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Mensagens revelam ao menos seis encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro

Relatório da Polícia Federal com dados do celular de Daniel Vorcaro, entregue em 27 de agosto ao ministro André Mendonça, detalha encontros com Alexandre de Moraes desde dezembro de 2023 e dois contratos do Banco Master com o escritório da mulher do ministro, um deles com metadados que atribuem a última edição a um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes".

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Foto: Folha de São Paulo - Política
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01/09 às 14:45, atualizado 09/09 às 07:10

Pontos principais

  • A Polícia Federal recuperou mensagens apagadas do iPhone de Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, e produziu o relatório IPJ-A nº 3298613/2026, entregue em 27/8 ao ministro André Mendonça.
  • O contato "Alexandre de Moraes BRASILIA" foi compartilhado com Vorcaro pelo ex-ministro Fábio Faria em 26/12/2023, dias após o primeiro encontro dos três, em 21/12/2023, num endereço em São Paulo.
  • Entre os encontros presenciais listados estão um almoço em 30/12/2023 no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, com um desembargador presente, e ao menos sete outras ocasiões entre novembro de 2024 e agosto de 2025, a última em 8/8/2025.
  • Nas mensagens, o ministro é tratado por apelidos como "Alex" e "o careca".
  • Um contrato de 23/1/2024 entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, previu pagamentos mensais de R$ 3.422.268,14; os metadados da minuta atribuem a "última modificação" a um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes".
  • Um segundo contrato, de maio de 2025, entre o mesmo escritório e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, previu pagamento em cotas de um jato Legacy 650 e de um helicóptero, com fatura de R$ 22.815.120,95 cobrada em julho de 2025.
  • O material mostra Vorcaro pedindo convites para a filha do ministro e organizando, com recursos do banco, um evento em Londres (24 a 27/4/2024), com veículos reservados aos ministros do STF "mais sensíveis".
  • O ministro André Mendonça convocou uma reunião com a PF para solicitar um relatório sobre os diálogos, medida vista por integrantes da corporação como um excesso.
  • Há indícios de que filhos do ministro teriam recebido cartões de crédito emitidos pelo Banco Master.
  • A própria PF ressalva que, pelo prazo de 72 horas para entregar o relatório, a análise "não possui caráter exaustivo" e cobriu apenas menções diretas aos nomes envolvidos.
  • O conteúdo das mensagens expõe elos entre o magistrado e o banqueiro, gerando repercussão na cúpula do Judiciário.

A Polícia Federal obteve acesso a mensagens deletadas do iPhone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apreendido na Operação Compliance Zero, e reuniu o material num relatório de análise (IPJ-A nº 3298613/2026) entregue em 27 de agosto ao ministro do STF André Mendonça, que revela uma relação próxima entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o documento, o contato salvo no telefone de Vorcaro como "Alexandre de Moraes BRASILIA" foi compartilhado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em 26 de dezembro de 2023, e os primeiros contatos remontam a cinco dias antes. Os encontros identificados vão de um almoço em 30 de dezembro de 2023, no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, a ao menos sete ocasiões entre novembro de 2024 e agosto de 2025 em que Vorcaro avisa familiares e funcionários de que está "com alexandre" ou "com Moraes", tratado nas mensagens por apelidos como "Alex" e "o careca". Além das reuniões, o documento detalha um contrato de 23 de janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, com pagamentos mensais de R$ 3.422.268,14, cuja minuta traz nos metadados a "última modificação" atribuída a um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes"; e um segundo contrato, de maio de 2025, com a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, que previu pagamento em cotas de um jato e de um helicóptero, com fatura de R$ 22.815.120,95. O caso ganhou contornos de crise institucional depois que André Mendonça realizou uma reunião surpresa com a Polícia Federal para requisitar o relatório detalhado sobre as interações, medida recebida por integrantes da corporação como um excesso de autoridade. A própria PF ressalva que, pelo prazo de 72 horas dado por Mendonça, a análise "não possui caráter exaustivo" e cobriu apenas menções nominais diretas, podendo haver outras referências ainda não identificadas.

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