Durigan defende ajuste fiscal e mira estabilização da dívida até 2030
O ministro da Fazenda reafirmou o compromisso com o controle de gastos obrigatórios e a meta de superávit para 2027, buscando estabilizar a dívida pública e atrair investimentos privados ao Brasil.
Pontos principais
- Dario Durigan declarou que o governo buscará melhorar o superávit primário 'custe o que custar'.
- A meta de superávit primário estabelecida pelo governo para 2027 é de 0,5%.
- O governo projeta a estabilização da relação dívida/PIB entre 2029 e 2030.
- O plano inclui a revisão de gastos obrigatórios e de regimes especiais de Previdência.
- Durigan defendeu o combate a supersalários no Judiciário como medida de eficiência fiscal.
- O ministro atribuiu a pressão atual sobre a dívida pública aos juros elevados, e não ao resultado primário.
- O Projeto de Lei Orçamentária para 2027 será enviado ao Congresso até 31 de agosto.
- O governo descartou a adoção de qualquer medida de controle de capitais no país.
- A estratégia visa posicionar o Brasil como um 'porto seguro' para capital privado diante de incertezas globais.
- Especialistas do mercado alertam que um ajuste fiscal estrutural de até R$ 500 bilhões pode ser necessário a partir de 2027.
Durante o evento Expert XP 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou o compromisso do governo com a disciplina fiscal, classificando a estabilização da dívida pública como a 'última milha' da agenda econômica atual. O ministro enfatizou que a prioridade para o próximo período será a desaceleração do crescimento das despesas obrigatórias, medida considerada essencial para abrir espaço no orçamento e garantir a previsibilidade necessária para atrair investimentos estrangeiros. Durigan refutou críticas sobre um possível descontrole fiscal em ano eleitoral, assegurando que o governo mantém uma postura rígida na gestão das contas públicas.
O debate sobre a sustentabilidade das contas brasileiras ganhou tração com alertas de economistas, que apontam a necessidade de um ajuste estrutural de aproximadamente R$ 500 bilhões para reequilibrar o cenário fiscal a partir de 2027. Enquanto o governo aposta na eficiência da máquina estatal e na revisão de benefícios para atingir a meta de 0,5% de superávit, analistas de mercado, como os da ARX Investimentos e Bradesco Asset, argumentam que o descumprimento das metas do arcabouço fiscal tem elevado o prêmio de risco e mantido os juros em patamares restritivos, dificultando a trajetória de queda da dívida.
Em resposta aos desafios, o governo planeja enviar ao Congresso, até o final de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária para 2027, mantendo o foco na contenção de gastos e na reforma administrativa. Durigan destacou que, apesar da pressão inflacionária externa e das incertezas geopolíticas, o Brasil deve se consolidar como um destino seguro para o capital privado. A equipe econômica reforçou que a transição para o próximo mandato será conduzida com foco na credibilidade, descartando qualquer intervenção como controle de capitais e mantendo o objetivo de estabilizar a dívida pública até o final da década.
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