Visão geral
O Federal Reserve (Fed) é o banco central dos Estados Unidos, responsável pela condução da política monetária do país. Sua liderança é exercida por um Chair, cuja nomeação é de grande relevância para a economia global. A escolha para este cargo é feita pelo Presidente dos EUA e deve ser confirmada pelo Senado. O Fed desempenha um papel central na gestão da economia americana, monitorando indicadores de inflação e emprego para definir a trajetória das taxas de juros, especialmente em cenários de instabilidade econômica ou pressões inflacionárias. Sob a gestão de Kevin Warsh, que assumiu o cargo em 2026, a instituição iniciou um processo de revisão de seus métodos, ferramentas analíticas e estratégias de comunicação, buscando reduzir a presença do banco nos mercados financeiros, limitar o uso de orientações antecipadas (forward guidance) e avaliar o impacto de novas tecnologias, como a inteligência artificial, na produtividade e no mercado de trabalho.
Contexto histórico e desenvolvimento
O Federal Reserve foi estabelecido em 1913 com o objetivo de fornecer um sistema financeiro mais seguro, flexível e estável para os Estados Unidos. Ao longo de sua história, o Fed tem desempenhado um papel crucial na gestão da economia, especialmente em períodos de crise. A nomeação do Chair do Fed é um evento significativo, pois a pessoa no cargo influencia diretamente as decisões sobre taxas de juros, oferta de moeda e outras políticas que afetam a inflação, o emprego e o crescimento econômico. Em janeiro de 2026, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sua intenção de nomear um substituto para o Chair Jerome Powell, cujo mandato terminaria em maio de 2026, gerando expectativa sobre a futura direção da política monetária americana.
Linha do tempo
- 29 de janeiro de 2026: O presidente Donald Trump anuncia que escolherá o substituto de Jerome Powell na semana seguinte.
- Maio de 2026: Término do mandato de Jerome Powell como Chair do Federal Reserve.
- 12 de julho de 2026: Kevin Warsh realiza seu primeiro depoimento ao Congresso como novo Chair do Federal Reserve, sinalizando uma redução no uso de orientações antecipadas (forward guidance) e enfrentando expectativas de mercado por novos apertos monetários devido à persistência da inflação e à alta nos preços de energia. Na mesma data, Warsh anuncia a criação de cinco forças-tarefas compostas por especialistas acadêmicos e do setor privado para revisar as ferramentas analíticas, a comunicação e os métodos de atuação do banco central.
- 13 de julho de 2026: O rendimento dos títulos do Tesouro de dois anos atinge o nível mais alto desde o início de 2025, impulsionado pela alta nos preços do petróleo decorrente de tensões geopolíticas no Irã, o que reforça as expectativas do mercado por um endurecimento da política monetária pelo Federal Reserve. No mesmo dia, a diretora do Fed, Michelle Bowman, defende maior flexibilidade na atuação do Financial Stability Board (FSB), alertando que a imposição de normas rígidas e padronizadas pode prejudicar a eficácia do órgão internacional ao ignorar a diversidade dos sistemas financeiros nacionais.
- 16 de setembro de 2026: O FOMC eleva por unanimidade (12 a 0) a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, a primeira alta desde 2023. A taxa paga sobre reservas bancárias sobe para 3,90% a partir de 17 de setembro.
- 22 de setembro de 2026: Os presidentes dos Feds regionais de Boston, Susan Collins, e de Richmond, Thomas Barkin, defendem a alta e apontam a inflação como o principal risco. Na mesma data, John Williams, do Fed de Nova York, afirma em conferência sobre o mercado de títulos que o regime de reservas abundantes tem sido eficaz para controlar os juros de curto prazo.
- 27 de setembro de 2026: O secretário do Tesouro, Scott Bessent, diz em entrevista à Fox News que os dirigentes do Fed devem manter a "mente aberta" sobre os juros, atribuindo à inteligência artificial e à desregulamentação ganhos de produtividade capazes de conter a inflação.
- 28 de setembro de 2026: O Escritório do Inspetor-Geral do Fed divulga alerta sobre "falhas e deficiências" nos controles de segurança da informação do Conselho, a partir do caso de um funcionário que pode ter levado informação sigilosa do FOMC ao se aposentar em julho de 2024.
