 20 de abril de 2010, a plataforma Deepwater Horizon explodiu num poço operado pela BP, matou 11 pessoas e causou o maior vazamento acidental de petróleo no mar da história.

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