O que é o IPCA
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é a medida oficial de inflação do Brasil. É calculado e divulgado mensalmente pelo IBGE e serve de referência para o regime de metas de inflação do Banco Central, para a correção de contratos e para a remuneração de títulos públicos como o Tesouro IPCA+.
No dado mais recente, referente a julho de 2026 e divulgado em 11 de agosto de 2026, o índice subiu 0,07% no mês, acumulou 3,44% no ano e 4,44% em 12 meses — de volta ao intervalo de tolerância da meta.
O IPCA mede a variação de preços de produtos e serviços vendidos no varejo para o consumo pessoal das famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte da renda. Essa faixa foi definida para cobrir cerca de 90% das famílias residentes nas áreas urbanas abrangidas pela pesquisa.
A coleta cobre as áreas urbanas de 16 regiões do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC): as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Por ser o índice oficial, é o IPCA — e não o INPC ou o IGP-M — que define se o Banco Central cumpriu ou não a meta de inflação.
IPCA hoje: o resultado de julho de 2026
O IPCA de julho de 2026 ficou em 0,07%, desaceleração ante os 0,16% de junho. O resultado veio um pouco acima do esperado: a mediana da pesquisa Reuters apontava 0,03% no mês e 4,40% em 12 meses.
O grupo Habitação teve a maior variação e o maior impacto: alta de 0,99% e 0,15 ponto percentual do índice do mês. O motor foi a energia elétrica residencial, que passou de 1,53% em junho para 3,09% em julho, puxada por reajustes tarifários e pela bandeira tarifária amarela, segundo Fernando Gonçalves, gerente responsável pela pesquisa no IBGE.
Na direção oposta, Alimentação e bebidas caiu 0,67%, com a alimentação no domicílio recuando 1,14%. O tomate teve a maior queda do mês, de 29,09%. Dentro do grupo, houve altas no leite (2,47%) e nas frutas (1,20%). Transportes ficou praticamente estável, em 0,05%: a passagem aérea subiu 11,67%, compensada por quedas em combustíveis, como o etanol (-2,26%).
Entre as regiões pesquisadas, Rio Branco registrou a maior variação (0,32%) e Belém, a menor (-0,45%).
IPCA acumulado: no ano e em 12 meses
Há duas leituras acumuladas que costumam ser confundidas:
- Acumulado no ano: soma composta das variações de janeiro até o mês de referência. Em 2026, até julho, está em 3,44%.
- Acumulado em 12 meses: soma composta dos últimos doze meses móveis, o número usado para checar a meta. Em julho de 2026, ficou em 4,44%, ante 4,64% até junho.
O acumulado em 12 meses é o mais citado no noticiário porque é a variável que o Banco Central persegue. O acumulado no ano só coincide com ele em dezembro.
Como o IPCA é calculado
O índice parte de uma cesta de consumo cujos pesos vêm da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE: quanto mais uma família gasta com um item, mais esse item pesa no resultado. Os produtos e serviços são agrupados em nove grandes grupos — entre eles Alimentação e bebidas, Habitação, Transportes, Saúde e cuidados pessoais e Vestuário.
Os preços são coletados em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviço, concessionárias de serviços públicos e domicílios das regiões pesquisadas. O período de coleta do IPCA e do INPC vai, em geral, do dia 1º ao dia 30 do mês de referência.
A variação de cada item é ponderada pelo respectivo peso e agregada até o índice geral. É por isso que um item de peso alto, como energia elétrica, pode determinar o resultado do mês mesmo quando a maioria dos preços está estável ou em queda — foi exatamente o que aconteceu em julho de 2026.
Quando o IPCA é divulgado
O IPCA é mensal e sai na primeira metade do mês seguinte ao de referência: o dado de julho de 2026, por exemplo, foi publicado pelo IBGE em 11 de agosto de 2026. As datas de cada divulgação constam do calendário oficial de indicadores do IBGE.