- 29 de setembro de 2026: O governador Michael Barr diz no Detroit Economic Club que novos ajustes nos juros provavelmente serão necessários para trazer a inflação à meta. No mesmo dia, John Williams, do Fed de Nova York, afirma em Buffalo que não há urgência em nova alta, mas que mais um aumento pode ser apropriado no fim do ano.
- 30 de setembro de 2026: O OIG divulga avaliação, datada de 29 de setembro, sobre a reforma dos edifícios Eccles e 1951, cujo orçamento passou de US$ 1,317 bilhão em 2020 para US$ 2,381 bilhões em 2024; o órgão aponta falhas de gestão de custos, mas não encontra base para encaminhamento criminal nem má conduta administrativa. No mesmo dia, o Conselho finaliza duas regras que reformulam os testes de estresse bancário, com voto contrário de Michael Barr, e o BEA informa que o índice de preços PCE subiu 3,4% em doze meses em agosto, abaixo do esperado, o que reduz as apostas de alta de juros em outubro. Na mesma tarde, Trump afirma que Jerome Powell deveria ser forçado a renunciar ao Conselho de Governadores e pede ao procurador-geral, Todd Blanche, que estude o relatório da reforma.
- 1º de outubro de 2026: O rendimento do título de 10 anos do Tesouro chega a 5,3445% durante o pregão, o maior nível desde 2002. No mesmo dia, o vice-chair Philip Jefferson diz que o comitê pode precisar de mais tempo para decidir o próximo passo, Michelle Bowman afirma não ver necessidade urgente de nova ação, Neel Kashkari, de Minneapolis, diz não ter posição firme sobre uma alta em outubro, e Lorie Logan, de Dallas, estima que os juros precisam subir mais 0,5 ponto percentual ou mais. Em entrevista à revista Time, Trump diz que os juros altos prejudicam a economia mais do que a inflação, mas que não culpa Warsh.
- 2 de outubro de 2026: O BLS informa que os EUA criaram 29 mil vagas fora do setor agrícola em setembro e que o desemprego subiu para 4,2%; a probabilidade de manutenção dos juros em outubro passa a 77% no CME FedWatch. No mesmo dia, o procurador-geral Todd Blanche diz à Bloomberg que o Departamento de Justiça não reabrirá a investigação criminal contra Jerome Powell sobre a reforma da sede.
Principais atores
- Federal Reserve (Fed): Banco central dos Estados Unidos.
- Donald Trump: Presidente dos Estados Unidos que iniciou o processo de sucessão na liderança do Fed em 2026.
- Kevin Warsh: Atual Chair do Federal Reserve, sucedendo Jerome Powell. Sob sua gestão, iniciou-se um processo de reforma institucional com a criação de cinco forças-tarefas compostas por especialistas para revisar os métodos, ferramentas analíticas e a comunicação da instituição.
- Jerome Powell: Antecessor de Kevin Warsh no cargo de Chair do Federal Reserve, cujo mandato encerrou-se em maio de 2026. Foi alvo de uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre seu depoimento de junho de 2025 acerca da reforma da sede, encerrada em abril de 2026 sem acusação; em setembro de 2026, o OIG concluiu não haver indício de crime nem de má conduta na obra. Ao deixar a presidência, permaneceu no Conselho como governador, com mandato até janeiro de 2028, algo incomum para ex-chairs; disse que ficaria até que a investigação estivesse encerrada "com transparência e caráter definitivo".
- Michelle Bowman: Vice-chair de supervisão do Federal Reserve, que tem defendido maior flexibilidade na regulação financeira internacional, alertando contra a imposição de normas rígidas pelo Financial Stability Board que ignorem a diversidade dos sistemas financeiros nacionais. Em 1º de outubro de 2026, apoiou a alta de setembro, mas disse não ver "necessidade urgente" de nova ação.
- Philip Jefferson: Vice-chair do Federal Reserve e membro votante do FOMC. Em 1º de outubro de 2026, afirmou que o comitê pode levar mais tempo para decidir se volta a subir os juros.
- Susan Collins: Presidente do Federal Reserve Bank de Boston, defensora de uma política monetária mais restritiva em 2026.
