O ministro Alexandre de Moraes negou que mensagens de Daniel Vorcaro no dia de sua prisão fossem para ele, após análise técnica. A PF investiga o vazamento de dados do ex-banqueiro, que foi transferido para presídio federal, enquanto novas revelações apontam para mensagens periciadas entre Vorcaro e Moraes.
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e figura central na Operação Compliance Zero, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a instauração de um inquérito para apurar o vazamento de mensagens íntimas e diálogos com autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens foram extraídas de seu celular apreendido e, segundo a defesa, estão sendo divulgadas de forma editada e fora de contexto, sem que sequer os advogados tivessem acesso ao material completo. Em resposta às alegações, a Secretaria de Comunicação do STF, a pedido do gabinete de Alexandre de Moraes, negou que as mensagens enviadas por Vorcaro no dia de sua prisão fossem direcionadas ao ministro. Uma análise técnica dos dados telemáticos do banqueiro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas em 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos de Moraes nos arquivos apreendidos, e os prints estão vinculados a pastas de outras pessoas da lista de contatos de Vorcaro. O STF afirmou que os nomes e telefones associados aos arquivos não serão divulgados devido a sigilo decretado pelo ministro André Mendonça.
Em um desdobramento recente, o jornal O Globo publicou que mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes foram extraídas e periciadas pela Polícia Federal. Segundo a reportagem, a análise técnica da PF permite visualizar o conteúdo das mensagens do WhatsApp e imagens de visualização única, sendo este material diferente do que foi compartilhado com a CPMI do INSS. O conteúdo acessado pelo jornal exibe o número e nome do ministro Alexandre de Moraes, que foi conferido, e indica que o número de Moraes respondeu quatro vezes às mensagens de Vorcaro com imagens de visualização única e emojis de aprovação. Para proteger informações pessoais, o número de Moraes foi coberto nos prints publicados pelo jornal.
Paralelamente, o ministro do STF André Mendonça determinou que a Polícia Federal investigue o vazamento de dados da investigação do Banco Master. A decisão foi motivada por um pedido da defesa de Daniel Vorcaro, que alegou que o material foi vazado após ser entregue à CPMI do INSS por decisão do próprio ministro. Os dados de Vorcaro foram solicitados pela CPMI para apurar supostas fraudes em empréstimos consignados envolvendo o Banco Master. Mendonça enfatizou que a quebra de sigilo não torna as informações públicas e que a autoridade que as recebeu tem responsabilidade pela manutenção do sigilo. Além disso, Mendonça ordenou que a CPMI do INSS devolva à Polícia Federal todos os dados compartilhados da quebra de sigilo telemático de Vorcaro, reforçando que o acesso a informações sigilosas não autoriza sua divulgação pública por membros de comissões parlamentares.
Novas revelações aprofundam a crise, com mensagens de WhatsApp atribuídas a Daniel Vorcaro e enviadas a Alexandre de Moraes vindo à tona. Os diálogos ocorreram horas antes da primeira prisão de Vorcaro em novembro de 2025, conforme reportagem de Malu Gaspar. Nessas conversas, Vorcaro tentava antecipar a assinatura de investidores para uma operação do Banco Master e expressava preocupação com vazamentos. Outras mensagens de Vorcaro com sua namorada, Martha Graeff, também mencionam encontros com o ministro. Em resposta a essas revelações, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), anunciou que protocolará um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes na próxima terça-feira, 10, questionando a imparcialidade do ministro por manter comunicações com investigados. Mensagens de Vorcaro indicam que ele prestava contas a Moraes sobre a venda do banco e consultava sobre um inquérito sigiloso, além de ter consultado o ministro sobre a lista de convidados para um fórum jurídico, resultando no bloqueio de Joesley Batista do evento. A análise dos dados do celular de Vorcaro revelou contatos com diversas autoridades públicas, incluindo ministros do STF e diretores do Banco Central.
Daniel Vorcaro, preso na quarta-feira (4) em São Paulo como parte da Operação Compliance Zero, foi transferido de Potim, SP, para a Penitenciária Federal em Brasília, após autorização do ministro André Mendonça do STF. A PF solicitou a transferência para garantir a integridade física de Vorcaro e alegando que ele poderia influenciar as investigações. A Penitenciária Federal em Brasília é uma prisão de segurança máxima, projetada para isolar líderes de facções e considerada impenetrável. Vorcaro permanecerá por pelo menos 20 dias em uma cela de inclusão, seguindo os protocolos do Sistema Penitenciário Federal. Paralelamente, a Polícia Federal descobriu que Vorcaro mantinha uma "milícia privada" para coletar informações, espionar e ameaçar adversários, autoridades e jornalistas. Um dos ajudantes de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", foi preso e tentou suicídio na prisão, estando em estado grave. A imprensa internacional, incluindo veículos como Financial Times e Bloomberg, repercutiu a segunda prisão de Daniel Vorcaro e as revelações sobre sua rede de contatos e métodos de intimidação.
G1 Política • 6 mar, 20:30
Agência Brasil - EBC • 6 mar, 19:14
InfoMoney • 6 mar, 19:23