O preço do petróleo dispara em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, com o ultimato de Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz e novos ataques aéreos na região, elevando o risco inflacionário global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a retórica contra o Irã, afirmando que pode "eliminar o Irã em uma noite" e ameaçando atacar a infraestrutura civil do país, incluindo usinas de energia e pontes. Em uma postagem no Truth Social, Trump declarou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" se o Irã não reabrir o Estreito de Ormuz até o prazo final de 7 de abril. A condição para evitar os ataques é a reabertura do Estreito, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo e gás global. Questionado sobre possíveis crimes de guerra ao alvejar civis, Trump chamou os iranianos de "animais" e afirmou não se preocupar com alertas sobre infraestrutura civil. Ele também confirmou ter rejeitado uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, considerando-a insuficiente.
A escalada de tensões já se manifesta em ataques na região. Os EUA atacaram a ilha iraniana de Kharg, e Israel realizou "amplos ataques" em território iraniano, atingindo pontes, trens e edifícios. Israel também atacou novamente o complexo petroquímico de South Pars, o maior campo de produção de gás do mundo, e a Ilha de Kharg, onde 90% do petróleo exportado do Irã é armazenado. A imprensa local sugere um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel, mas nenhum país se pronunciou oficialmente.
Em resposta, o Comando Militar do Irã classificou as ameaças de Trump como "ilusórias" e "delirantes", afirmando que não apagarão a "vergonha" dos EUA no Oriente Médio. Um porta-voz militar iraniano criticou as declarações "grosseiras e insolentes" de Trump. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, Ibrahim Zulfiqari, publicou ameaças diretas a Israel, EUA e líderes regionais, prometendo destruir a "entidade sionista" e afirmando que a resposta iraniana seria "decisiva e final", com "surpresas além dos piores pesadelos", incluindo o "fim dos Estados Unidos na região". Diante das ameaças, o Irã convocou sua população para formar correntes humanas em defesa das usinas de energia e pontes, consideradas "ativos e capital nacional". Centenas de iranianos, por exemplo, formaram uma corrente humana em torno da usina termoelétrica de Kazeroon. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que mais de 14 milhões de iranianos já se declararam "prontos para se sacrificar" pelo país. O Irã também ameaçou fechar o Estreito de Bab el-Mandeb e deixar o Oriente Médio no escuro em caso de ataques às suas usinas.
Especialistas alertam que as ameaças de Trump de atacar infraestruturas civis, como usinas e pontes, podem configurar crimes de guerra, embora uma punição internacional seja improvável. O governo iraniano expressou preocupação de que os ataques propostos por Trump possam constituir crimes de guerra, violando o direito internacional. Em meio a essa escalada, os mercados financeiros reagem. Os índices futuros dos EUA operam em baixa, impactados pela tensão entre EUA e Irã e por indicadores de inflação, com investidores acompanhando de perto os dados de inflação nos EUA. O preço do petróleo abriu em alta, rondando US$ 110 por barril, e o Brent atingiu US$ 111,79, refletindo a preocupação do mercado com a instabilidade na região e o temor de interrupção no fluxo global, já que 20% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz. A permanência do petróleo acima de US$ 100 pode gerar um novo ciclo inflacionário global, pressionando bancos centrais, como o Fed, a aumentar as taxas de juros, alterando o cenário econômico esperado e impactando ativos de risco. No Brasil, o dólar abriu em baixa de 0,14% a R$ 5,1390, enquanto o governo anunciou um pacote de medidas de R$ 4 bilhões para mitigar o impacto da alta do petróleo nos combustíveis, incluindo zerar PIS/Cofins para companhias aéreas e subsídios para diesel e GLP.
G1 Mundo • 7 abr, 11:06
G1 Mundo • 7 abr, 09:59
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