Copom reduz taxa Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime
O Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, marcando o quinto recuo consecutivo no ciclo atual.
Pontos principais
- A taxa Selic foi reduzida de 14% para 13,75% ao ano.
- A decisão do Copom foi tomada por unanimidade entre os membros do comitê.
- Este é o quinto corte consecutivo realizado pelo Banco Central no ciclo de afrouxamento.
- O comunicado oficial cita a moderação gradual da atividade econômica como fator para a decisão.
- O Banco Central destacou que a inflação apresenta desaceleração, embora permaneça acima da meta.
- As expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem desancoradas, situando-se em 4,9% e 4,3%.
- O Brasil mantém o maior juro real do mundo, calculado em 8,45% ao ano após o ajuste.
- O comitê manteve cautela sobre os próximos passos, citando riscos fiscais e geopolíticos.
- A decisão foi a última realizada pelo colegiado antes das eleições presidenciais de outubro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, em sua 281ª reunião, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual. Com o ajuste, a taxa passou de 14% para 13,75% ao ano, consolidando o quinto corte consecutivo no atual ciclo de política monetária. A decisão foi unânime e reflete uma tentativa de equilibrar a moderação da atividade econômica doméstica com a necessidade de controle inflacionário.
Em seu comunicado oficial, o Banco Central pontuou que a atividade econômica tem demonstrado uma moderação gradual, especialmente em setores cíclicos, enquanto o mercado de trabalho permanece aquecido. Embora a inflação cheia e as medidas subjacentes tenham apresentado desaceleração, o colegiado ressaltou que os índices ainda se mantêm acima das metas estabelecidas. As projeções do Comitê para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante, apontam para uma inflação de 3,2%.
O cenário macroeconômico permanece marcado por incertezas, o que levou o Copom a manter uma postura de cautela quanto aos próximos passos. O documento menciona que os riscos para a inflação apresentam uma assimetria altista, influenciada por fatores como a volatilidade do preço do petróleo, choques de oferta e a incerteza fiscal doméstica. Além disso, o ambiente externo, impactado por conflitos no Oriente Médio e pela política monetária de bancos centrais globais, exige monitoramento constante.
Mesmo com a redução, o Brasil reassumiu a liderança no ranking mundial de juros reais, atingindo um patamar de 8,45% ao ano. Esse cenário de juros elevados continua a influenciar o mercado financeiro, mantendo a atratividade da renda fixa e impactando as taxas de títulos públicos, como os do Tesouro Direto. Analistas observam que a continuidade do ciclo de cortes dependerá da evolução das expectativas de inflação e da estabilidade do cenário político e econômico nacional.
Esta foi a última reunião do Copom antes das eleições presidenciais de outubro, um fator que adiciona uma camada extra de atenção por parte dos investidores. O Banco Central reafirmou que a magnitude total do ciclo de calibração da política monetária será definida à luz de novas informações, mantendo a flexibilidade necessária para reagir a eventuais choques que possam comprometer a convergência da inflação para as metas de longo prazo.
