O dólar opera em baixa frente ao real, impulsionado por sinais de uma possível trégua entre EUA e Irã, embora Teerã tenha rejeitado a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, mantendo as tensões geopolíticas e as preocupações com a inflação global.

O dólar registrou queda frente ao real, influenciado por sinais de uma possível trégua entre Estados Unidos e Irã, apesar da rejeição iraniana em reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz. A cotação do dólar à vista recuou 0,33%, sendo negociado a R$ 5,143 na venda, enquanto os preços do petróleo Brent e WTI subiram e os futuros de ações dos EUA caíram. A expectativa inicial de um cessar-fogo, mediada pelo Paquistão, influenciou a abertura em queda do dólar, mas a recusa do Irã em ceder na questão do Estreito de Ormuz mantém a incerteza nos mercados. O porta-voz iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou que Teerã comunicou suas exigências a Washington por intermediários.
O presidente Donald Trump reiterou ameaças de destruir usinas de energia iranianas e expressou o desejo de tomar o petróleo do país, utilizando linguagem vulgar em postagens no Truth Social. Trump havia rejeitado uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, considerando-a insuficiente, e estabeleceu um novo prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo e gás. Durante um evento anual de Páscoa na Casa Branca, Trump declarou que o prazo de terça-feira para o Irã fazer um acordo é definitivo, sugerindo que a "guerra" poderia terminar rapidamente se o Irã cumprisse o necessário. O presidente também referiu-se aos iranianos como "animais" e disse não se preocupar em alvejar infraestrutura civil no Irã, o que gerou preocupações no governo iraniano de que tais ataques possam constituir um crime de guerra.
Em declarações recentes, Donald Trump afirmou que o Irã é um inimigo forte, mas menos potente do que há um mês, referindo-se à Operação Fúria Épica. O presidente elogiou a operação de resgate de dois pilotos americanos em território iraniano, classificando-a como uma das mais ousadas da história e declarando vitória no Irã após o sucesso da missão. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã expressou dúvidas sobre a operação de resgate, com o porta-voz Esmail Baqai sugerindo que a ação pode ter sido uma fachada para roubar urânio enriquecido e classificando-a como um "desastre" para os EUA. O caça F-15E foi abatido por defesas aéreas iranianas na sexta-feira (3), com dois tripulantes ejetando, e um dos militares foi resgatado por forças dos EUA, enquanto o segundo permaneceu desaparecido até o resgate. Apesar do resgate, as ameaças às operações dos EUA na região persistem, e o sucesso da operação pode influenciar a visão de Trump sobre futuras ações militares, como a tomada da Ilha de Kharg ou ataques a instalações de enriquecimento de urânio. Ele, no entanto, não comentou a notícia da IRNA de que Teerã rejeitou a proposta de cessar-fogo dos EUA.
O Irã, por sua vez, também rejeitou a proposta de cessar-fogo e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, defendendo o fim permanente da guerra em uma nova proposta diplomática de dez tópicos. Em resposta às ameaças, o Irã sinalizou a possibilidade de retaliar, visando usinas de dessalinização em países do Golfo aliados aos EUA. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que "assassinatos e crimes" não deterão as Forças Armadas iranianas, em luto pela morte do general Majid Khademi, chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária, classificada como "terrorismo" pelo Irã. A Opep+ alertou para danos duradouros na oferta de petróleo no Oriente Médio e, embora tenha decidido aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de maio, analistas preveem um impacto limitado devido à escalada do conflito.
A guerra na região escurece o cenário econômico global, com risco de frear o crescimento e pressionar a inflação, especialmente com a expectativa de alta nos preços da gasolina. Mercados globais e brasileiros monitoram a coletiva de Donald Trump e as tensões geopolíticas, além de indicadores econômicos. No Brasil, o Relatório Focus mostrou a quarta alta seguida na projeção de inflação para 2026, que subiu para 4,36%, e para 2027, que atingiu 3,85%. O governo brasileiro avalia zerar impostos federais sobre o querosene de aviação e criar linhas de crédito para companhias aéreas para conter o impacto da alta do petróleo.
G1 Mundo • 6 abr, 13:00
G1 Mundo • 6 abr, 13:38
InfoMoney • 6 abr, 12:35
8 abr, 09:00
7 abr, 05:01
6 abr, 09:18
1 abr, 16:02
30 mar, 15:01
Carregando comentários...