- Thomas Barkin: Presidente do Federal Reserve Bank de Richmond.
- Lorie Logan: Presidente do Federal Reserve Bank de Dallas e membro votante do FOMC em 2026. Votou contra a manutenção dos juros em julho de 2026, defendendo alta, e em outubro estimou que a taxa precisa subir mais 0,5 ponto percentual ou mais.
- Neel Kashkari: Presidente do Federal Reserve Bank de Minneapolis e membro votante do FOMC em 2026. Projeta mais uma alta em 2026 e outra em 2027.
- John Williams: Presidente do Federal Reserve Bank de Nova York e membro votante permanente do FOMC. Em setembro de 2026, disse não ver urgência em nova alta de juros depois da decisão do dia 16, mas considerou apropriado mais um aumento no fim do ano.
- Michael Barr: Membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve desde julho de 2022 e vice-chair de supervisão até fevereiro de 2025. Em setembro de 2026, defendeu novas altas de juros para conter a inflação e votou contra a reformulação dos testes de estresse bancário.
- Scott Bessent: Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que após a alta de setembro de 2026 defendeu publicamente que o Fed mantivesse a "mente aberta" sobre os juros.
Termos importantes
- Chair do Federal Reserve: O principal cargo de liderança dentro do Federal Reserve, responsável por presidir o Conselho de Governadores e o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
- Política monetária: Conjunto de ações tomadas pelo banco central para controlar a oferta de dinheiro e as taxas de juros, com o objetivo de influenciar a economia.
- Banco central: Instituição financeira que gerencia a moeda de um país, a oferta de dinheiro e as taxas de juros, além de supervisionar o sistema bancário.
Reformas e grupos de trabalho
Em julho de 2026, o Chair Kevin Warsh instituiu cinco forças-tarefas compostas por especialistas do setor privado e da academia com o objetivo de realizar uma revisão profunda nas ferramentas analíticas, métodos e abordagens de política monetária do Federal Reserve. A iniciativa busca restaurar a credibilidade da instituição, frequentemente questionada desde a crise de 2008, especialmente após falhas na previsão de pressões inflacionárias. As prioridades estabelecidas pela gestão Warsh incluem a redução da presença do Fed nos mercados financeiros, a diminuição do uso de orientações antecipadas (forward guidance) e a modernização dos modelos estatísticos utilizados pelo corpo técnico. O corpo de especialistas convocado inclui nomes como o Nobel de Economia Thomas Sargent, o ex-presidente do Banco Central do Brasil Arminio Fraga, o ex-economista-chefe do FMI Raghuram Rajan, o investidor Marc Andreessen e o ex-CEO do Walmart Doug McMillon. Os grupos foram divididos por eixos temáticos, abrangendo desde a comunicação da instituição — sob liderança de Fraga e Mervyn King — até o impacto da inteligência artificial na produtividade e no mercado de trabalho. Outros grupos focam na gestão do balanço financeiro, na resposta à inflação e na qualidade dos dados empregados nas tomadas de decisão. Esta reestruturação complementa as mudanças iniciadas por Warsh logo após sua posse, que já resultaram na eliminação do forward guidance e na adoção de comunicados mais concisos pelo FOMC.
Alta de juros de 2026
Em 16 de setembro de 2026, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) elevou a taxa dos fed funds em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, em votação unânime de 12 a 0. Foi a primeira alta de juros desde 2023. Na reunião de julho, três membros do comitê haviam votado contra a manutenção da taxa e defendido uma alta de 0,25 ponto. O Conselho de Governadores também elevou para 3,90% a remuneração das reservas bancárias, com vigência a partir de 17 de setembro.
Na entrevista coletiva após a decisão, Kevin Warsh afirmou que a inflação estava "alta demais por tempo demais" e disse que o comitê só pararia quando estivesse confiante de que a inflação subjacente caminhava para a meta "de forma clara e em velocidade suficiente". Segundo a Reuters, as pressões inflacionárias refletiam as tarifas de importação do governo Trump, o choque de energia após o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã e os investimentos ligados ao boom da inteligência artificial. As projeções do comitê indicaram PCE de 3,7% em 2026 e 2,3% em 2027, crescimento do PIB de 2,3% em 2026 e desemprego em torno de 4,1%. A mediana apontou juros de 4,1% no fim de 2026, o que indica mais uma alta no ano. Dos 18 participantes, 16 previram ao menos mais uma alta. Warsh manteve a prática de não enviar projeção própria.