Além do índice cheio, o IBGE publica o IPCA-15, que usa a mesma metodologia mas fecha a coleta antes do fim do mês e funciona como prévia da inflação. É um dado acompanhado de perto pelo mercado e pelo próprio Banco Central — o comunicado do Copom de agosto de 2026 citou o IPCA-15 acumulado em 12 meses, de 4,52%, ao avaliar o quadro inflacionário.
IPCA e a meta de inflação do Banco Central
Desde 2025, o Brasil adota o regime de meta contínua: em vez de avaliar o ano fechado, o Banco Central acompanha o IPCA acumulado em 12 meses mês a mês. O centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo — ou seja, de 1,5% a 4,5%. Considera-se a meta descumprida quando a inflação fica fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
Com 4,44% em julho de 2026, o IPCA voltou a ficar dentro do intervalo, abaixo do teto de 4,5%.
O principal instrumento do Banco Central para levar a inflação à meta é a taxa Selic. Em 5 de agosto de 2026, o Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, na quarta queda seguida e por decisão unânime. No comunicado, o comitê afirmou que os riscos para a inflação seguem mais altos que o usual e com assimetria de alta, citando os efeitos do El Niño e de choques no preço do petróleo.
As projeções de mercado, porém, ainda apontam o ano fechando acima do teto. No Boletim Focus de 10 de agosto de 2026, a mediana para o IPCA de 2026 caiu de 5,03% para 5,02% — sexta redução semanal seguida —, com 4,22% para 2027, 3,80% para 2028 e 3,50% para 2029. A projeção para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 13,75%.
IPCA, INPC e IGP-M: quais as diferenças
Os três índices medem inflação, mas não a mesma coisa:
| Índice | Quem calcula | O que mede |
|---|---|---|
| IPCA | IBGE | Consumo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos; é a inflação oficial e a referência da meta |
| INPC | IBGE | Consumo das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, mais sensíveis à variação de itens básicos |
| IGP-M | FGV/IBRE | Média ponderada de três índices (preços no atacado, construção civil e consumidor), com coleta do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência |
Na prática, o INPC costuma ser usado em reajustes salariais e em benefícios voltados à população de renda mais baixa. O IGP-M ficou conhecido como "inflação do aluguel" por indexar contratos de locação e tarifas, mas, por incluir preços de atacado e ser mais volátil, vem perdendo espaço para o IPCA em contratos.
Onde o IPCA aparece no seu bolso
- Contratos e aluguéis: é cada vez mais comum que contratos de locação e de prestação de serviços sejam corrigidos pelo IPCA, no lugar do IGP-M, justamente por ser menos volátil.
- Investimentos: o Tesouro IPCA+ é um título híbrido do Tesouro Direto cuja rentabilidade combina a variação do IPCA com uma taxa prefixada acordada na compra. A parte indexada preserva o poder de compra; a taxa prefixada é o ganho real acima da inflação. Há versões com juros semestrais e versões que pagam tudo no vencimento.
- Juros: como o IPCA orienta a Selic, ele acaba definindo indiretamente o custo do crédito, o rendimento da poupança e a remuneração dos títulos pós-fixados.
- Correção de valores: a Calculadora do Cidadão, do Banco Central, permite corrigir um valor por um período usando o IPCA.
Perguntas frequentes
Qual é o IPCA hoje? No dado mais recente, de julho de 2026, o IPCA variou 0,07% no mês, com 3,44% acumulados no ano e 4,44% em 12 meses.
Qual o IPCA acumulado dos últimos 12 meses? 4,44%, considerando o período encerrado em julho de 2026.
Quem calcula o IPCA? O IBGE, dentro do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC).
Qual a diferença entre IPCA e IPCA-15? São o mesmo índice, com metodologia idêntica; muda o período de coleta. O IPCA-15 fecha a coleta antes e é divulgado antes, funcionando como prévia do índice cheio.
O IPCA está dentro da meta? Sim. Com 4,44% em 12 meses até julho de 2026, o índice está abaixo do teto de 4,5% do intervalo de tolerância em torno da meta de 3%.
