Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis ordenou venda de ações ao Master
Paulo Henrique Costa afirmou à PF que o ex-governador Ibaneis Rocha solicitou a venda de 16% das ações do BRB ao Banco Master em 2024.
Pontos principais
- Paulo Henrique Costa declarou que Ibaneis Rocha ordenou a estruturação da venda de ações do BRB ao Banco Master.
- O pedido teria ocorrido durante um jantar com a presença de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
- Costa disse que, no dia seguinte ao jantar, procurou Ibaneis para tentar fazê-lo desistir da operação.
- A PF registra dois aumentos privados de capital do BRB em 2024, de cerca de R$ 294 milhões e R$ 750 milhões, no período em que o banco adquiriu mais de R$ 17 bilhões em carteiras de crédito.
- Uma auditoria no BRB identificou indícios de que o aumento de capital de 2024 poderia ter facilitado a entrada indireta de Vorcaro no banco.
- A PF registra que, em 27 de dezembro de 2024, estruturas ligadas ao grupo de Vorcaro compraram ações do BRB.
- Dos seis imóveis atribuídos a Costa, quatro ficam em São Paulo e dois em Brasília, segundo a PF.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, disse à Polícia Federal que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, ordenou a estruturação da venda de 16% das ações do banco ao Banco Master. Segundo o relato, a ordem foi dada em setembro de 2024, em um jantar com Daniel Vorcaro, controlador do Master, e previa uma holding financeira com o BRB e o Master, presidida por Costa. Costa afirmou que o acordo de acionistas permitiria uma “privatização às avessas”.
A PF, em relatório parcial de 28 de outubro no Inquérito 5026 do STF, contrapõe essa versão a mensagens de janeiro de 2025 em que um então auditor do Banco Central disse que uma participação do Master não daria controle ao banco público, cujo controle seguiria com o governo do DF. Para a PF, as mensagens enfraquecem a justificativa de Costa. Segundo a PF, em outubro de 2024 Costa também descreveu a Vorcaro tratativas com o governador.
Seis imóveis de alto padrão, avaliados em R$ 146,6 milhões, eram destinados ao uso de Costa e de sua família. Foram registrados em seis sociedades e cedidos por comodato, sem transferência da propriedade. A PF afirma, em tese, que a oferta configura corrupção ativa de Vorcaro, tema que a própria PF considera fora do escopo da análise.
Fontes primárias
Termo de depoimento de Paulo Henrique Costa à PF (íntegra não publicada; trechos via Folha)
Depoimento de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, colhido pela PF em 15/10/2026 e enviado ao STF junto com o relatório de indiciamento. Costa diz que, em 24/09/2024, foi convocado pelo gabinete do governador Ibaneis Rocha para um jantar na casa de Daniel Vorcaro e que, lá, Ibaneis teria dito: 'Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master'. A operação envolveria cerca de 16% das ações do BRB pertencentes ao instituto de previdência do DF. Segundo o relato, Vorcaro afirmou que, por ser banco público, o controle poderia mudar com o governo e exigiu um acordo de acionistas que garantisse o controle. Costa diz ter estranhado a ordem, procurado Ibaneis no dia seguinte para se opor e classificado a operação como privatização disfarçada. Diz que a minuta de acordo previa uma holding financeira com BRB e Master, presidida por ele. A íntegra do termo não foi publicada; o resumo reproduz os trechos citados pela reportagem.
Relatório parcial de investigação criminal — Inq. 5026/STF (indiciamento de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa)
Relatório da PF de 28/10/2026 que registra a oitiva de Paulo Henrique Costa: ele afirmou que a estrutura inicialmente concebida previa a aquisição de ações do BRB pelo Banco Master e que o acordo de acionistas permitiria uma 'privatização às avessas'. A PF contrapõe comunicações de Augusto Lima com um auditor do Banco Central, de janeiro de 2025, que indicam que essa configuração não transferiria o controle do banco público ao investidor privado, e avalia que as mensagens enfraquecem a justificativa de Costa. O relatório não atribui ao governador a ordem narrada pelo ex-presidente do BRB.
