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Ibovespa cai 1,24% com tarifas dos EUA e tensões geopolíticas

O mercado brasileiro recuou pressionado pela sobretaxa de 25% imposta pelos EUA a produtos nacionais e pela escalada de conflitos no Oriente Médio, que elevaram a aversão ao risco.

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Foto: Agência Brasil - EBC
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16/07 às 18:45 · atualizado 17/07 às 06:01

Pontos principais

  • O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,24%, atingindo 173.825 pontos.
  • O dólar comercial subiu 0,40%, fechando o dia cotado a R$ 5,098.
  • Os EUA impuseram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, afetando setores como siderurgia e bens industriais.
  • O governo brasileiro, por meio de Geraldo Alckmin, anunciou que estuda aplicar a Lei de Reciprocidade em resposta à medida.
  • A escalada militar entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz gerou instabilidade nos preços do petróleo e nos mercados globais.
  • Empresas exportadoras como WEG e Romi foram apontadas como as mais vulneráveis à nova política tarifária americana.
  • A curva de juros futuros de longo prazo subiu, refletindo incertezas fiscais internas e o cenário externo adverso.

O mercado financeiro brasileiro encerrou o pregão em baixa nesta sessão, com o Ibovespa recuando 1,24% e o dólar avançando para R$ 5,098. O movimento de aversão ao risco foi impulsionado pela confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, medida que impacta diretamente a competitividade de empresas exportadoras. Setores como siderurgia, metalurgia e bens industriais estão entre os mais expostos, embora companhias como a Embraer tenham sido isentas da taxação por integrarem o setor de aviação civil. Em resposta, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a decisão como injusta e afirmou que o governo avalia a implementação da Lei de Reciprocidade Comercial.

Além do impacto comercial, o cenário externo contribuiu para a volatilidade dos ativos. A escalada das tensões militares entre Estados Unidos e Irã, com ataques contínuos na região do Estreito de Ormuz, pressionou os preços das commodities e elevou a cautela global. O ambiente de incerteza foi agravado por declarações de dirigentes do Federal Reserve, que reforçaram a expectativa de manutenção dos juros americanos em patamares elevados, o que fortalece o dólar frente a moedas emergentes e limita o apetite por investimentos em renda variável.

Internamente, o mercado também reagiu com cautela à trajetória da dívida pública e às pressões sobre as despesas obrigatórias, o que elevou a curva de juros futuros de longo prazo. Analistas destacam que a arrecadação brasileira permanece vulnerável à desaceleração econômica da China e à queda nos preços de commodities, fatores que, somados ao cenário geopolítico, devem manter a volatilidade elevada no segundo semestre. Enquanto investidores monitoram possíveis novas sanções comerciais, o governo brasileiro busca equilibrar a resposta diplomática com a necessidade de preservar a estabilidade macroeconômica diante de um ambiente externo cada vez mais restritivo.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Notice of Action: Brazil's Acts, Policies, and Practices Related to Digital Trade and Electronic Payment Services; Unfair, Preferential Tariffs; Anti-Corruption Enforcement; Intellectual Property Protection; Ethanol Market Access; and Illegal Deforestation

Publicado em 15/07/2026, o aviso final da USTR confirma a decisão do presidente Trump, via memorando de 15/07/2026, de aplicar tarifa adicional de 25% sobre todas as importações de bens do Brasil, com vigência a partir das 00h01 (horário do leste dos EUA) de 22/07/2026. A ação decorre da investigação Seção 301 aberta em 15/07/2025 sobre seis práticas brasileiras: restrições a comércio digital/pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais discriminatórias, fiscalização anticorrupção deficiente, proteção insuficiente de propriedade intelectual, barreiras de acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A USTR manteve as isenções propostas em junho — incluindo todos os artigos já sujeitos a tarifas da Seção 232 (aço, alumínio, cobre) e aeronaves civis (todas as aeronaves exceto militares, seus motores, peças e componentes, o que isenta a Embraer) — e adicionou novas isenções (hidróxido de alumínio, antiguidades, couros, produtos do mar, certos fármacos, produtos de madeira, sucata de ferro/aço, café instantâneo, roupas usadas), mas retirou da lista de isenção a polpa de dissolução de alta pureza. O documento cita consultas malsucedidas com o governo brasileiro para resolver as práticas contestadas.

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