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Câmara oculta autores de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão

Relatório da Transparência Brasil aponta que a Câmara dos Deputados utiliza brechas legais para esconder a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas, em prática similar ao antigo orçamento secreto.

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Foto: G1 Política
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13/07 às 09:02 · atualizado 15:32

Pontos principais

  • O montante de R$ 1,3 bilhão foi distribuído em 2025 sob a rubrica de 'emendas de liderança', sem identificar os parlamentares responsáveis.
  • A prática é amparada pela Lei Complementar 210/2024, que permite o registro genérico das indicações por lideranças partidárias.
  • PP, União Brasil e PL lideram o uso do mecanismo, enquanto dados de 2026 indicam a adesão do PT ao modelo.
  • A Transparência Brasil afirma que a falta de rastreabilidade impede o controle social e afronta decisões anteriores do STF.
  • Diferente da Câmara, o Senado Federal identifica formalmente o parlamentar responsável por todas as suas emendas de comissão.
  • A Comissão de Saúde concentrou R$ 818,1 milhões dessas indicações, levantando preocupações sobre o direcionamento de verbas.
  • O STF tem buscado forçar a identificação nominal de autores de emendas para evitar desvios e garantir a transparência orçamentária.

Um relatório da Transparência Brasil revelou que a Câmara dos Deputados destinou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão durante 2025 sem divulgar os nomes dos parlamentares responsáveis pelas indicações. O mecanismo, classificado como 'emendas de liderança', permite que os recursos sejam registrados sob a autoria genérica de partidos, o que, segundo a organização, reproduz a lógica de opacidade do extinto orçamento secreto. A prática é amparada pela Lei Complementar 210/2024, aprovada após um acordo entre os Três Poderes, mas tem sido alvo de críticas por dificultar a fiscalização e o controle social sobre o uso do dinheiro público.

O levantamento aponta que sete partidos concentram as indicações, com destaque para PP, União Brasil e PL, que lideram o ranking de repasses. Enquanto o Senado Federal mantém a identificação nominal de todos os seus parlamentares em emendas, a Câmara tem mantido as atas de reuniões de bancada sob sigilo, descumprindo normas de transparência. A situação reacende o debate jurídico sobre o cumprimento das ordens do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem determinado medidas rigorosas para garantir a rastreabilidade das verbas parlamentares. A Transparência Brasil recomenda a extinção imediata desse modelo de emendas para assegurar que a destinação de recursos públicos seja feita de forma pública e auditável.

Fonte primária

Transparência Brasil

"Emendas de liderança" repetem lógica do orçamento secreto e somam R$ 1,3 bilhão em 2025

Levantamento da Transparência Brasil identificou que lideranças de sete partidos (Progressistas, União Brasil, PL, Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos) assumiram formalmente a autoria de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão de 2025 — 16% dos R$ 7,9 bilhões da Câmara nessa modalidade — sem revelar quais deputados de fato indicaram os recursos. O Progressistas lidera com R$ 427,7 milhões em 464 indicações (R$ 216,4 milhões concentrados no Piauí), seguido por União Brasil (R$ 288,7 mi), PL (R$ 254,3 mi), Republicanos (R$ 218,5 mi), Avante (R$ 30 mi), Solidariedade (R$ 22 mi) e Podemos (R$ 19 mi). A Comissão de Saúde concentrou o maior volume: R$ 818 milhões em 808 indicações pulverizadas entre fundos municipais, seguida por Turismo (R$ 163 mi), Esporte (R$ 134 mi) e Desenvolvimento Regional (R$ 102,5 mi). A entidade nota que, em seis dos sete partidos, os próprios líderes da bancada também reivindicaram indicações pessoais além das de liderança, sugerindo obscurecimento deliberado. O relatório compara a prática à do extinto orçamento secreto (RP 9, declarado inconstitucional pelo STF em 2022): as rubricas de emendas de comissão saltaram de R$ 136,1 milhões em 2022 para R$ 8,3 bilhões em 2024 e R$ 9,3 bilhões em 2025. A entidade também não conseguiu rastrear os destinatários de R$ 821 milhões por falta de identificador único entre os sistemas legislativo e de execução federal. Recomendações: suspensão imediata do pagamento de emendas de liderança e extinção da prática; publicação das atas de reunião de bancada de 2025-2026 (exigidas pela Resolução 1/2006 e hoje indisponíveis); suspensão de todas as emendas de comissão até a criação de identificador único ponta a ponta; e auditoria manual nos dois ministérios responsáveis por 86% dos gastos não rastreados (Desenvolvimento Regional, R$ 560,4 mi, e Agricultura, R$ 155 mi).

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