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Exportadores brasileiros buscam novos mercados após tarifas de Trump

Setores do agronegócio redirecionam vendas para Europa e Ásia para mitigar perdas causadas pela sobretaxa de 25% imposta pelos EUA a partir de julho.

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Foto: G1 Política
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18/07 às 04:45 · atualizado 16:31

Pontos principais

  • O governo dos EUA impôs uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho.
  • Setores como uva, etanol, madeira, arroz e açúcar são os mais impactados pela medida comercial.
  • A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que US$ 4,6 bilhões em exportações estão sob pressão.
  • Produtores do Vale do São Francisco já redirecionam exportações de uvas para mercados na Europa e Argentina.
  • O governo federal anunciou um plano de contingência de R$ 130 milhões via ApexBrasil para diversificar destinos comerciais.
  • A estratégia foca em ampliar a presença brasileira na União Europeia, Sudeste Asiático e Ásia Central.
  • O Brasil registrou alta nas vendas para China e União Europeia no primeiro semestre de 2026, compensando a queda de 13% para os EUA.

Diante da imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump, produtores do agronegócio nacional iniciaram uma rápida recalibragem de suas rotas comerciais. A medida, que entra em vigor no dia 22 de julho, afeta uma vasta gama de itens, incluindo etanol, uvas, madeira e açúcar, colocando sob risco cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações. Para mitigar o impacto, setores como o de fruticultura já redirecionaram cargas para mercados na Europa e na Argentina, buscando compensar a perda de competitividade no mercado americano. O cenário é de cautela, com entidades como a ABIPLAST e a Abimci alertando para o risco de redução na capacidade produtiva e possíveis cortes de postos de trabalho caso o impasse não seja resolvido via negociações diplomáticas.

Para apoiar os exportadores, o governo federal anunciou um plano de contingência com um aporte de R$ 130 milhões via ApexBrasil. O objetivo é financiar a promoção de produtos nacionais em mercados alternativos, com foco prioritário na União Europeia, no Sudeste Asiático e na Ásia Central. A iniciativa busca consolidar uma tendência observada no primeiro semestre de 2026, quando o Brasil atingiu um recorde de US$ 185 bilhões em exportações totais, impulsionado pelo aumento das vendas para a China e o bloco europeu, que ajudaram a absorver a queda de 13% nas exportações destinadas aos Estados Unidos.

Embora o governo brasileiro avalie a possibilidade de utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica para responder às tarifas, a administração federal mantém uma postura cautelosa. O receio é que uma retaliação direta possa desencadear uma escalada na guerra comercial e gerar pressões inflacionárias internas. Por ora, a prioridade diplomática é a abertura de canais de diálogo técnico para reverter a taxação, enquanto o setor privado acelera a diversificação de seus parceiros comerciais para garantir a sustentabilidade das operações a longo prazo.

Fontes primárias

Office of the United States Trade Representative (USTR)

USTR Section 301 Action on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices

Em 15 de julho de 2026, o embaixador Jamieson Greer, por determinação do presidente Trump, tomou ação final sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 impondo tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros. A medida decorre de investigação de um ano que concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (Pix), tarifas preferenciais injustas, retrocesso no combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são "unreasonable" e restringem o comércio americano. Greer cita ainda "punir empresas de tecnologia dos EUA por se recusarem a censurar discurso político" e decisões do Judiciário brasileiro entre as justificativas. A USTR realizou duas audiências públicas e recebeu mais de 360 comentários antes da decisão; diz permanecer aberta a negociações com o Brasil.

ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos)

ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações após decisão dos EUA sobre a Seção 301

Em coletiva técnica em Brasília no dia 17/07/2026, a ApexBrasil anunciou plano de R$ 130 milhões, executado com 57 entidades do setor produtivo, para promoção comercial, inteligência de mercado e abertura de mercados estratégicos, com lançamento previsto para início de agosto. Levantamento da Gerência de Inteligência de Mercado mostra que a decisão final do USTR ampliou de 615 para 699 os produtos brasileiros isentos da tarifa de 25%, deixando 60,5% do valor exportado ao EUA em 2025 (US$ 22,8 bi) livre da sobretaxa — a parcela sujeita à tarifa caiu de US$ 9,4 bi para US$ 7,2 bi. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que a Agência vai 'intensificar a diversificação das exportações brasileiras' e apoiar entidades brasileiras e americanas para ampliar a lista de isenções. Dados apresentados mostram que 72% das ~2.400 empresas exportadoras apoiadas pela ApexBrasil que vendiam aos EUA passaram a exportar também para pelo menos mais um novo mercado entre junho/2025 e maio/2026. Setores beneficiados pela ampliação das isenções: ferro fundido, pescados, couros, madeira, hidróxido de alumínio, mel, objetos de arte e alguns plásticos.

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