Lula sanciona leis contra violência à mulher e defende regulação digital
O presidente Lula sancionou um pacote de leis que cria o crime de vicaricídio, aumenta penas para violência contra a mulher e estabelece monitoramento eletrônico para agressores, além de criticar plataformas digitais e o machismo.
Pontos principais
- Lula sancionou um pacote de três projetos de lei para combater a violência contra a mulher.
- As leis criam o crime de vicaricídio e aumentam penas para violência contra a mulher, com pena de 20 a 40 anos de reclusão para o vicaricídio.
- As medidas incluem uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para agressores em casos de risco e aumento da pena por descumprimento de medidas protetivas.
- A Lei Maria da Penha foi alterada para permitir o monitoramento eletrônico de agressores como medida protetiva autônoma e o uso de dispositivos de segurança pelas vítimas.
- Foi instituído o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, em 5 de setembro.
- Lula criticou a falta de regulação das plataformas digitais, defendendo que controlem materiais prejudiciais e responsabilizem-se por conteúdos misóginos.
- O presidente também criticou o machismo, usando um ditado popular para ilustrar a educação machista de gerações passadas.
- Lula ressaltou a educação como ferramenta fundamental para erradicar a violência de gênero e o preconceito, afirmando que a legislação sozinha não resolve o problema.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um pacote de três leis voltado ao combate à violência contra a mulher, que inclui a criação do crime de vicaricídio e o aumento das penas para casos de violência doméstica. O vicaricídio, que prevê pena de 20 a 40 anos de prisão, é caracterizado pela morte de descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda da mulher com o objetivo de causar-lhe sofrimento, sendo classificado como crime hediondo. As novas medidas também alteram a Lei Maria da Penha para tornar obrigatório o uso de tornozeleira eletrônica para agressores em situações de risco à vítima, autorizando delegados a determinar o monitoramento eletrônico, e permitem que as vítimas utilizem dispositivos de segurança para alertar sobre a aproximação de agressores, além de aumentar a pena para o descumprimento de medidas protetivas. Uma nova lei também instituiu o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, a ser celebrado em 5 de setembro.
Durante o evento de sanção, que contou com a presença de ministros e parlamentares, Lula abordou a questão da regulação das plataformas digitais, criticando a falta de controle sobre conteúdos misóginos e violentos que, segundo ele, são facilmente acessados por crianças e adolescentes. O presidente defendeu que essas plataformas devem ser responsabilizadas e obrigadas a controlar o material prejudicial, argumentando que pais e mães não conseguem monitorar sozinhos o que seus filhos consomem online. Ele também criticou o machismo, citando um ditado popular sobre "bodes e cabritas" para ilustrar a educação machista de gerações passadas, e destacou que a tecnologia acelera a disseminação de ideias prejudiciais.
Lula ressaltou a importância da educação e da regulação das redes sociais para combater a disseminação de conteúdos inadequados e a violência, destacando a necessidade de leis atualizadas e de abordar as causas da violência, não apenas os efeitos. A primeira-dama Janja da Silva discursou sobre a necessidade de políticas públicas e responsabilização de agressores, inclusive corrigindo um dado sobre prisões relacionadas à violência de gênero. O presidente afirmou que a legislação sozinha não resolve o problema, mas defendeu o endurecimento das punições. As novas leis buscam aumentar o controle das medidas protetivas, reduzir o tempo de resposta em riscos e atuar preventivamente. O pacote de leis e as declarações de Lula visam fortalecer o compromisso do presidente com o eleitorado feminino, que representa 52% dos votantes brasileiros, para a campanha de reeleição em 2026.
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