Bradesco lucra R$ 7,05 bi no 2º trimestre, mas ações caem
O banco atingiu o décimo trimestre consecutivo de alta no lucro, mas o aumento nas despesas com provisões para inadimplência gerou cautela no mercado.
Pontos principais
- Lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16% na comparação anual.
- Carteira de crédito expandiu 11,6% em 12 meses, totalizando R$ 1,137 trilhão.
- Inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3%, pressionando o índice de cobertura.
- Ações registraram queda no pregão após a divulgação do balanço financeiro.
- Participação de operações com garantia na carteira total atingiu 61%.
- Conselho aprovou aumento de capital de R$ 10 bilhões para a instituição.
- CEO Marcelo Noronha reforçou foco em crédito para pequenas e médias empresas.
O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, consolidando uma sequência de dez trimestres de crescimento. Apesar do desempenho financeiro positivo, que superou as expectativas de parte do mercado, as ações da instituição operaram em queda no pregão desta quarta-feira. O movimento reflete a preocupação de investidores e analistas com a deterioração na qualidade dos ativos, evidenciada pelo aumento das despesas com a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) e pela elevação da inadimplência acima de 90 dias para 4,3%.
Durante a teleconferência de resultados, a diretoria do banco defendeu a estratégia de gestão de portfólio, destacando que a participação de operações com garantia na carteira total subiu para 61%. Executivos ressaltaram que a inadimplência em linhas específicas, como o crédito consignado e o setor rural, apresentou redução no período, atribuindo variações técnicas nos indicadores ao uso de fundos garantidores governamentais. O banco mantém o otimismo quanto à qualidade das operações atuais e projeta que o crescimento da carteira de crédito deve convergir para o guidance anual, entre 8,5% e 10,5%.
A recepção do mercado ao balanço foi heterogênea. Enquanto instituições como Genial Investimentos e Morgan Stanley destacaram a sustentabilidade da rentabilidade e a liderança do banco no segmento de pequenas e médias empresas, analistas de casas como XP, Goldman Sachs e JPMorgan adotaram uma postura mais cautelosa. O cenário macroeconômico, marcado pela pressão das taxas de juros, continua sendo um fator central para a avaliação do setor bancário, com o CEO Marcelo Noronha projetando que eventuais cortes na taxa Selic pelo Banco Central ainda este ano poderão beneficiar a dinâmica de crédito para empresas alavancadas.
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