Os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Oriente Médio, com mais de 50 mil soldados já na região e a possibilidade de envio de mais 10 mil, em meio à incerteza sobre uma possível guerra terrestre contra o Irã. Milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA também foram enviados, reforçando a capacidade operacional. Essa movimentação ocorre enquanto o presidente Donald Trump envia sinais contraditórios, alternando entre a busca por negociações e ameaças diretas à infraestrutura iraniana, e divulga um vídeo de uma explosão no Irã. Recentemente, a cidade iraniana de Isfahan, que abriga instalações nucleares, foi bombardeada, provavelmente pelos EUA, e Teerã também foi alvo de ofensivas das forças americanas e israelenses. A Guarda Revolucionária do Irã alegou ter bombardeado uma instalação militar secreta dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, fora da base aérea de Al Minhad, com cerca de 200 soldados americanos presentes no momento do ataque em 30 de março de 2026. No entanto, não há confirmação oficial dos Estados Unidos ou dos Emirados Árabes sobre o incidente. Além disso, um drone iraniano atingiu um petroleiro do Kuwait em Dubai, causando um incêndio controlado, e outro feriu quatro pessoas em uma área residencial da mesma cidade. Arábia Saudita e Bahrein foram novamente alvos de artefatos iranianos, e explosões foram ouvidas em Jerusalém após alerta de mísseis iranianos. Israel relatou a morte de quatro soldados na invasão do Líbano e dois membros da ONU também morreram na região.
Internamente, Trump informou a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado. A decisão se baseia na avaliação de que uma operação para reabrir o Estreito prolongaria o conflito além do prazo de quatro a seis semanas estabelecido por Trump, com potenciais impactos negativos nas eleições americanas devido aos preços do petróleo e à economia global. A estratégia de Trump agora se concentraria em enfraquecer a marinha iraniana e a capacidade de mísseis do país, reduzindo ataques para pressionar a reabertura do Estreito e retomar o fluxo comercial livre na região. Caso o Irã mantenha o bloqueio ou interrompa o fluxo de navios, Trump planeja pressionar aliados europeus e do Golfo a assumir a responsabilidade pela reabertura da rota marítima.
Paralelamente, o presidente Trump planeja pedir a países árabes que ajudem a custear a guerra contra o Irã. Ele também ameaçou 'explodir e obliterar completamente' a infraestrutura vital iraniana, incluindo usinas de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg, caso um acordo de cessar-fogo não seja alcançado rapidamente e o Estreito de Ormuz não seja reaberto. Em um desenvolvimento recente, um vídeo publicado por Donald Trump no Truth Social mostra a explosão de um depósito de munições em Isfahan, Irã, que teria sido causada por bombas antibunker de 907 kg e possivelmente munições penetradoras. Negociações indiretas entre EUA e Irã estão ocorrendo com a intermediação do Paquistão, apesar de o Irã ter intensificado ataques e chamado as propostas de irrealistas. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, ironizou as declarações de lideranças norte-americanas sobre negociações, afirmando que o inimigo comete um "grande erro" ao promover seus interesses e ameaçar o Irã, e alertou sobre retaliação a qualquer ataque. Ghalibaf é visto por EUA e Israel como um possível sucessor do aiatolá Mojtaba Khamenei.
Em meio ao conflito, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, expressou decepção com a cooperação dos aliados da OTAN, citando restrições europeias ao uso de espaço aéreo e bases militares. Rubio indicou que a relação com a OTAN poderá ser revista após o término da guerra, enfatizando que a aliança deve ser "mutuamente benéfica" e não uma "via de mão única". Ele afirmou que a ofensiva contra o Irã tem objetivos claros e duração limitada, visando a destruição das capacidades militares iranianas, e que os EUA estão no caminho certo para cumprir essas metas em "semanas, não meses". Após o cumprimento dos objetivos, caberá ao Irã decidir se respeitará as normas internacionais, especialmente no Estreito de Ormuz.
A notícia da disposição de Trump em encerrar a campanha militar contra o Irã fez os futuros de índices de ações em Nova York subirem e o petróleo apagar ganhos. No Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 0,53%, a 182.514,20 pontos, após duas quedas consecutivas. A alta foi impulsionada por ações da WEG, que recebeu um upgrade do Morgan Stanley, e papéis de petrolíferas devido ao avanço do preço do petróleo, que se manteve em alta com a guerra no Irã e a entrada dos houthis do Iêmen no conflito. O volume financeiro negociado no dia somou R$25,56 bilhões, enquanto empresas como Lojas Renner, C&A e Magazine Luiza registraram quedas significativas no pregão. O prolongamento do conflito no Oriente Médio continuou a influenciar os mercados, com as bolsas de Nova York fechando mistas e o petróleo WTI fechando acima de US$ 100. Os preços do petróleo Brent e WTI superaram US$ 100, impactando os combustíveis no Brasil, com gasolina subindo quase 4% e diesel mais de 9% em março. O IGP-M registrou alta de 0,52% em março, e o Boletim Focus elevou a projeção do IPCA para 2026 de 4,17% para 4,31%. Declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a cautela da autoridade monetária, reduzindo expectativas de cortes agressivos na taxa Selic, alinhando-se à postura do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que defendeu cautela na política monetária diante dos choques de oferta e da incerteza global.
InfoMoney • 31 mar, 07:48
InfoMoney • 31 mar, 06:24
G1 Mundo • 31 mar, 06:31
Carregando comentários...