PF deflagra 6ª fase da Operação Compliance Zero contra grupo de Vorcaro
A operação investiga crimes financeiros, ligações com o jogo do bicho e o uso de milícia privada e agentes da PF por Daniel Vorcaro para espionagem.
Pontos principais
- Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em Brasília sob acusação de gerenciar o grupo 'A Turma'.
- A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em três estados brasileiros.
- Investigações apontam que o grupo realizava vigilância, coleta de dados sigilosos e intimidação contra desafetos.
- Um agente da Polícia Federal foi detido e uma delegada foi afastada por suspeita de envolvimento no esquema.
- O hacker David Henrique Alves, líder de 'Os Meninos', recebia pagamentos mensais de R$ 35 mil para monitoramento ilegal.
- A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 27,7 bilhões em bens dos investigados no decorrer das fases da operação.
- Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário', que gerenciava os núcleos criminosos, cometeu suicídio após ser detido pelas autoridades.
- O ministro do STF André Mendonça autorizou as prisões e a transferência de um dos líderes para o Sistema Penitenciário Federal.
- A defesa de Henrique Vorcaro sustenta que a decisão judicial baseia-se em fatos que ainda não tiveram a legalidade comprovada.
A Polícia Federal deflagrou a sexta fase da Operação Compliance Zero para desarticular núcleos criminosos que atuavam em benefício do empresário Daniel Vorcaro. A ação, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, resultou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, em Brasília. Ao todo, a Justiça expediu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em três estados. A operação revelou que aliados de Vorcaro, incluindo policiais federais da ativa e aposentados, utilizavam a estrutura da corporação para intimidar desafetos e obter dados sigilosos. Nas fases anteriores, o bloqueio de bens dos envolvidos já atingiu o montante de R$ 27,7 bilhões.
Novas evidências extraídas de dispositivos móveis reforçam a continuidade das atividades ilícitas, incluindo a conexão do grupo com o jogo do bicho. As investigações apontam que Henrique Vorcaro liderava o grupo denominado 'A Turma', atuando como uma milícia pessoal dedicada a monitorar e intimidar desafetos da família. Mensagens interceptadas indicam que o empresário solicitava ativamente a manutenção da estrutura criminosa e a obtenção de informações sigilosas sobre inquéritos em que era alvo. O grupo, dividido em núcleos como 'A Turma' e 'Os Meninos', utilizava policiais, hackers e contraventores para realizar consultas indevidas em sistemas internos, como o e-Pol, visando proteger os interesses do Banco Master.
O envolvimento de servidores públicos ganhou contornos mais graves nesta fase, com a prisão de um agente da Polícia Federal e o afastamento de uma delegada por suspeita de participação direta no esquema de espionagem. O papel de hackers na organização foi detalhado a partir de material apreendido com Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário', que gerenciava os núcleos e cometeu suicídio após ser preso. David Henrique Alves, líder de 'Os Meninos', foi detido após evidências de que ordenou a retirada de bens de sua residência em Lagoa Santa logo após a prisão de Fabiano Zettel, em uma tentativa de destruir provas.
Além das práticas de coerção, que incluíam planos de agressões físicas contra o colunista Lauro Jardim, a operação apura o colapso do Banco Master e diversas irregularidades financeiras, como a emissão irregular de títulos e manobras de blindagem patrimonial. O caso, que já havia levado à prisão de Fabiano Zettel e do próprio Daniel Vorcaro em fases anteriores, segue em curso para identificar a extensão da participação de servidores públicos no vazamento de dados. Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial é grave, desnecessária e baseia-se em fatos que ainda não tiveram sua legalidade comprovada no processo.
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