Copom mantém taxa Selic e interrompe ciclo de cortes
O Banco Central do Brasil manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes, citando o ambiente externo adverso e a inflação acima do intervalo de tolerância da meta.
Pontos principais
- A decisão foi tomada na quarta-feira, 4 de novembro, na 282ª reunião do Copom, e manteve a taxa em 13,75% ao ano.
- A votação foi unânime: os sete membros do comitê votaram pela manutenção, sob a presidência de Gabriel Galípolo.
- O Copom afirma que o ambiente externo ficou mais adverso, com o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, a alta do petróleo e uma política monetária mais restritiva nas economias avançadas.
- A inflação cheia e a média dos subjacentes aceleraram e estão acima do intervalo de tolerância da meta.
- As expectativas do Focus para 2026 e 2027 se afastaram mais da meta, em 5,2% e 4,8%.
- O Copom projeta IPCA de 5,6% em 2026, 4,7% em 2027 e 3,5% no 2º trimestre de 2028, esta última elevada nesta reunião.
- Os riscos para a inflação seguem com assimetria altista, segundo o Copom, com destaque para a desancoragem das expectativas em prazos mais longos.
- A atividade econômica modera de forma mais acentuada, sobretudo em setores cíclicos, e o mercado de trabalho segue resiliente, com sinais de desaquecimento.
- O Copom qualifica a Selic como substancialmente contracionista e pede serenidade e cautela na condução da política monetária.
- O Copom diz que acompanha como a política fiscal doméstica afeta a política monetária e os ativos financeiros.
- Analistas classificaram a postura da autoridade monetária como prudente.
O Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central do Brasil manteve a Selic inalterada e interrompeu a sequência de cortes. A decisão é a primeira após o período eleitoral e está em linha com a expectativa do mercado. Para o Copom, ela é compatível com a convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, e também suaviza as flutuações da atividade e favorece o pleno emprego.
Economistas ouvidos pelo UOL atribuem a pausa sobretudo à desconfiança com as contas públicas e ao aumento das projeções de inflação.
O Copom não indica o próximo passo. Diz apenas que seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada e assegurar a convergência da inflação à meta.
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