Em 22 de setembro de 2026, Susan Collins, do Fed de Boston, apoiou a decisão e disse ver risco maior de a inflação ficar acima de 2%, com um mercado de trabalho mais forte. Thomas Barkin, do Fed de Richmond, afirmou que os riscos à estabilidade de preços superam os riscos ao pleno emprego, com a inflação acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
Em 27 de setembro de 2026, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou no programa Sunday Morning Futures, da Fox News, que o Conselho e os membros votantes do Fed deveriam manter a "mente aberta" sobre os juros. Segundo ele, a desregulamentação ampliou a oferta e os ganhos de produtividade trazidos pela inteligência artificial permitiriam crescer mais sem pressionar a inflação. Bessent comparou o momento ao do fim dos anos 1990, quando Alan Greenspan "deixou a economia correr" diante dos ganhos da internet, e disse que Warsh está "bem ciente" disso. Afirmou ainda que o núcleo da inflação estava "muito contido" e atribuiu a inflação cheia ao petróleo encarecido pela guerra com o Irã. Em agosto, o índice de preços ao consumidor subiu 3,4% em doze meses, com núcleo de 2,4%, segundo dados divulgados em 11 de setembro. A Bloomberg leu as declarações como um apelo indireto para que o Fed evitasse novas altas.
Em 29 de setembro de 2026, o governador Michael Barr afirmou no Detroit Economic Club que o Fed havia sido "tirado do rumo" no caminho para a meta de 2%, pela combinação da energia cara, efeito do conflito no Oriente Médio, e da demanda gerada pelos investimentos em inteligência artificial. Barr contou apenas dois meses, nos 20 anteriores, com núcleo do PCE compatível com 2% e disse ainda não ver "uma tendência clara de retorno oportuno" à meta. No seu cenário-base, "novos ajustes de política provavelmente serão necessários". Barr também argumentou que um ganho duradouro de produtividade trazido pela IA tenderia a elevar o juro neutro e, portanto, o nível adequado da taxa básica, mas considerou cedo para saber se isso já está ocorrendo.
No mesmo dia, em discurso na Universidade de Buffalo, John Williams, do Fed de Nova York, disse que, com a alta de setembro, "não há necessidade de urgência" e que o comitê tem tempo para reunir mais dados. Se a economia evoluir como ele prevê, "mais um ajuste para cima" da faixa dos fed funds "pode ser apropriado no fim deste ano". Williams projetou inflação de 3,5% em 2026, pouco acima de 2% em 2027 e na meta em 2028, com crescimento do PIB em torno de 2,25% e desemprego perto de 4% no ano seguinte. Segundo a Reuters, os operadores reduziram as apostas em alta na reunião de 27 e 28 de outubro e passaram a precificar um único aumento no ano, mais provavelmente em dezembro. No Brasil, a acomodação dos rendimentos dos Treasuries após a fala levou os juros futuros negociados na B3 a fecharem em queda.
Em 30 de setembro de 2026, o Bureau of Economic Analysis (BEA) informou que o índice de preços PCE, a medida de inflação acompanhada pelo Fed, subiu 0,3% em agosto e 3,4% em doze meses, mesmo nível de julho, que foi revisado para baixo; o mercado esperava 3,7%. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e 3,0% em doze meses. O relatório incorporou a atualização anual das contas nacionais, com mudanças na forma de medir alguns preços e revisões desde janeiro de 2021. Os gastos de consumo cresceram 0,9% no mês em termos nominais e 0,6% em termos reais. Segundo o CME FedWatch, a chance de alta de 0,25 ponto na reunião de 27 e 28 de outubro, que era de 49,1% na véspera, deu lugar a uma probabilidade de 60,7% de manutenção da taxa.
