O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com ataques militares a usinas de energia e pontes caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até terça-feira (7.abr.2026), afirmando que o país levaria 20 anos para se reconstruir e que "viverá no inferno" se a demanda não fosse cumprida. Em resposta, o Irã classificou o ultimato como uma "ameaça desesperada, nervosa e estúpida" e alertou para retaliação "devastadora". O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que as ameaças de Trump de atacar infraestruturas civis podem configurar crimes de guerra, citando o artigo 8.º, n.º 2, alínea b), do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Trump de seguir ordens de Netanyahu. Ataques recentes dos EUA e Israel já atingiram infraestruturas no Irã, incluindo uma ponte em Karaj e o Aeroporto Internacional Qasem Soleimani, enquanto o Irã continuou a disparar drones e mísseis contra Israel e aliados no Golfo. A Anistia Internacional criticou as ameaças de Trump, alertando para o sofrimento de civis.
Em meio às tensões, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz não voltará a ser como antes, especialmente para os Estados Unidos e Israel. O comando da organização anunciou que a Guarda Revolucionária Islâmica está concluindo preparativos operacionais para uma nova ordem no Golfo Pérsico, que inclui a criação de uma "arquitetura de segurança nativa" garantida pelos países costeiros. Segundo a Press TV, a declaração iraniana significa o fim da "hegemonia estrangeira" no estreito, impedindo que potências externas ditem termos. Os preparativos iranianos envolvem reforço naval, sistemas avançados de monitoramento e capacidade de resposta rápida coordenada. A Guarda Revolucionária Islâmica também alertou para retaliações "ainda mais violentas" em caso de novos ataques dos EUA e Israel contra sua infraestrutura civil, após ter realizado ataques retaliatórios em países do Oriente Médio. A Marinha e a Força Aeroespacial da IRGC incendiaram alvos inimigos nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, em resposta a ataques anteriores à Ponte B1 em Karaj e às instalações petroquímicas de Mahshahr. Forças iranianas também atacaram uma refinaria em Haifa que fornece combustível para caças israelenses, além de instalações de gás da Exxon Mobil e Chevron nos Emirados Árabes Unidos e uma instalação petroquímica americana em Al Ruwais.
Simultaneamente, EUA e Irã receberam uma proposta de paz em duas fases para o Oriente Médio, prevendo um cessar-fogo imediato seguido de um acordo abrangente. Esta proposta, provisoriamente chamada de “Acordo de Islamabad”, foi mediada pelo Paquistão e visa reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial. A primeira fase do plano prevê um cessar-fogo imediato, seguido por um acordo mais amplo em 15 a 20 dias, que incluiria compromissos nucleares do Irã em troca de alívio de sanções e liberação de ativos. O plano pode envolver conversas presenciais na capital paquistanesa.
Contudo, o Irã rejeitou a reabertura do Estreito de Ormuz como condição para uma trégua temporária e não aceita prazos para negociações. Trump, por sua vez, fixou um prazo para o Irã reabrir o estreito, estendendo o ultimato até terça-feira (7.abr.2026) e ameaçando novos ataques à infraestrutura iraniana caso o prazo não seja cumprido. O Irã havia bloqueado a passagem em retaliação a ataques conjuntos de EUA e Israel iniciados em 28 de fevereiro. As hostilidades entre EUA e Irã já duram mais de cinco semanas, resultando em milhares de mortes e pressão sobre os preços do petróleo.
A crise no Estreito de Ormuz, uma rota crucial que responde por cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo, gás natural e ureia, tem impactado o mercado global de energia, causando aumento nos preços do barril e pressionando a inflação. O barril de petróleo Brent, por exemplo, atingiu US$ 111,65 na madrugada de segunda-feira (6.abr.2026), com alta de aproximadamente 1,2%, impulsionado pelas declarações de Trump. Apesar das ameaças, Trump também mencionou a possibilidade de um acordo de cessar-fogo com o Irã até segunda-feira, ameaçando tomar o petróleo iraniano caso o acordo não avance. Autoridades dos EUA, Irã e Paquistão, incluindo o vice-presidente americano JD Vance e o ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araqchi, estiveram em contato sobre a proposta de paz. O Reino Unido, por sua vez, busca uma solução diplomática, reunindo 40 nações para debater a reabertura do estreito.
G1 Mundo • 6 abr, 07:21
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