Copom reduz Selic para 14% ao ano em decisão unânime
O Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, adotando postura neutra e mantendo cautela sobre os próximos passos da política monetária.
Pontos principais
- O Copom reduziu a taxa Selic de 14,25% para 14,00% ao ano, marcando o quarto ajuste consecutivo.
- A decisão foi unânime, mas o comunicado do Banco Central abandonou a sinalização de espaço amplo para novos cortes.
- O dólar fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,107, descolando-se da tendência global de valorização da moeda americana.
- As taxas dos DIs subiram, influenciadas pela volatilidade externa e pela alta dos rendimentos dos Treasuries americanos.
- O mercado financeiro monitora tensões no Estreito de Ormuz e a alta do petróleo, que pressionam o cenário macroeconômico.
- Investidores aguardam a divulgação de dados do payroll nos EUA e balanços corporativos do segundo trimestre, como o da Petrobras.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quinta-feira a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano. A decisão, que foi unânime entre os membros do colegiado, reflete um movimento de cautela, uma vez que o comunicado oficial não sinalizou compromisso com novos cortes para a reunião de setembro. A postura, classificada por analistas como mais neutra, marca uma mudança em relação às expectativas anteriores de uma flexibilização monetária mais agressiva.
A reação do mercado financeiro foi mista. Enquanto a curva de juros futuros (DIs) fechou em alta, acompanhando o movimento de valorização dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e a pressão de alta sobre o petróleo Brent, o câmbio apresentou comportamento distinto. O dólar à vista recuou 0,41%, encerrando o dia a R$ 5,107. Especialistas apontam que a manutenção da Selic em patamares ainda elevados, apesar do corte, continua a desencorajar apostas contra o real, permitindo que a moeda brasileira se descolasse da tendência global de fortalecimento do dólar.
O cenário externo permanece como um fator de incerteza relevante para os investidores. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, especificamente as negociações sobre o Estreito de Ormuz, mantêm o preço do petróleo em patamares elevados, o que influencia a inflação global. Paralelamente, o mercado aguarda com expectativa a divulgação dos dados do payroll nos Estados Unidos, que servirão como um indicador decisivo para as próximas movimentações do Federal Reserve. No Brasil, o foco se volta agora para a temporada de balanços corporativos do segundo trimestre, com destaque para os resultados da Petrobras, que seguem no radar dos investidores em meio à agenda política e econômica doméstica.
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