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André Lara Resende propõe reduzir a Selic a cerca de 7,5% ao ano em 12 meses

No Brasil, a proposta reduziria, segundo o economista, o déficit nominal de mais de 10% do PIB para cerca de 6%, sem elevar a inflação no curto prazo.

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Foto: InvestNews
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03/11 às 12:45, atualizado 17:02

Pontos principais

  • A taxa básica cairia gradualmente, em cerca de 12 meses, para perto de 7,5% ao ano: o crescimento nominal potencial (5,5%) mais um spread de segurança de 2 pontos.
  • O spread seria reavaliado periodicamente e reduzido até desaparecer. Em regra, a taxa ficaria entre 3%, a meta de inflação, e 5,5% ao ano; só em casos excepcionais, autorizados pelo conselho, sairia dessa faixa.
  • Um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN) definiria metas fiscais e monetárias para quatro a cinco anos, com as metas de inflação anunciadas junto com as metas para a taxa básica.
  • Se necessário, o BC atuaria no câmbio para suavizar depreciações mais acentuadas, como as que viriam de uma saída de capital especulativo (carry trade), com mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais.
  • O custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano em junho de 2026; sobre uma dívida bruta de 82,5% do PIB, os juros somam cerca de 10,5% do PIB ao ano.
  • A economia não é imediata: as LFTs rendem menos logo, e os prefixados e indexados à inflação só mudam de custo à medida que são rolados.

Em post no seu Substack, de 25 de setembro, o economista André Lara Resende propõe um novo regime fiscal e monetário para o Brasil. Para ele, o cerne do problema fiscal é o serviço da dívida, e o resto é secundário: o déficit primário é pequeno. Como mais da metade da dívida está em LFTs, indexadas à Selic, a queda do juro não aumentaria o valor presente da dívida e, segundo o autor, não produziria alta da inflação no curto prazo. Nessa leitura, o juro alto é a ameaça à credibilidade fiscal, e não o contrário.

A ideia dividiu opiniões entre o mercado e lideranças políticas. Defensores veem nela uma saída para a sustentabilidade da dívida; críticos apontam riscos como a perda de credibilidade fiscal e o esgotamento das reservas. O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, negou a existência de qualquer proposta de tabelamento de juros em curso, e a política monetária segue sob responsabilidade do Copom.

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