Banco do Brasil enfrenta desafios operacionais e alta na inadimplência
Deterioração da carteira de crédito no agronegócio e inadimplência crescente pressionam o ROE e a estrutura de capital do Banco do Brasil.
Pontos principais
- A inadimplência acima de 90 dias no segmento agropecuário atingiu 6,3% no segundo trimestre de 2026.
- O Banco do Brasil registrou um ROE de 8,3%, patamar inferior ao de seus principais concorrentes privados.
- O banco iniciou renegociações de dívidas rurais baseadas na MP 1.376 para tentar conter o avanço dos calotes no setor.
- Analistas do Citi reduziram o preço-alvo da ação para R$ 18, citando incertezas sobre a resolução dos problemas operacionais.
- O cenário de margens reduzidas no campo e crédito restrito pressiona a viabilidade do guidance da instituição.
O Banco do Brasil atravessa um momento de pressão em seus indicadores operacionais, refletindo uma deterioração acentuada na qualidade de sua carteira de crédito. O segmento de agronegócio, historicamente um pilar da instituição, apresentou uma taxa de inadimplência superior a 90 dias de 6,3% no segundo trimestre de 2026. Esse desempenho contribuiu para que o banco alcançasse um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de apenas 8,3%, resultado considerado aquém das expectativas do mercado quando comparado a pares como Itaú e Bradesco. Em resposta, a instituição começou a implementar renegociações de dívidas rurais amparadas pela Medida Provisória 1.376, que busca oferecer condições especiais para produtores afetados por perdas climáticas e de mercado entre 2019 e 2025. A medida abrange um volume potencial de até R$ 100 bilhões, visando mitigar o impacto das provisões no balanço do banco. A situação é agravada por um contexto macroeconômico de margens de lucro menores no campo e restrição de crédito. Analistas do mercado financeiro, incluindo o Citi, têm questionado a viabilidade do guidance da companhia e apontado a necessidade de medidas mais robustas para reforçar a estrutura de capital. Paralelamente, o setor bancário como um todo monitora possíveis novas regulações do Banco Central, que estuda ferramentas para conter o endividamento das famílias, adicionando uma camada extra de incerteza regulatória para as instituições financeiras que operam no país.
