O petróleo disparou mais de 7% após o presidente dos EUA, Donald Trump, prometer manter ataques ao Irã, gerando temores de interrupções no fornecimento. Democratas criticaram o discurso de Trump por falta de clareza.

O ouro encerrou o pregão em alta significativa, com valorização de 2,92% na Comex, atingindo a cotação de US$ 4.783,20 por onça-troy, acompanhado pela prata que subiu 1,55%. A principal razão para essa valorização foi a fraqueza do dólar no mercado internacional, combinada com sinais iniciais de contenção da escalada geopolítica no Irã, que diminuíram a aversão ao risco. Em linha com o cenário de alívio, o dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,157, retornando a níveis pré-guerra no Oriente Médio. O real se valorizou, e os juros futuros (DIs) apresentaram queda em toda a curva, com investidores retirando prêmios da curva a termo.
Contudo, o cenário de alívio foi rapidamente abalado por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu ataques 'extremamente duros' ao Irã nas próximas duas a três semanas e afirmou que os EUA manterão os ataques. Essa retórica intensificou as tensões e fez o preço do petróleo disparar mais de 7%, com o Brent para junho superando US$ 107 por barril e o WTI para maio acima de US$ 104. Trump atribuiu a alta das cotações a ataques iranianos contra petroleiros e países vizinhos, e o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz permanece paralisado desde o fim de fevereiro, mantendo a pressão sobre os preços do petróleo. Em seu discurso, Trump ameaçou atacar usinas de eletricidade e infraestrutura de energia no Irã, visando 'trazer de volta à Idade da Pedra', e minimizou a importância do Estreito de Ormuz para os EUA, sugerindo que a reabertura interessa mais aos países europeus. Analistas indicam que o mercado se inclina para uma escalada militar, apesar de Trump mencionar conversas em andamento com Teerã.
Em resposta às ameaças de Trump, o porta-voz do Comando das Forças Armadas do Irã afirmou que a guerra prosseguirá até a 'rendição e o arrependimento permanente do inimigo', em uma declaração que também ameaçou Israel e os EUA com 'ações mais esmagadoras, amplas e destrutivas'. Donald Trump havia declarado anteriormente que as forças militares dos EUA estão 'desmantelando sistematicamente' a capacidade de defesa do Irã, com objetivos estratégicos próximos de serem atingidos. Ele prometeu ampliar os ataques nas próximas semanas, mas não descartou negociações, mencionando que a mudança de regime ocorreu devido à morte de líderes originais. A ausência de menção a um cessar-fogo ou iniciativas diplomáticas no discurso de Trump gerou cautela nos mercados. Um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil iraniano em águas do Catar, intensificando as preocupações com o tráfego marítimo e o fornecimento. A Agência Internacional de Energia alertou que interrupções no fornecimento de petróleo podem afetar a economia europeia a partir de abril.
A volatilidade nos preços do petróleo é intensificada pela disputa de versões entre EUA e Irã. Declarações de Trump sobre um possível cessar-fogo ou negociações diretas provocam altas, como a de 4,9% no Brent, enquanto a negação iraniana gera incerteza. Trump sugeriu que o Irã havia pedido um cessar-fogo, o que foi negado por Teerã, que exige um cessar-fogo garantido para interromper seus ataques. Analistas do Instituto de Estudos de Energia de Oxford (OIES) destacam o peso das declarações políticas, chamando a estratégia de Trump de 'jawboning', onde a intervenção verbal no mercado de petróleo, embora busque estabilizar, aumenta a volatilidade no curto prazo. Essa sensibilidade é crucial, dado que o petróleo é um insumo central para a economia global, e a dificuldade de leitura dos eventos e a especulação exacerbam as flutuações, que viram o preço do barril subir de US$ 70 para US$ 110 durante o conflito. Analistas alertam para a possibilidade de o petróleo atingir novas altas se as tensões e os riscos no transporte marítimo aumentarem.
Legisladores democratas criticaram veementemente o discurso de Trump sobre a guerra no Irã, classificando-o como 'incoerente' e sem respostas claras para o povo americano. O senador Mark Warner expressou preocupação com a falta de explicações sobre as consequências econômicas do conflito, como o aumento dos preços da gasolina e outros itens essenciais, alertando para impactos de longo prazo. O senador Chris Murphy declarou que o discurso de Trump estava 'fundamentado em uma realidade que só existe na mente de Donald Trump', questionando a clareza da situação e se ela está escalando ou desescalando. As bolsas de Nova York (Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq) registraram alta, dando continuidade aos ganhos anteriores, impulsionadas pelo otimismo inicial em relação a um possível cessar-fogo no Oriente Médio, apesar de declarações conflitantes de autoridades dos EUA e do Irã. No entanto, os índices futuros de Nova York operam em baixa, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registrando quedas significativas, revertendo ganhos anteriores devido à alta do petróleo e ao pronunciamento de Trump. Mercados na Ásia-Pacífico, incluindo China e Hong Kong, também fecharam em baixa, refletindo a cautela dos investidores. A bolsa brasileira (Ibovespa) também reagiu positivamente, fechando em alta de 0,26%, aos 187.952,91 pontos, superando 188 mil pontos e registrando sua terceira alta consecutiva. No entanto, a Petrobras registrou queda de mais de 3% devido à baixa inicial do petróleo e ao aumento do querosene de aviação, limitando a alta do Ibovespa. As cotações do minério de ferro na China caíram para o menor nível em quase três semanas, impactadas pela redução das margens de lucro do aço e demanda fraca.
InfoMoney • 2 abr, 07:59
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