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Copom corta Selic para 13,75% enquanto Fed eleva juros nos EUA

Em decisões coordenadas, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevou os juros americanos para o intervalo de 3,75% a 4%.

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Foto: G1 - Economia
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17/09 às 05:15, atualizado 13:15

Pontos principais

  • O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atingindo 13,75% ao ano na 281ª reunião.
  • Esta foi a quinta redução consecutiva da taxa básica de juros brasileira pelo Banco Central.
  • O Federal Reserve elevou a taxa de juros americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.
  • A decisão do Fed marcou a primeira alta de juros nos Estados Unidos desde 2023.
  • O rendimento do Treasury de 10 anos atingiu 5% pela primeira vez em três anos após a decisão do Fed.
  • O comunicado do FOMC citou a necessidade de conter a inflação elevada, apesar do crescimento sólido da economia.
  • O Copom destacou a moderação gradual da atividade econômica brasileira e a desaceleração da inflação.
  • Investidores estrangeiros acumularam entrada líquida de R$ 7,25 bilhões na B3 até o dia 15 de setembro.
  • O estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos gera cautela sobre a continuidade do fluxo de capital externo.
  • Analistas apontam que fatores como câmbio, risco fiscal e commodities também influenciam as decisões de alocação.
  • O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 0,51% após a repercussão das decisões de política monetária.
  • O dólar comercial apresentou volatilidade, operando em queda após o ajuste de posições nos mercados globais.

O cenário macroeconômico global foi marcado por decisões divergentes de política monetária nesta semana. Em Brasília, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 13,75% ao ano. Este movimento representa o quinto corte consecutivo realizado pela autoridade monetária brasileira, que aponta para uma moderação gradual da atividade econômica e uma desaceleração da inflação, embora os índices ainda permaneçam acima da meta oficial.

Simultaneamente, o Federal Reserve (Fed) adotou uma postura contracionista nos Estados Unidos. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) elevou a taxa de juros básica em 0,25 ponto percentual, elevando o intervalo para 3,75% a 4,00% ao ano. Esta foi a primeira elevação de juros pelo banco central americano desde 2023, uma medida justificada pelo comunicado oficial como necessária para garantir a convergência da inflação à meta de 2%, em um contexto de crescimento econômico sólido e resiliência nos gastos domésticos.

A reação dos mercados financeiros foi imediata e refletiu a complexidade do ambiente econômico. Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos superou a marca de 5% pela primeira vez em três anos, pressionando o custo de crédito e as taxas de hipotecas. No Brasil, o Ibovespa encerrou o dia com queda de 0,51%, pressionado pela cautela dos investidores diante da alta dos juros americanos e das incertezas políticas locais, enquanto o dólar comercial registrou oscilações em meio ao reajuste de posições dos agentes financeiros.

O fluxo de capital estrangeiro na B3, que acumulou entrada líquida de R$ 7,25 bilhões até o dia 15 de setembro, agora é monitorado com atenção. O estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos gera incertezas sobre a continuidade desse movimento de entrada de recursos. Especialistas ressaltam que, além da política monetária, fatores como o risco fiscal, a trajetória do câmbio, o desempenho das commodities e a curva de juros de longo prazo serão determinantes para a alocação de portfólio dos investidores internacionais.

Estrategistas de mercado continuam a avaliar o impacto dessas decisões no cenário de médio prazo. Enquanto gestoras veem o ciclo de cortes da Selic como um fator de suporte para a atratividade das ações brasileiras, outros analistas alertam para riscos inflacionários persistentes e pressões externas. A trajetória futura da política monetária brasileira permanece sob escrutínio, com projeções do mercado indicando novos ajustes à medida que o cenário fiscal e eleitoral se desenha para os próximos anos.

Fontes primárias

Banco Central do Brasil / Copom

Copom reduz a taxa Selic para 13,75% a.a. — 281ª reunião — setembro 2026

Em decisão unânime na 281ª reunião (16/set/2026), o Copom reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% a.a. — quinto corte consecutivo de mesma magnitude. O comitê afirma que os indicadores mostram moderação gradual da atividade, sobretudo em setores mais cíclicos, com mercado de trabalho aquecido; a inflação cheia e as medidas subjacentes desaceleraram para abaixo do teto da banda de tolerância, mas ainda acima da meta. O Focus projeta inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027; a projeção do próprio Copom para o 1º tri/2028 (horizonte relevante) é de 3,2%. O comitê cita riscos altistas (desancoragem de expectativas, choques de petróleo e clima, câmbio mais depreciado, estímulo à demanda) e baixistas (desaceleração doméstica ou global mais forte, queda de commodities), reafirma que a magnitude total do 'ciclo de calibração' será definida à luz de novos dados e não antecipa os próximos passos. Votaram Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira.

Federal Reserve (FOMC)

Federal Reserve issues FOMC statement — September 16, 2026

O FOMC decidiu, por voto unânime (12-0), elevar a taxa de juros básica (federal funds rate) em 0,25 p.p., para o intervalo de 3,75%–4,00% — primeira alta desde 2023. O comunicado descreve a atividade econômica como 'em expansão a ritmo sólido', com gastos domésticos resilientes, forte crescimento de produtividade e robusto investimento em capital, mas destaca que 'a inflação permanece elevada', justificando a alta como necessária para reforçar a convergência à meta de 2%. O Fed reafirma o compromisso de manter reservas amplas no sistema bancário enquanto persegue a estabilidade de preços.

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