Copom reduz Selic para 14,25% ao ano em terceiro corte consecutivo
O Banco Central reduziu a Selic para 14,25% ao ano, priorizando a atividade econômica, o que levou o mercado a revisar projeções de juros para cima.
Pontos principais
- A taxa Selic foi reduzida de 14,50% para 14,25% ao ano.
- O IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, superando o limite superior da meta de inflação.
- O Copom busca a convergência da inflação para a meta de 3% até o primeiro trimestre de 2028.
- A decisão reflete a estratégia de não reagir integralmente a choques de oferta globais.
- A ata revelou uma 'assimetria altista' nos riscos, interpretada pelo mercado como preocupação com a política fiscal.
- Analistas avaliam que o BC priorizou a atividade econômica no curto prazo, aceitando uma convergência mais lenta da inflação.
- Instituições financeiras como Goldman Sachs e BofA revisaram para cima suas projeções para a trajetória da Selic.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. Em sua justificativa, a autoridade monetária pontuou que as melhores práticas recomendam não reagir integralmente a choques de oferta, como os provocados pelo conflito no Oriente Médio e pelo fenômeno El Niño. Embora o IPCA acumulado em 12 meses tenha atingido 4,72%, superando o teto da meta, o BC mantém o foco na convergência inflacionária para o centro da meta de 3%, com horizonte estendido para o primeiro trimestre de 2028.
Contudo, a divulgação da ata trouxe novos elementos ao debate. Analistas apontam que o documento sinaliza uma priorização da atividade econômica em detrimento do controle inflacionário imediato, optando por uma trajetória gradual para evitar volatilidade excessiva. O destaque para uma 'assimetria altista' nos riscos foi interpretado pelo mercado como uma preocupação latente com a política fiscal, gerando incertezas sobre o compromisso da instituição com a meta de inflação no longo prazo.
Como reflexo dessa percepção, grandes instituições financeiras, incluindo Goldman Sachs e BofA, revisaram suas projeções para a taxa Selic, prevendo um patamar de juros restritivos por um período mais prolongado. Enquanto o comitê busca equilibrar a estabilidade de preços com a sustentação da economia, a mudança de postura tem gerado cautela entre os agentes financeiros, que agora questionam a velocidade da convergência inflacionária e a resiliência da política monetária frente aos desafios fiscais e globais.
Tópicos relacionados
Comentários
Carregando comentários...