Em 1º de outubro de 2026, a alta dos juros longos dominou as falas de dirigentes do Fed. Durante o pregão, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro chegou a 5,3445%, o maior nível desde 2002, segundo a Reuters, antes de recuar à tarde. O vice-chair Philip Jefferson disse na Darden School of Business, da Universidade da Virgínia, que os rendimentos de todos os prazos haviam subido desde a reunião de setembro e que os dirigentes precisariam formar o próprio juízo, "o que pode levar mais tempo"; ele vê riscos de alta para a inflação, acima da meta há mais de cinco anos. A vice-chair de supervisão Michelle Bowman, em evento do Atlantic Council em Washington, afirmou não ver "necessidade urgente de nova ação" e querer entender melhor como as tendências da economia e as condições financeiras evoluem. Em entrevista à Reuters, Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, disse não ter "posição firme" sobre uma alta na reunião de 27 e 28 de outubro e que suas projeções de setembro previam mais uma alta de 0,25 ponto em 2026 e outra em 2027. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro.
Na direção oposta, Lorie Logan, do Fed de Dallas, estimou que a faixa dos fed funds precisa subir mais 0,5 ponto percentual ou mais para tornar a política "modestamente restritiva". Para ela, a alta dos juros longos mostra que o mercado espera juros maiores e "não faz o trabalho" do Fed, embora um prêmio de prazo mais alto possa desacelerar a economia e reduzir a necessidade de aperto. Numa conferência do Fed de Richmond em Asheville, na Carolina do Norte, Jeff Schmid, do Fed de Kansas City, disse que os juros longos começam a gerar atrito no crédito para habitação multifamiliar e para empréstimos comerciais e a afetar o preço dos imóveis. Thomas Barkin atribuiu parte da alta das taxas à demanda criada pela construção de infraestrutura de inteligência artificial, de "trilhões de dólares", e Susan Collins disse que ainda "resta saber" se esse investimento seguirá no ritmo atual.
No mesmo dia, em entrevista à revista Time, Donald Trump disse que os juros altos prejudicam a economia mais do que a inflação e que os EUA deveriam ter "a menor taxa de juros do mundo". Voltou a acusar integrantes do Conselho de agir politicamente contra o governo, mas afirmou não culpar Kevin Warsh pelas decisões recentes.
Em 2 de outubro de 2026, o Bureau of Labor Statistics (BLS) informou que a folha de pagamento não agrícola cresceu 29 mil vagas em setembro, ante média mensal de 45 mil nos doze meses anteriores; o mercado esperava entre 80 mil e 90 mil, segundo o InfoMoney. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, com 7,1 milhões de desempregados. As revisões tiraram 60 mil vagas dos dois meses anteriores: julho passou de alta de 21 mil para perda de 10 mil, e agosto de 162 mil para 133 mil. O rendimento médio por hora no setor privado subiu 0,1% no mês, para US$ 37,81, e 3,0% em doze meses. Os rendimentos dos Treasuries e o dólar recuaram, e a probabilidade de manutenção dos juros na reunião de 27 e 28 de outubro chegou a 77% no CME FedWatch. O Nasdaq fechou em máxima histórica, a 27.190,86 pontos.
Segurança da informação
Em 28 de setembro de 2026, o Escritório do Inspetor-Geral (OIG) do Conselho do Federal Reserve divulgou um alerta de gestão, antecipado a uma auditoria sobre o desligamento de funcionários, apontando "falhas e deficiências" nos controles de segurança da informação da instituição. O caso central envolve um funcionário da divisão de Finanças Internacionais que se aposentou em julho de 2024 e que, nos 90 dias anteriores à saída, gerou 279 alertas de prevenção de perda de dados, 111 deles possivelmente ligados a informação do FOMC. Segundo o OIG, o incidente não foi totalmente resolvido e o material removido não foi integralmente recuperado; várias divisões deixaram de revisar o que saiu e de escalar o caso. O órgão também encontrou lacunas em outros desligamentos testados, como a falta de restrição ao uso de pendrives sem criptografia. O inspetor-geral concluiu que não havia base suficiente para abrir investigação por má conduta, e o Fed concordou em adotar as recomendações de reforço dos controles. A versão pública do relatório saiu com trechos tarjados.
