Superquarta: Copom deve cortar Selic enquanto Fed tende a elevar juros
Mercado financeiro aguarda decisões divergentes de política monetária no Brasil e nos EUA nesta quarta-feira, com o Fed Rate Monitor apontando 92,1% de chance de alta americana.
Pontos principais
- O Copom tem expectativa de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.
- O Federal Reserve projeta elevar os juros americanos em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4,00%.
- A probabilidade de alta nos juros dos EUA subiu para 92,1% nesta quarta-feira, segundo o Fed Rate Monitor do CME Group.
- O boletim Focus de 11 de setembro projeta a Selic em 13,75% e o câmbio em R$ 5,20 para o fim de 2026.
- O presidente Donald Trump tem pressionado publicamente por uma redução nos juros americanos.
- Analistas apontam que o tom dos comunicados dos bancos centrais será o principal catalisador para os mercados.
O mercado financeiro brasileiro vive a expectativa da chamada Superquarta, dia em que o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed) anunciam suas decisões sobre as taxas de juros. A projeção majoritária é de um movimento divergente entre as instituições: enquanto o Copom deve promover o quinto corte consecutivo na Selic, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual para 13,75% ao ano, o banco central americano tende a elevar seus juros em 0,25 ponto, situando a meta na faixa de 3,75% a 4,00%. O boletim Focus do Banco Central, divulgado em 11 de setembro, já trazia a Selic de setembro na mesma mediana de 13,75%, patamar estável havia cinco semanas entre as instituições consultadas.
A decisão do Fed ganha contornos de incerteza devido à pressão pública exercida pelo presidente Donald Trump por juros mais baixos e à persistência da inflação americana acima da meta de 2%. Para os investidores, a sinalização contida nos comunicados oficiais de ambos os bancos centrais é considerada mais relevante do que o ajuste imediato das taxas. O Fed Rate Monitor do CME Group, calculado a partir dos futuros de Fed Funds, atribuía nesta quarta-feira 92,1% de probabilidade a uma alta para a faixa de 3,75% a 4,00%, ante 60,4% na semana anterior.
O cenário de juros mais altos nos Estados Unidos, com o Focus projetando o câmbio em R$ 5,20 por dólar até o fim de 2026, representa um risco para moedas e bolsas de países emergentes, podendo aumentar a volatilidade dos ativos. A realização das decisões nesta quarta-feira marca um momento decisivo para a política monetária global, com investidores monitorando como o descompasso entre as economias brasileira e americana impactará o fluxo de capital e as projeções macroeconômicas para o restante do ano.
Fontes primárias
Focus Relatório de Mercado — Expectativas de Mercado, 11 de setembro de 2026
Na mediana das projeções coletadas pelo Banco Central junto a instituições financeiras, a Selic termina 2026 em 13,75% a.a. (ante 14% atual), IPCA projetado em 5,02%, PIB em 1,98% e câmbio em R$ 5,20. A leitura do mercado embute um corte de 0,25 p.p. na reunião do Copom de 15 e 16 de setembro.
Fed Rate Monitor Tool — probabilidades implícitas para a decisão de 16/set/2026
Com base nos futuros de Fed Funds de 30 dias negociados na CME, o mercado precifica 92,1% de probabilidade de o FOMC elevar a faixa de juros para 3,75%–4,00% na reunião de 16 de setembro de 2026 (ante 3,50%–4,00% atual), e apenas 7,9% de chance de manutenção — o que marcaria a primeira alta desde 2023.
