Câmara aprova projeto que reduz impostos sobre combustíveis e altera arcabouço
Texto aprovado utiliza receitas do petróleo para subsidiar combustíveis, fertilizantes e minerais críticos, além de impor novas travas ao crescimento de despesas.
Pontos principais
- O PLP 114/26 reduz tributos federais sobre diesel, gasolina, etanol e querosene de aviação.
- A proposta prevê R$ 1,2 bilhão em subvenção para produtores de etanol em 2026.
- O texto concede até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para fertilizantes e bioinsumos entre 2027 e 2031.
- Investimentos em defesa, no valor de R$ 2,5 bilhões, foram retirados do limite de gastos do arcabouço fiscal.
- O projeto estabelece uma trava que veda o crescimento de despesas vinculadas acima de 2,5% em anos de déficit primário.
- Receitas extraordinárias do petróleo não serão contabilizadas na Receita Corrente Líquida para fins de vinculação de gastos.
- O texto inclui isenções fiscais para a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027.
A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei Complementar 114/26, que busca mitigar os impactos econômicos da alta nos preços dos combustíveis, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. A relatora, deputada Marussa Boldrin, ampliou a proposta original com a inclusão de diversos benefícios setoriais, conhecidos como 'jabutis', que contemplam desde a agroindústria até a organização da Copa do Mundo Feminina de 2027. A medida utiliza o aumento na arrecadação federal com petróleo e gás natural, que atingiu R$ 28 bilhões no primeiro trimestre de 2026, para compensar a redução de alíquotas tributárias.
Além dos incentivos fiscais, o projeto promove alterações estruturais nas regras de gastos da União. O texto institui uma trava para o crescimento de despesas vinculadas em cenários de déficit primário e retira R$ 2,5 bilhões em investimentos de defesa do teto estabelecido pelo arcabouço fiscal. Outro ponto relevante é a antecipação de R$ 3 bilhões do Fundo Social para as áreas de saúde e educação em 2026. A proposta agora segue para análise das implicações fiscais de longo prazo, enquanto o governo busca equilibrar a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis e o suporte ao setor produtivo rural.
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