Reforma da sede
Em 30 de setembro de 2026, o OIG divulgou sua avaliação da reforma dos edifícios Marriner S. Eccles e 1951 Constitution Avenue, em Washington, datada de 29 de setembro. O orçamento aprovado do projeto subiu de US$ 1,317 bilhão em fevereiro de 2020 para US$ 2,381 bilhões em dezembro de 2024, e a parcela de construção mais que dobrou no período, de US$ 921 milhões para US$ 2,018 bilhões. Em janeiro de 2026, o construtor apresentou uma proposta de custo de construção de US$ 2,135 bilhões e pediu para adiar a conclusão substancial da obra de 24 de junho para 31 de dezembro de 2027.
Segundo o relatório, o Conselho não executou com eficácia o contrato de construção na modalidade "construction manager at risk" e deixou de usar os mecanismos de controle de custos que ele previa. Até julho de 2026, mais de quatro anos depois do início das obras, não havia sido fixado um preço máximo garantido; em vez disso, o custo vinha sendo definido pela soma de 84 pacotes de preço contratados um a um, sem teto prévio. Uma mudança de projeto em janeiro de 2023, de espaços abertos para salas fechadas, atrasou em 21 meses a conclusão do desenho de interiores. O OIG também atribuiu a alta à inflação, à pouca concorrência entre subcontratadas e às condições do terreno, e concluiu que itens como o mármore, os espelhos d'água e o terraço-jardim não pesaram de forma relevante no aumento. Foram feitas sete recomendações, aceitas pelo Fed.
A reforma estava no centro do conflito entre o governo de Donald Trump e Jerome Powell. Em janeiro de 2026, Powell revelou que o Departamento de Justiça havia aberto uma investigação criminal sobre seu depoimento ao Congresso de junho de 2025, que tratou em parte da obra; a procuradoria federal de Washington encerrou a apuração em 24 de abril de 2026, enquanto o OIG conduzia sua avaliação. O inspetor-geral afirmou não ter encontrado, em nenhum momento, base razoável para crer que houve violação da lei penal federal, nem má conduta administrativa. Kevin Warsh anunciou que a General Services Administration (GSA), agência federal de gestão de imóveis, assumiria a gestão da obra, e o Fed aceitou as recomendações do relatório. Na tarde do mesmo dia, Trump publicou na Truth Social que Powell, que continua no Conselho como governador, deveria ser forçado a renunciar "imediatamente". Disse ter pedido ao procurador-geral, Todd Blanche, que estudasse o relatório e defendeu que o governo processasse Powell por "corrupção ou incompetência" caso ele não deixasse o cargo. Powell havia dito que permaneceria no Conselho até que a investigação estivesse encerrada "com transparência e caráter definitivo"; seu mandato de governador vai até janeiro de 2028.
Em resposta ao relatório, Warsh disse que o Fed contrataria uma auditoria independente do projeto. Em 2 de outubro de 2026, o procurador-geral Todd Blanche afirmou em entrevista à Bloomberg que o Departamento de Justiça não reabriria a investigação criminal contra Powell. Segundo ele, Powell "não agiu de forma apropriada no que diz respeito à supervisão", mas "cometer erros e não ter nenhum tipo de supervisão sobre quem toca projetos de bilhões de dólares não é necessariamente crime". Blanche não descartou continuar examinando a supervisão da obra e agir caso surjam provas de irregularidade.
Supervisão bancária
Em 30 de setembro de 2026, o Conselho do Federal Reserve finalizou duas regras que mudam os testes de estresse aplicados aos grandes bancos, em linha com propostas apresentadas em outubro de 2025. A primeira obriga o Fed a submeter a consulta pública, todo ano, os cenários hipotéticos e as mudanças relevantes nos modelos, fixa 10 de janeiro como prazo para divulgar os cenários propostos e adota os modelos do teste de 2027. A segunda passa a calcular, a partir de 2028, o colchão de capital de estresse pela média dos dois testes anuais mais recentes. Segundo o Fed, as mudanças devem reduzir em cerca de 50% a volatilidade anual das exigências de capital, sem alterar de forma relevante o capital agregado do sistema. A vice-chair de supervisão, Michelle Bowman, disse que as exigências seguem "transparentes, granulares e sensíveis a risco". O governador Michael Barr votou contra e afirmou que a regra, com o tempo, reduzirá "o dinamismo, o rigor, o conservadorismo e a credibilidade" do teste e minará a estabilidade financeira.
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