STF bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por desvio de emendas
O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de bens de Eduardo Cunha por suspeita de uso irregular de emendas parlamentares em Minas Gerais.
Pontos principais
- O ministro Flávio Dino, do STF, ordenou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha.
- A investigação, parte da Operação Transparência, apura o direcionamento de 21 emendas parlamentares por Cunha, que não possui mandato.
- A Polícia Federal aponta que a servidora Mariângela Fialek operava o esquema com suposto aval da presidência da Câmara.
- Mensagens interceptadas indicam que Cunha utilizava o deputado Gilberto Abramo como intermediário para a destinação de verbas.
- O STF suspendeu a execução de despesas públicas vinculadas às emendas sob suspeita de irregularidade.
- O presidente da Câmara, Hugo Motta, foi notificado a apresentar documentos internos sobre a tramitação das verbas em 10 dias.
- A operação também atingiu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que teve R$ 119 milhões bloqueados por suspeitas similares.
- A defesa de Cunha nega irregularidades, classificando sua atuação como interlocução política legítima.
- O ex-deputado, cassado em 2016, é pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha. A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga um esquema de direcionamento ilícito de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal, Cunha, mesmo sem mandato parlamentar, exercia influência direta na destinação de recursos públicos para municípios mineiros, utilizando-se de uma rede de contatos internos na Câmara dos Deputados para viabilizar os repasses. A investigação aponta que o ex-deputado teria forjado a indicação de 21 emendas, tratando a verba como ferramenta de cooptação política para fortalecer sua pré-candidatura em 2026.
O relatório da Polícia Federal destaca o papel da servidora Mariângela Fialek, apontada como a principal operadora do esquema. De acordo com os investigadores, a servidora contava com o aval da presidência da Câmara para processar as emendas sob o nome de parlamentares, como o deputado Gilberto Abramo, que serviriam de fachada para o ex-deputado. Diante dos indícios de peculato-desvio, o ministro Flávio Dino ordenou a suspensão imediata da execução de todas as despesas públicas associadas às emendas sob suspeita e intimou órgãos como a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) para acompanhar o caso.
Como parte das diligências, o presidente da Câmara, Hugo Motta, foi notificado a apresentar, no prazo de dez dias, toda a documentação interna referente à tramitação e aprovação das emendas identificadas pela PF. A investigação também revelou conexões com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que teve R$ 119 milhões bloqueados sob acusações semelhantes de interferência indevida no orçamento da União. O caso expõe novamente as fragilidades no controle da distribuição de verbas parlamentares, um tema que tem gerado tensões entre o Poder Judiciário e o Legislativo.
A defesa de Eduardo Cunha refutou as acusações, classificando a atuação do ex-parlamentar como uma "legítima interlocução política". Os advogados argumentam que Cunha não possui competência para formalizar emendas e que o valor bloqueado judicialmente corresponde ao montante global dos recursos destinados aos municípios, e não a vantagens indevidas recebidas pelo ex-deputado. A defesa também criticou a ausência de intimação prévia antes da decisão de bloqueio patrimonial, alegando que a medida foi prematura. O processo segue sob sigilo parcial até que as medidas de indisponibilidade de bens sejam integralmente cumpridas.
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