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Economistas propõem taxação de altas rendas para evitar cortes sociais

Grupo de 50 economistas propõe, no Brasil, tributar rendas acima de R$ 600 mil e uma nova regra fiscal, em vez de cortar gastos sociais.

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Foto: Times Brasil
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31/10 às 15:15, atualizado 19:01

Pontos principais

  • Antecipação para janeiro da tributação mínima de 10% sobre rendas anuais acima de R$ 600 mil, hoje prevista para a declaração de 2027.
  • Nova regra fiscal por lei complementar até 22 de dezembro, com investimento público, aportes em estatais e BNDES fora do limite de gastos.
  • Saúde, educação e Bolsa Família também fora do limite de gastos, segundo os signatários.
  • Juros de R$ 1,18 trilhão nos 12 meses até agosto, 8,9% do PIB e mais de 14 vezes o déficit primário de R$ 82 bilhões.
  • Revisão da meta de inflação para o centro de 4,5%, hoje em 3%, com decreto para suprimir a carência de 36 meses criada em 2024.
  • Nenhuma alta da Selic em 4 de novembro, e juros menores para o crédito, com Banco do Brasil e Caixa à frente.
  • Buscar o centro da meta fiscal, como promete Durigan, exigiria até R$ 36,6 bilhões a mais de aperto em 2027, segundo os signatários.
  • Revisão de isenções e incentivos que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários, e fim dos supersalários.

Um grupo de 50 economistas brasileiros divulgou em 30 de outubro o manifesto “As urnas decidiram”, que propõe tributar as altas rendas em vez de cortar gastos sociais. Os signatários defendem antecipar para janeiro a tributação mínima de 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, hoje prevista para 2027, e que ela alcance dividendos e juros sobre capital próprio.

Para os signatários, o país tem crise do custo da dívida: os juros somaram R$ 1,18 trilhão em 12 meses até agosto, 8,9% do PIB. Propõem uma nova regra fiscal por lei complementar até 22 de dezembro, que tire do limite de gastos e da meta de resultado primário o investimento público, os aportes em estatais e no BNDES, além de saúde, educação e Bolsa Família. Também pedem nenhuma alta da Selic em 4 de novembro, juros menores para o crédito e a revisão da meta de inflação para o centro de 4,5%, hoje em 3%.

O mercado pressiona por controle de gastos. No dia seguinte à eleição de 25 de outubro, segundo os economistas, o Ibovespa caiu 13,9% e o dólar subiu 8,2%. Eles criticam o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cuja promessa de buscar o centro da meta fiscal exigiria até R$ 36,6 bilhões a mais de aperto em 2027.

Sérgio Goldenstein alerta para o risco de estagflação sem controle fiscal rigoroso. Os signatários não estimam quanto a nova tributação arrecadaria, nem definem alíquotas ou base de cálculo.

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