Alta do dólar após reeleição de Lula e El Niño ameaçam a inflação de 2026
No Brasil, a alta de 9,04% do dólar na semana e a probabilidade de El Niño muito forte a partir de novembro pesam sobre a inflação, mas o Focus de 23/10, anterior à valorização, ainda projeta IPCA de 5,19% para 2026.
Pontos principais
- O dólar fechou sexta-feira (30) a R$ 5,4443, com alta de 9,04% na semana após o segundo turno.
- O Relatório Focus do Banco Central, colhido até 23/10, projeta IPCA de 5,19% para 2026, ante 5,22% na semana anterior, e 4,34% para 2027.
- O mesmo Focus espera câmbio de R$ 5,05 no fim de 2026, abaixo do fechamento de sexta-feira.
- A edição do Focus de 3 de novembro é a primeira a trazer projeções que incorporam a valorização cambial.
- O INMET, em boletim de 29/10, dá elevada probabilidade de El Niño de intensidade muito forte a partir de novembro.
- Para novembro de 2026 a janeiro de 2027, o INMET prevê chuva acima da normal no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, e abaixo da normal em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste.
- O INMET prevê temperaturas acima da normal em quase todo o país; o Rio Grande do Sul é a exceção, com tendência de temperaturas abaixo da normal.
- O IPCA-15 de outubro, do IBGE, subiu 0,32%, com alimentação e bebidas em alta de 0,88%.
O dólar fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,4443 no Brasil, após o segundo turno das eleições. A mediana do Relatório Focus, do Banco Central, colhida até 23 de outubro, é anterior a essa alta: as projeções que a incorporam só aparecem na edição de 3 de novembro.
No campo climático, o INMET diz que o El Niño tem elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte a partir de novembro, com maior probabilidade de impactos hidrometeorológicos em diferentes regiões do país. A intensidade e a distribuição desses impactos dependem da evolução das condições atmosféricas e oceânicas. Para novembro de 2026 a janeiro de 2027, o instituto prevê temperaturas acima da normal em quase todo o país, com exceção do Rio Grande do Sul.
No lado dos preços, o IPCA-15 de outubro, do IBGE, mostrou alta de 0,88% em alimentação e bebidas. A alta cambial tende a encarecer insumos importados, como fertilizantes e defensivos, mas o repasse ao consumidor depende da duração da valorização e dos estoques disponíveis.
Fontes primárias
Focus – Relatório de Mercado (23/10/2026, publicado em 26/10/2026)
Mediana do mercado (coleta até 23/10): IPCA 2026 em 5,19% (5,22% há uma semana; 4,99% há quatro), acima do teto de 4,5% da meta; IPCA 2027 em 4,34%. Câmbio esperado para o fim de 2026 em R$ 5,05 (R$ 5,15 em 2027). Selic em 13,25% em 2026. O relatório reflete o mercado antes da alta recente do dólar: as projeções que incorporam a valorização cambial só aparecem na próxima edição, de 03/11.
Painel El Niño: Boletim nº 5 (outubro de 2026)
O El Niño deve se manter e se intensificar ao longo de 2026, com elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte a partir de novembro. Para nov/2026 a jan/2027: chuva acima da faixa normal no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste; abaixo do normal em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste; temperaturas acima da faixa normal em quase todo o país. O boletim fala em probabilidade de impactos hidrometeorológicos e não traz estimativa de preços.
