Negociações de paz entre EUA e Irã enfrentam incerteza e escalada de tensões devido ao programa nuclear iraniano, controle do Estreito de Ormuz e críticas de líderes iranianos à abordagem americana, com prazo de cessar-fogo se aproximando.
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, enfrentam um cenário de crescente incerteza e desconfiança, especialmente com o cessar-fogo de duas semanas prestes a expirar. Enquanto negociadores americanos, incluindo o vice-presidente JD Vance, estão a caminho de Islamabad para uma nova rodada de conversas, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian criticou duramente os EUA, afirmando que a abordagem americana visa a rendição do Irã. Pezeshkian enfatizou que os iranianos não se submetem à força e que o diálogo deve ser guiado pelo cumprimento de compromissos, citando a desconfiança histórica e sinalizações contraditórias. Em linha com essa postura, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que o Irã não aceitará negociações com os EUA sob ameaças, acusando o presidente Donald Trump de tentar transformar a mesa de negociações em uma "mesa de rendição". Uma delegação iraniana também deve viajar a Islamabad para as negociações, embora a mídia estatal iraniana tenha reportado que Teerã pode não comparecer após a recente captura de um navio iraniano pelos EUA.
Paralelamente, as tensões entre Irã e EUA escalaram no fim de semana, com o fechamento do Estreito de Ormuz e a captura de um navio iraniano. O progresso genuíno nas negociações da semana passada foi rapidamente desfeito quando a Guarda Revolucionária Iraniana disparou contra petroleiros, apesar de o Ministro das Relações Exteriores iraniano ter declarado o estreito "completamente aberto". Autoridades dos EUA veem o incidente como evidência de uma divisão entre o Parlamento iraniano e a Guarda Revolucionária, gerando dúvidas sobre quem está no comando no Irã. Um navio cargueiro iraniano também foi interceptado por militares dos EUA no Golfo de Omã, gerando acusações de violação do cessar-fogo por parte do Irã. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, citou as violações do cessar-fogo pelos EUA, como o bloqueio dos portos iranianos, como um grande obstáculo para a continuidade das negociações.
Donald Trump havia dado como certa a realização de novas negociações e um acordo de paz "hoje" em Islamabad, mas a situação atual testa a resistência e o tempo para uma resolução diplomática. Trump declarou que não está sob pressão para fechar um acordo, mas que ele deve acontecer "relativamente rápido" e será "muito melhor" que o JCPOA, criticando o acordo nuclear anterior de 2015 como "um dos piores já feitos". Ele fez essa declaração em uma publicação nas redes sociais, em meio a críticas de democratas e especialistas nucleares que apontam para a pressa nas negociações sobre um tema complexo. Trump ameaçou não estender o cessar-fogo e manter o Estreito de Ormuz bloqueado se um acordo não for alcançado, reiterando que o bloqueio não será suspenso até que um acordo seja feito com o Irã.
Trump minimiza a pressão temporal na guerra contra o Irã, comparando a "Operação Fúria Épica" a conflitos anteriores, enquanto pessoas próximas à Casa Branca alertam que o tempo é crucial, especialmente devido à preocupação americana com os preços da gasolina. O Irã, por sua vez, espera que a pressão interna nos EUA por preços baixos e um fim rápido ao conflito aumente seu poder de negociação. Trump acredita que a ameaça de novos ataques e o bloqueio econômico forçarão o Irã a um acordo favorável aos EUA. A segunda rodada de negociações de paz ainda não tem data, e o Irã nega planos imediatos para participar, apesar das tentativas de mediação do Paquistão.
Mediadores paquistaneses estão tentando retomar o processo, com um novo rascunho de acordo cobrindo sanções, enriquecimento e fundos congelados, embora o Irã não tenha concordado em desistir permanentemente do enriquecimento. A equipe de Trump acredita que o Irã está sob intensa pressão econômica devido ao bloqueio, mas as discussões sobre uma renovada campanha militar, incluindo a tomada da Ilha Kharg, estão em andamento. As tensões persistem devido ao programa nuclear de Teerã e ao controle do Estreito de Ormuz, com um prazo para o cessar-fogo se aproximando. Os preços do petróleo registraram recuperação após as ameaças iranianas, indicando que a escalada de conflitos na região pode impactar a segurança e a estabilidade global.
22 abr, 10:04
21 abr, 01:02
13 abr, 17:06
12 abr, 11:01
10 abr, 08:02
Carregando comentários...