A Polícia Federal (PF) deflagrou a 4ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e o BRB. Nesta etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, totalizando 13 prisões na operação. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a investigação apura crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entre os detidos na operação estão o advogado Daniel Monteiro, considerado o arquiteto jurídico do Banco Master e operador financeiro do esquema, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Monteiro é investigado por maquiar transações e realizar pagamentos ilícitos na tentativa de venda do Master ao BRB, além de administrar fundos para desviar recursos e efetuar pagamentos de propina. Sua prisão preventiva foi decretada na quarta fase da operação, destacando sua ascensão social e o uso de empresas intermediárias para dificultar o rastreamento dos recursos.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso nesta quinta-feira (16) e transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele é suspeito de negociar seis imóveis de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avaliados em mais de R$ 140 milhões, como propina para aprovar a compra de carteiras fraudulentas. Mensagens citadas em uma decisão do ministro André Mendonça do STF revelam que Vorcaro suspendeu a entrega desses imóveis a Costa após ser alertado sobre uma investigação do Ministério Público Federal (MPF). As conversas também indicam que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu que ele preparasse argumentos para defender a compra do Banco Master pelo BRB. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já está preso desde março, na 3ª fase da operação, investigado por crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e montagem de milícia privada.
A Operação Compliance Zero já resultou em 13 prisões, somando-se a 12 outras execuções em fases anteriores, e cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis estados, bloqueando bens de suspeitos em até R$ 27,7 bilhões. A investigação apura se o BRB, um banco público, comprou carteiras de crédito problemáticas do Banco Master, após o Banco Central vetar a compra de participação do Master pelo BRB. As prisões de Monteiro e Costa foram autorizadas pelo ministro André Mendonça e tramitam sob sigilo, com o diretor-executivo da PF, William Murad, destacando a complexidade da operação e o ministro da Justiça, Wellington Cesar Lima, afirmando que a Compliance Zero é parte de um rol de iniciativas do governo federal contra o crime organizado. Após a prisão de Paulo Henrique Costa, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, solicitou uma coletiva de imprensa ao ministro da Justiça, Wellington Silva, com o objetivo de desassociar o governo das fraudes do Banco Master e evitar que a crise atingisse o Planalto. Apesar da relevância da operação, uma entrevista convocada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre o tema foi utilizada para propaganda governamental, sem fornecer novas informações sobre a investigação, gerando frustração nas expectativas criadas.
Além das prisões, a operação gerou uma crise de confiança no BRB, impactando funcionários e clientes. Integrantes do Governo do Distrito Federal e da Câmara Legislativa expressaram preocupação com os desdobramentos da Operação Compliance Zero, temendo serem atingidos pelas investigações que levaram à prisão do ex-dirigente bancário. O Sindicato dos Bancários do DF já havia denunciado irregularidades nas negociações com o Master ao Banco Central e CVM em 2024. A crise institucional levou ao rebaixamento da nota do banco pela Moody's e à paralisação de projetos de expansão, com a governadora Celina Leão admitindo a possibilidade de fechar agências em outros estados. Economistas criticam a falta de transparência do BRB, que ainda não divulgou o balanço de 2025, e sugerem capitalização, empréstimos ou federalização como saídas para a crise, enquanto a situação alimenta o discurso pró-privatização.
Folha de São Paulo - Mercado • 16 abr, 19:49
Folha de São Paulo - Política • 16 abr, 16:12
Agência Brasil - EBC • 16 abr, 15:24
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